Greve dos caminhoneiros: o que aconteceu em 2018 e porque nova paralisação apavora o governo

Anita Efraim
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SAO PAULO, BRAZIL - MAY 29: Truckers strike against the high price of diesel on Regis Bittencourt Highway on May 29, 2018 in San Paulo, Brazil. The strike is on it's eighth day and reaches almost every state in the country. Financial losses already exceed 10 billion dollars. (Photo by Victor Moriyama/Getty Images)
Em maio de 2018, greve de caminhoneiros gerou desabastecimento em supermercados e dificuldades de deslocamento em diversas cidades brasileiras (Foto: Victor Moriyama/Getty Images)

A segunda-feira (1º) começou com preocupação para o governo de São Paulo e também para o governo federal. Caminhoneiros deram início a uma greve na rodovia Castello Branco e despertaram na memória dos brasileiros a paralisação de 2018.

Há cerca de três anos, a categoria se mobilizou durante onze dias. Na ocasião, a insatisfação se devia ao preço do diesel, que subiu e influenciou diretamente os gastos dos caminhoneiros. Para pedir uma diminuição do valor do combustível, fizeram uma paralisação durante o mês de maio em todo o país.

Os efeitos da greve foram sentidos pelos brasileiros em diversos setores. O mais grave foi a distribuição de combustível, que não estava acontecendo. Dessa forma, a gasolina se tornou item raro. Postos de abastecimento tinham filas quilométricas todos os dias e, rapidamente, o combustível nas bombas acabava.

Com o aumento da demanda e a pouca oferta, o preço da gasolina subiu em todas as cidades brasileiras. Consequentemente, os efeitos foram se escalonando. O transporte público foi afetado e o regime de home office foi instalado em empresas, por falta de opção para que os funcionários chegassem até os locais de trabalho.

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Ao mesmo tempo, nos supermercados também houve crise no abastecimento de alimentos, em especial os perecíveis. Os produtos encareceram e as prateleiras de diversos estabelecimentos ficaram vazias, sem possibilidade de reposição de itens essenciais.

Na tentativa de impedir a continuidade da greve, o governo Michel Temer (MDB) acionou militares para desbloquear as rodovias pelo país. Também foram instituídas multas para os caminhoneiros que seguissem com a paralisação.

O governo, no entanto, só conseguiu chegar a um acordo com a categoria no 7º dia de greve, após atender diversas reinvindicações dos caminhoneiros. Ainda assim, o fim da greve e a normalização da mobilização só aconteceram em 30 de maio.

A nova greve, que paralisa a rodovia Castello Branco nesta manhã, tem como alvo o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Ainda assim, o governo federal pode ser diretamente atingido, já que a categoria se mobiliza em todo o país. Os grevistas querem negociar diretamente com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e tem uma lista de dez exigências. A pauta de reivindicações traz questões como a necessidade de um marco regulatório do transporte e de uma jornada de trabalho para esse tipo de função.