Grupo McLaren entra com ação na justiça do Reino Unido em busca de refinanciamento

Adam Cooper
motorsport.com

E a situação financeira da McLaren ganhou mais um capítulo. Após anunciar que poderia colocar a venda ações da equipe de Fórmula 1 para buscar novo capital, o Grupo entrou com uma ação legal nos tribunais do Reino Unido iniciando uma batalha por um refinanciamento urgente, necessário para evitar um déficit de caixa.

A ação tem como objetivo assegurar as instalações do grupo em Woking e a coleção de carros de corrida da McLaren, relacionados em um título emitido anteriormente.

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Em essência, o Grupo McLaren deseja que a segurança seja liberada para que alguns de seus principais ativos possam ser usados para angariar cerca de 280 milhões de libras (cerca de R$ 1,8 bilhão), necessários para as próximas semanas, visando garantir seu futuro a longo prazo.

Os argumentos apresentados pela McLaren por uma rápida resolução indicam o quão urgente é a necessidade dessas novas fontes de financiamento.

Nos documentos apresentados ao tribunal, está escrito: "Embora o Grupo tenha liquidez suficiente para cumprir suas obrigações a curto prazo, é necessário liquidez adicional até 17 de julho de 2020" e que "essa liquidez de 280 milhões de libras seria suficiente para manter as operações do grupo até 2021".

O documento ainda afirma: "Esse estado não é culpa do Grupo. Pelo contrário, foi causado pela pandemia da Covid-19, que causou estragos na economia do Reino Unido e ameaçou os meios de subsistência de milhões de pessoas e a viabilidade de muitos negócios".

"As transações propostas permitirão ao Grupo acessar a liquidez adicional necessária para garantir a manutenção de suas operações em 2021. Isso tratá um benefício significativo aos credores do Grupo (impedindo uma crise de fluxo de caixa e insolvência destrutiva de valor)".

As transações propostas pela McLaren para evitar os problemas de fluxo de caixa incluem a venda de algumas propriedades do Grupo, que seriam arrendadas de volta pelos novos proprietários, e vendendo "alguns de" seus carros históricos a terceiros.

Uma proposta alternativa para os carros tradicionais é vendê-los a uma subsidiária recém-criada dentro do Grupo McLaren, que poderia obter um empréstimo garantido por terceiros.

No entanto, até agora a McLaren não conseguiu dar sequência aos seus planos, já que a venda das propriedades e carros não foi liberada.

Em uma tentativa de obter a liberação, a McLaren Holdings entrou com uma ação na Alta Corte de Justiça do Reino Unido em 08 de junho, em uma ação contra o UK Bank Trustees Ltd, descrito em documentos judiciais como um "agente de segurança sob os acordos de financiamento existentes do Grupo (...) como administrador de vários credores financeiros do Grupo".

A alegação da McLaren é que a venda deve ser liberada sob certas circunstâncias, e que a empresa é "responsável por certificar se as circunstâncias prescritas existem".

A McLaren ainda explica que um "grupo ad hoc de credores (incluindo fundos de cobertura e investidores com dívidas) com um grande interesse benéfico em duas séries de notas emitidas pelo Grupo alegou que seria ilegal a liberação".

"De fato, eles recentemente ameaçaram processar o Agente de Segurança responsável pelo caso por quebra de contrato, caso a liberação solicitada pela Companhia fosse concedida. Essa ameaça colocou o Agente de Segurança responsável em uma posição desagradável e prejudicou os esforços urgentes do Grupo para levantar novos recursos".

A McLaren diz que esses detentores de notas rejeitaram as transações propostas e desejam seguir suas próprias visões "e estão buscando criar uma situação em que o Grupo não tenha escolha a não ser aceitar sua proposta alternativa de financiamento (nos termos ditados por eles), independentemente do impacto nos outros credores do Grupo e em suas partes interessadas".

O tempo é crucial, e a McLaren está preocupada que um longo e prolongado estudo pode levar a um tempo significativo para resolver a questão.

"As táticas dos detentores de notas ad hoc parecem, portanto, projetadas para criar uma situação na qual o grupo fica sem tempo, sendo forçado a abandonar as transações propostas", acrescentou.

Em uma audiência remota realizada na sexta-feira passada, o juiz Anthony Mann observou que o momento era "ambicioso", mas concordou que uma rápida resolução era essencial, com um julgamento previsto para ser iniciado em 02 de julho.

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