Governo de SP estuda parar futebol e contraria Federação Paulista

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma reunião na noite desta terça-feira (9) com integrantes do governo de São Paulo deve selar a suspensão do futebol em todo o estado. A Federação Paulista de Futebol (FPF), no entanto, se posicionou de forma contrária à paralisação. O anúncio deve ser feito na manhã desta quarta-feira (10). Também nesta terça, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Mario Sarrubbo, recomendou ao governador João Doria (PSDB) a suspensão das atividades esportivas, em razão do momento da pandemia. O documento, que será publicado no Diário Oficial do estado, pede que, diante da situação e por motivos de prevenção da saúde pública, ocorra a paralisação "de eventos esportivos de qualquer espécie, inclusive partidas de futebol durante a fase vermelha do Plano São Paulo." Contrariada com a possibilidade de ter sua competição interrompida, a Federação Paulista de Futebol publicou nota que valoriza seus protocolos de prevenção à Covid-19. "Não há qualquer argumento científico que sustente a tese de que o futebol profissional gere aumento no número de casos. Pelo contrário, o futebol possui um protocolo extremamente rigoroso, com acompanhamento médico diário e testagem em massa de seus profissionais. Uma eventual paralisação seria ainda mais prejudicial ao combate à Covid-19, pois deixaria expostos milhares de atletas, que não mais passariam a ter o controle médico diário e de testagem que o futebol oferece", afirmou a federação. Nos bastidores, a FPF diz já estar preparada para uma possível suspensão. Inclusive já informou para alguns clubes que a parada do torneio deve durar até o final de março. Por outro lado, a entidade reclama que não foi incluída no debate. Já os clubes também protestam por não estarem cientes da movimentação do governo. A reportagem tentou ouvir Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo sobre o assunto, mas só conseguiu respostas da direção alviverde. "Não mudamos nosso foco: a saúde permanece sendo a prioridade do Palmeiras e a preocupação ainda aumentou. Acataremos prontamente o que as autoridades públicas recomendarem", disse o presidente Maurício Galiotte. Na semana passada, o presidente santista Andrés Rueda afirmou em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo ser favorável a uma paralisação do futebol. "Com dor no coração, a situação está nos assustando muito, estamos perdendo a sensibilidade, falamos de vidas que não têm sentido de serem perdidas." Sidney Gerson Riquetto, presidente do Santo André, uma das 16 equipes que disputa o Paulista, disse ser contrário a uma parada. "O protocolo que está sendo seguido pelos clubes é uma das atividades mais seguras que nós temos hoje. A presença nos estádios é restrita. Até gandulas e maqueiros são testados. O risco existe, é óbvio, porque não podemos confinar os atletas. Mas eu particularmente sou contra [uma suspensão]. O risco está muito menos presente do que em qualquer ônibus, metrô, trem ou supermercado." A FPF recorreu nesta terça ao deputado estadual Delegado Olim (PP), que também é presidente do Tribunal de Justiça Desportiva, para tentar convencer o governador a não suspender o torneio. "Falei com o Mario Sarrubbo e com o Marco Vinholi [secretário de Desenvolvimento Regional] e ficamos de fazer uma reunião amanhã [quarta] com a federação, mas depois soube que tem uma decisão tomada pelo Doria. Difícil, não dá para entender se houver paralisação, porque o protocolo para o futebol é muito rigoroso", diz Olim. A rádio CBN afirma que nesta quarta Doria anunciará a suspensão. Questionada pela reportagem, a Secretaria de Saúde nem negou nem confirmou a informação. Momentos depois, a gestão Doria publicou nota sobre a recomendação do procurador e disse que "tão logo tenha a decisão consolidada, o Estado vai comunicar de forma clara e transparente." À reportagem, Mario Sarrubbo afirmou que espera que o governo acate sua recomendação. "Hipoteticamente, nós teríamos aí a via judicial. O Ministério Público poderia tentar um provimento judicial junto ao Tribunal de Justiça. Mas ainda não está no nosso radar, nós temos a expectativa do acolhimento por parte do governo, que tem sido muito responsável no combate à pandemia", disse. Também há times de São Paulo na Copa do Brasil, como o Mirassol, que no dia 16 recebe o Red Bull Bragantino, e o Marília, que no dia 18 enfrenta o Criciúma, em casa. Corinthians e Ponte Preta também disputam o torneio nacional, com jogos agendados fora do estado. Essa seria a segunda suspensão do futebol em São Paulo. A primeira foi de 16 de março de 2020 até o final de julho. O estado de São Paulo registrou 517 mortes e 16.058 novos casos de Covid em 24 horas nesta terça-feira. No total são 62.101 vidas perdidas e 2.134.020 pessoas infectadas.