Grupo cria liga para incluir deficientes auditivos nos esportes eletrônicos

Colaboradores Yahoo Esportes
(Foto: Reprodução)
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Por Filipe Carbone (@filipe_carbone)

Um jogador que tem o primeiro contato com os esportes eletrônicos vai em busca da experiência completa que o jogo pode oferecer. Seja ela visual, com os melhores gráficos, ou com a imersão que o jogo pode te proporcionar por meio de vibrações nos controles ou em trilhas sonoras que te colocam dentro da história.

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No entanto, a paixão por jogos rompe qualquer limitação de idade, cultura ou até mesmo que o corpo pode impor a um jogador. Nessa ideia, os esportes eletrônicos são os jogos que mais necessitam de comunicação entre os jogadores que participam e, por isso, precisam contar com a boa comunicação entre os players.

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Pensando em romper a barreira entre os jogadores “comuns” e àqueles que não possuem essa possibilidade de imersão em função de alguma limitação física, a Liga dos Surdos surgiu com o objetivo de tornar o esport uma prática comum aos jogadores que até então se viam como um grupo que era deixado de lado por parte da comunidade que abusa da toxicidade por trás do teclado.

ULTRAPASSANDO AS DIFICULDADES

André Luiz “NerdSurdo” Santos é um dos pilares da criação da Liga dos Surdos. Partiu dele a iniciativa de profissionalizar um projeto que já existia entre um grupo fechado de jogadores que possuem deficiência auditiva.

Tamanha importância para pessoas que são apaixonadas por jogos, mas que interrompem a caminhada no jogo ao encontrar com as dificuldades, André se tornou uma referência para àqueles que sonham em se tornar um jogador profissional ou que apenas querem curtir o jogo como qualquer outro player consegue fazer.

Apesar disso, ele segue assumindo que não se enxerga nesse papel. Para NerdSurdo, o papel que ele desempenha na comunidade do esporte eletrônico deveria ser mais comum do que é realizado atualmente.

“Essa pergunta é muito comum [sobre ser referência]. Só estamos ocupando um lugar por algo que não é feito atualmente. As pessoas me procuram admiradas sobre o nosso trabalho, mas ele só existe porque ainda existe muito preconceito na sociedade, então fazendo a nossa parte, queremos servir de inspiração para a melhora de todo o cenário”, disse André.

E não são só jogos como Counter-Strike, Fortnite e PUBG que se fazem necessários os fones de ouvido para saber a localização dos oponentes. Até mesmo jogos como Dota 2 e League of Legends, por exemplo, a audição é totalmente exigida em função da comunicação entre os jogadores.

Apesar de inimaginável para alguns jogadores, André explica como ele e parte da comunidade de surdos faz para jogar os jogos como se fosse um player comum. De acordo com ele, apesar de surdos, a audição ainda se faz extremamente necessária para esses jogadores.

“A adaptação é auditiva porque na grande maioria dos jogos os sons fazem parte da experiência do jogo. Porém, acaba compensando na visão e nas atenções maiores. Hoje em dia consigo jogar melhor com fones de frequência mais altas e com certa vibração e volume”, revela.

LIGA DOS SURDOS

Atualmente a Liga dos Surdos atua ativamente em três jogos: Counter-Strike: Global Offensive, League of Legends e Clash Royale. Dando espaço à jogadores com problemas auditivos, uma das regras fundamentais para a participação de competições organizadas por André “NerdSurdo” é a comprovação da deficiência.

De acordo com a própria liga, eles se caracterizam em quatro pontos fundamentais. São eles: “trazer visibilidade à comunidade surda nos esports, unir a comunidade surda e proporcionar um ambiente familiar e inspirar outras comunidades, estimular a competitividade sadia entre os surdos e o cenário competitivo para os surdos e, por fim, proporcionar ao público geral, parceiros e outras instituições o conhecimento sobre adversidades e realidades da comunidade surda”.

Entretanto, antes disso tudo, a criação da Liga dos Surdos partiu do empenho de André em profissionalizar um grupo que já era ativo na comunidade dos esportes eletrônicos por mais que ela fosse pouco vista entre os jogadores.

“Tudo começou quando pensei em fazer lives no ano passado. Mas outros streamers surdos foram me encontrando, até que um deles me apresentou para um grupo de surdos que jogavam partidas juntos”.

A partir daí foi só colocar em prática o que já estava pronto para acontecer. Segundo André, campeonatos já eram organizados, mas ainda faltava uma boa organização e algo que fosse agradável ao público, seja ele surdo ou não, assistir e ouvir as transmissões.

“Se existe Liga dos Campeões, Empoliga e Superliga, por quê não Liga dos Surdos? Inicialmente seria apenas um campeonato de League of Legends, mas a procura dos surdos e outros ouvintes está tão grande que hoje em dia já temos competições de Counter-Strike”.

Apesar de todas as limitações que a comunidade para a qual atua traz, André garante que a Liga dos Surdos está longe de se deixar bater em função das barreiras impostas por parte da sociedade: “Em 2020 teremos algumas novidades”.

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