‘Grand Slam do MMA’: Cris Cyborg luta por feito histórico no Bellator

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Cris Cyborg vai em busca de mais um cinturão no MMA (Mike Roach/Zuffa LLC/Getty Images)
Cris Cyborg vai em busca de mais um cinturão no MMA (Mike Roach/Zuffa LLC/Getty Images)

Deixar o UFC foi um baque para as pretensões de Cris Cyborg de conseguir uma revanche com Amanda Nunes, mas abriu portas para uma conquista sem precedentes na história do MMA.

Ex-campeã do Strikeforce, Invicta FC e UFC, a curitibana tem a chance de adicionar o título dos penas (66kg) do Bellator ao seu currículo já em sua estreia pela nova companhia, neste sábado (25), diante da campeã Julia Budd. Conquistar títulos nas quatro maiores organizações que abriram espaço para o MMA feminino é comparável ao Grand Slam no tênis.

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No esporte da raquete, vencer os abertos da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e Estados Unidos imortaliza seu nome. Não há algo semelhante nas artes marciais mistas, uma vez que os atletas dos ringues e jaulas são presos a contratos exclusivos com cada franquia. Isso dificulta que esportistas de alto nível consigam diversos cinturões, casos de lendas dominantes como Jon Jones.

Cyborg já ganhava popularidade no MMA quando foi escalada para enfrentar a estrela norte-americana Gina Carano pelo título inaugural do Strikeforce, em 2009. A vitória por nocaute no primeiro round, que levou a rival à aposentadoria, consagrou a estrela da academia Chute Boxe como lutadora mais temida do mundo.

O fim da franquia anos depois — e a relutância de Dana White em abraçar o MMA feminino — fez com que Cyborg migrasse para o Invicta FC, empresa que organizava apenas lutas entre mulheres. O nocaute sobre a veterana Marloes Coenen em sua segunda luta, em 2013, lhe garantiu o segundo cinturão no MMA.

O UFC já tinha portas abertas para mulheres à essa altura, graças ao sucesso estrondoso de Ronda Rousey, mas o problema da vez era a categoria de Cyborg, considerada “esvaziada” pelo cartola. A brasileira finalmente estreou no octógono em 2016, fazendo lutas fora de sua divisão de peso até que finalmente lhe fosse dada a oportunidade de disputar o cinturão dos penas. Em julho de 2017, Cyborg adicionou mais uma peça de ouro à sua coleção com um nocaute sobre Tonya Evinger.

A relação entre White e Cyborg nunca foi das melhores, mesmo com a brasileira no topo do mundo de sua própria empresa. Em um esporte onde carisma e nocautes vendem, Cyborg possuía ambos. Porém, sua relação nunca com a franquia nAo era um mar de rosas, uma vez que White nunca fora simpático à sua imagem — e sua equipe de empresários não soube contornar da melhor maneira os problemas que surgiram ao longo do caminho.

O revés para Amanda Nunes, em dezembro de 2018, foi perfeito para os planos de negócios do UFC. Além de alçar a baiana ao posto de melhor lutadora da história, reduziria o poder de barganha de Cyborg em uma possível renegociação de contrato. O momento de assinar um novo acordo surgiu após Cyborg bater Felicia Spencer, mas era nítido que a história da brasileira no UFC já havia chegado ao fim.

Os detalhes do contrato de Cyborg com o Bellator nunca foram divulgados, mas eles garantem ser um dos mais lucrativos de todos os tempos. Além de dinheiro e oportunidade de conquistar mais um cinturão, a flexibilização para participações em outras franquias, como o Rizin, e até se aventurar no boxe ou telecatch, seduziu a brasileira, que reinicia sua jornada no MMA aos 34 anos de idade.

Budd está longe de ser uma luta fácil. Imbatível há mais de oito anos, Budd enfileirou sete rivais desde que assinou com o Bellator em 2015, e vê em Cyborg a chance de conquistar o triunfo que lhe colocaria no rol das maiores. Os únicos revezes de sua carreira, aliás, vieram contra Amanda Nunes e Ronda Rousey, ícones no UFC.

O tamanho do possível feito de Cyborg se prova imenso quando, até mesmo entre os homens, poucos nomes chegaram perto de algo assim. Lendas como Rodrigo Minotauro, Dan Henderson, Mark Coleman e Frank Shamrock acumularam cinturões, mas ninguém foi capaz de abocanhar os títulos de todas as grandes organizações em suas Eras.

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