O gol da família do Ricardinho

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Ricardinho e o pai FOTO ARQUIVO FAMILIAR

Seu Ricardo era o truta do Ricardinho. Amigão do filho que presta continência a cada gol marcado. Como o da virada gremista contra o Inter no Beira-Rio.

Covid levou o pai do centroavante 47 dias antes do gol decisivo no domingo. Covid também levou o avô José Alfredo. Foi há 45 dias. Menos de 48 horas depois da morte do pai, Ricardinho perdeu o pai da mãe.

Em primeiro de abril. Verdade.

Em 14 de maio ele fez o gol do Gre-Nal. E depois da partida deu a volta olímpica de joelhos para prestar homenagem aos dois pais que batalharam tanto. O pai PM do Batalhão de Choque em São Paulo. O avô orgulhoso do filho e do neto que saiu da base do São Paulo para fazer seus golzões pelo Grêmio.

Ricardinho é um dos raros que conseguem chegar. Até onde vai, só Ele sabe. Só sei que mais uma vez, antes de a gente carregar nas tintas como tontos contra os que lutam e não conseguem vencer, vamos pensar em boleiros como Ricardinho. PMs como seu Ricardo. Tantos trabalhadores que só querem o melhor. Dão o que têm.

Quando têm. Quando podem.

E vamos também pensar nos mais de 95% que não chegam como Ricardinho. E que nas várzeas da vida também estiveram celebrando gols do mesmo jeito no domingo que poucos viram. Por heróis que poucos conhecem. Mas que usam a mesma capa arrancada pela mesma cepa.

Ricardinho, força e luz pra você.

Recadinho aos que desdenham vidas e também as mortes: este é um país de marcas e marcos de pais que lutam. Não máquinas. Ainda menos "maricas".

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