“Grave a sociedade brasileira só se dar conta da indignação negra em 2020", diz Erica Malunguinho

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Deputada estadual por São Paulo Erica Malunguinho, do Psol (Foto: Alesp)
Deputada estadual por São Paulo Erica Malunguinho, do Psol (Foto: Alesp)

A deputada estadual Erica Malunguinho (PSOL-SP) viu as manifestações do último domingo, 31, como positivas, mas questiona o atraso das pessoas para perceberam o sistema de opressão criado pelo racismo. “Acho extremamente grave a mídia e a sociedade brasileira só se darem conta da indignação negra em 2020”, aponta a deputada.

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Para ela, o encarceramento em massa, a situação das favelas e a população de rua já seria suficientes para mostrar que o racismo não está isolado em um ambiente ou em uma situação específica. “O racismo organiza as relações sociais, de modo que naturalizaram ver a população negra morrendo ou em situação de extrema precarização”, afirma.

A deputada acredita que a revolta e a indignação diante do racismo devem ser permanentes. Erica Malunguinho afirma que se posicionar contra o racismo e o fascismo é “simplesmente garantir a permanência da vida”.

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“Para quem não tem compromisso com as humanidades, talvez valha a lembrança de que racismo, assim como propaganda nazifascista, são crimes”, relembra. Nas manifestações do último domingo, entre os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, havia pessoas com bandeiras neonazistas, o que teria sido o estopim da confusão entre os grupos antagônicos.

A deputada alerta também para o desgaste da palavra “democracia”. “Da última vez que vi gritarem isso, puseram Bolsonaro no poder. Me parece que ainda não estamos cientes da luta necessária, neste agora e para sempre, que se relaciona com a destruição das violências contra grupos diversos e com o constante empobrecimento da população”, avalia.

Para Erica Malunguinho, democracia não é apenas um regime de governo, mas um princípio das relações humanas. “Criminalizar movimentos sociais é uma prática dos regimes autoritários, fato que se estende para além do presidente. Os movimentos sociais têm uma atuação fundamental, pois buscam resolver as inoperâncias do estado e silenciá-los é agredir a própria democracia. É fato que o tratamento dado aos grupos têm pesos e medidas diferentes.”

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Sobre a ação da Polícia Militar, que usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar, a deputada opina que “o estado brasileiro não está preparado para o grupo dos que acham desvalidos”.

Uma forma de mudar o comportamento da instituição seria, para Erica, um trabalho consistente de educação, cultura, acesso à renda e trabalho. “Qualquer plano que não esteja alicerçado assim é falacioso, ineficiente e só serve para retroalimentar a violência já construída.”

Erica Malunguinho ainda afirma que é essencial que haja um processo de formação antirracista e anti-lgbtfóbico nas escolas de ingresso às carreiras de segurança.

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