Gramados ruins frustram jogadores em Copa América decepcionante

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Messi vai ao chão durante jogo da Argentina contra Bolívia na Arena Pantanal, em Cuiabá

Por Andrew Downie

(Reuters) - O contraste entre uma Eurocopa rejuvenescida e a Copa América disputada em meio à pandemia no Brasil é enorme, mas para os jogadores sul-americanos, pelo menos, talvez a maior discrepância seja o estado muito inferior dos gramados nos estádios brasileiros.

Neymar e Messi estão entre os jogadores e treinadores que lamentaram ter de jogar em campos que o atacante argentino descreveu, com eufemismo, como “não muito úteis”.

“Não vou chamar de horrível, mas muito ruim para se jogar futebol, prejudica todo o espetáculo”, disse o técnico brasileiro Tite sobre o campo do estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, o mesmo que irritou Messi dias antes.

“Quem quer criar não consegue. É inadmissível atletas de duas equipes de alto nível, que jogam na Europa com tamanha qualidade de gramado e espetáculo melhor, maior, virem jogar num campo nessas condições”, acrescentou.

A Copa América realizada no Brasil, onde a pandemia de Covid-19 ainda é muito grave, tem sido ofuscada pela Eurocopa que está ocorrendo em diferentes países europeus em circunstâncias muito diferentes.

A Euro 2020 tem apresentado multidões em êxtase nos estádios, enquanto a Copa América é disputada com portões fechados. Dentro de campo, o torneio sul-americano também teve mais faltas e menos gols por jogo.

Em parte, isso se deve aos péssimos gramados, disse à Reuters o ex-árbitro e comentarista Arnaldo Cezar Coelho.

“A qualidade do campo é ruim, a grama é mais alta, tem mais buracos”, disse. “A bola fica mais viva e por isso tem mais contato corporal e mais faltas.”

Depois que o Brasil jogou contra a Colômbia no Nilton Santos, Tite descreveu a bola como "muito nervosa".

O jogo não flui tão rápido quanto deveria porque os jogadores precisam de dois ou três toques, acrescentou.

“Se a gente quer um grande espetáculo, temos que dar as condições”, acrescentou.

PREPARAÇÃO

Parte do problema é a falta de tempo de preparação.

A Copa América de 2021 foi transferida para o Brasil com menos de duas semanas de antecedência, depois que a Colômbia desistiu de ser a sede por causa de uma onda de protestos sociais e a coanfitriã Argentina se retirou devido a um aumento nos casos de Covid-19.

O presidente Jair Bolsonaro concordou em sediar o torneio apesar da pandemia, que já deixou mais de 514 mil mortos no Brasil.

A decisão de última hora fez com que o Brasil tivesse que encontrar estádios, campos de treinamento, hotéis e voos para as 10 equipes. As sedes escolhidas foram Brasília, Cuiabá, Goiânia e Rio de Janeiro.

Um quinto estádio também no Rio --o Maracanã, local da final da Copa do Mundo de 2014-- será usado para a final no dia 10 de julho e os dirigentes, talvez levando as críticas em consideração, na semana passada restauraram quase 50% da grama.

A Conmebol disse que a grama estava desgastada e uma nova superfície era necessária para a final.

A organização não se pronunciou sobre o estado do campo de Nilton Santos, mas Neymar fez comentários irônicos no Instagram.

O Brasil enfrentará o Chile lá nas quartas de final, na sexta-feira, e Neymar postou a foto de um campo de terra e perguntou se o próximo jogo do Brasil seria disputado lá.

((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))

REUTERS PF AC

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