Grajaú e Cidade Tiradentes tem 3,5 vezes mais mortos por coronavírus que Moema e Jardim Paulista

Yahoo Notícias
Áreas periféricas da cidade são mais atingidas pela Covid-19 (Foto: Andre Lucas/picture alliance via Getty Images)
Áreas periféricas da cidade são mais atingidas pela Covid-19 (Foto: Andre Lucas/picture alliance via Getty Images)

Os bairros do Grajaú e Cidade Tiradentes, na cidade de São Paulo, são os distritos da capital paulista com a menor média de idade de morte. No Grajaú, a média de 59 anos, enquanto na Cidade Tiradentes é de 57. Não por coincidência, os distritos também estão entre aqueles com alto número de vítimas da Covid-19. Somados, os bairros têm 460 pessoas mortes por coronavírus.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

E nos siga no Google News:

Yahoo Notícias | Yahoo Finanças | Yahoo Esportes | Yahoo Vida e Estilo

Os dados são do Mapa da Desigualdade 2019, da Rede Nossa São Paulo.

Moema e Jardim Paulista são os bairros com a maior idade média do morrer, com 81 anos e 80 anos respectivamente, e estão entre os locais com menos mortes por Covid-19. O coronavírus deixou 130 mortos nesses locais, 3,5 vezes menos que no Grajaú e em Cidade Tiradentes.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Jorge Abrahão, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, afirma que o indicador da idade média ao morrer traduz a precariedade de um determinado território. “Por trás desse indicador há uma desigualdade muito grande de renda, de acesso à saúde, à educação, de habitação precária, de estrutura, esgoto, de homicídio jovem. A idade média ao morrer traduz a precariedade de um determinado território”, afirma.

Abrahão ainda aponta que, com a chegada do novo coronavírus, as desigualdades sociais ficaram ainda mais escancaradas. Ele explica que, na Europa, a população mais atingida foi a idosa, enquanto, no Brasil, o endereço é um marcador importante. “O endereço traduz essa desigualdade estruturante que a gente tem. O Covid se aproveita da fragilidade, que em determinados espaços pode ser a idade e, em outros, pode ser esse ambiente em que as pessoas vivem”, explica.

Na última pesquisa “Viver em São Paulo: Especial Pandemia – o que pensam os paulistanos sobre os impactos do coronavírus”, feito pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope Inteligência, 87% dos entrevistados defender que é urgente investir na redução de desigualdades. “É como se a gente tivesse gerado uma consciência abrupta muito rápida do que já existir na nossa sociedade”, aponta.

Leia também

O caminho, na opinião de Jorge Abrahão, é usar a política. É preciso que a sociedade participe e conduza as tomadas de decisão de onde as autoridades vão investir. Para começar a alterar o sistema de desigualdades, explica, é mudar as prioridades do investimento, ou seja, usar mais recursos públicos em áreas que precisam melhorar saúde, educação, habitação e infraestrutura. Para o coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, é uma questão de ter visão de médio e longo prazo.

QUESTÃO RACIAL

O Mapa da Desigualdade mostra que a população negra é ainda mais vulnerável. No Grajaú, que tem a segunda menor idade média de morte, a maior parte dos moradores são negros, 57%. No Jardim Ângela, 60% da população é negra. Somados, os bairros têm 507 mortes por Covid-19.

Em Moema, onde apenas 6% dos moradores são negros, e Alto de Pinheiros, com 8%, são 110 mortes pela doença. Na análise da Rede Nossa São Paulo, com base nesses dados, é possível afirmar que a população negra é mais afetada pela doença.

Siga o Yahoo Notícias no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.

Leia também