Guardiola corrige repórter, exalta futebol feminino e expõe machismo diário

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A mídia esportiva tradicional está tão habituada a ignorar os feitos das mulheres que às vezes acaba se colocando em situações embaraçosas. Desta vez, coube a Pep Guardiola lembrar aos jornalistas sobre as conquistas delas no futebol.

Na última sexta-feira (17), na coletiva que antecedeu a final da Copa da Inglaterra, o treinador foi questionado sobre a expectativa do Manchester City se tornar o primeiro clube a conquistar a “tríplice coroa” na Inglaterra — nome dado a quem vence os três principais torneios nacionais na temporada.

Como os “Citizens” venceram a Copa da Liga Inglesa e o Inglês, poderia fazer história em Wembley no sábado se vencessem o Watford. Mas, como lembrou Guardiola, sua equipe não seria a primeira a alcançar o feito no país.

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“Amanhã você tem a perspectiva de vencer o primeiro ’triplete' nacional neste país”, começou a perguntar um jornalista, prontamente interrompido por Guardiola.

“Masculino.”

“Quanto essa perspectiva de fazer história te empolga?”, continuou o repórter, ignorando a interferência.

Guardiola, visivelmente impaciente, repetiu: “A primeira vez no [futebol] masculino. As mulheres já venceram [a tríplice coroa]”, disse o espanhol, que sorriu e prosseguiu com a entrevista.

Muito antes do City, que foi campeão ao bater o Watford por 6 a 0, a equipe feminina do Arsenal venceu a “tríplice coroa” não uma, mas quatro vezes, a primeira delas na temporada 1992/93, quando faturou os títulos da Divisão Nacional da Premier League Feminina, Copa da Inglaterra Feminina e a Copa da Liga Feminina.

Repetiu o feito em 2000/01, 2006/07 e 2008/09. E fica melhor: em 2006/07, além do “triplete", o time também conquistou a Liga dos Campeões, como exaltou o perfil do B/R Football.

O conhecimento e o respeito do treinador com a história da modalidade viralizou nas redes sociais, e muitos fãs e personalidades britânicas — entre elas o comediante James Corden e a ex-jogadora do Arsenal, Alex Scott, hoje apresentadora da BBC Sports — parabenizaram Guardiola pela atitude.

Além de promover o futebol feminino, a resposta também escancara o machismo cotidiano que ignora, apaga e silencia a história das mulheres no esporte (e em outras áreas) — muitas vezes sem que nos demos conta de que isso acontece.

Inclusive, a autora do blog aproveita a chance para fazer um mea culpa, pois até a intervenção de Guardiola, também acreditava que o City estava prestes a alcançar um feito inédito no futebol inglês.

O problema é tão enraizado na nossa sociedade que ele passa desapercebido. Cabe a cada um de nós se desconstruir para mudar esse olhar e buscar (re)conhecer e valorizar os feitos das atletas, aprendendo com as lições como a que Guardiola deu.

Andy Murray também já rebateu repórteres

Não foi a primeira vez que uma estrela do esporte corrigiu um jornalista que ignorou o esporte feminino em suas perguntas. Em 2016, o tenista escocês Andy Murray foi questionado sobre o “feito extraordinário” de ser “a primeira pessoa” a ganha duas medalhas de ouro de tênis nas Olimpíadas.

“Bom, acho que Venus e Serena [Williams] já ganharam quatro medalhas cada uma”, respondeu.

Em 2017, o tenista voltou a rebater uma pergunta sobre Sam Querrey se tornar o primeiro jogador dos Estados Unidos a chegar às finais de um Grand Slam desde 2009. “É o primeiro jogador homem”, respondeu Murray, lembrando que Serena Williams conquistou nada menos que 13 títulos de Grand Slam entre 2009 e 2017. Uma verdadeira lição.

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