Governo autoriza verba a 'ONGs de prateleira' de Daniel Alves e Sheik

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Daniel Alves é um dos futebolistas que assumiu ONG e solicitou verba ao governo. Foto: Alex Caparros/Getty Images
Daniel Alves é um dos futebolistas que assumiu ONG e solicitou verba ao governo. Foto: Alex Caparros/Getty Images

Reportagem do jornal Folha de São Paulo, assinada pelos jornalistas Constança Rezende e Italo Nogueira, afirma que cerca de R$ 6,2 milhões foram repassados pelo governo Jair Bolsonaro (PL), ao ex-jogador Emerson Sheik e também a Daniel Alves, atualmente jogador do Barcelona e que defende a Seleção Brasileira.

O dinheiro chegou aos nomes ligados ao futebol através de “ONGs de prateleira”, como são conhecidas entidades que driblam exigências legais para firmar convênios com o governo federal.

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Apesar da verba já ter sido reservada no orçamento, o pagamento ainda não foi feito, e a reportagem afirma que as ONGs foram beneficiadas através de emendas parlamentares a pedido de deputados da base do governo.

Os dois atletas assumiram as entidades alguns meses antes de tentarem a parceria com governo, e usaram os feitos da carreira como jogadores para comprovar a capacidade técnica para execução dos projetos.

No caso do ex-ídolo do Corinthians, a entidade assumida por ele foi o Instituto Qualivida. Sheik passou a responder pela ONG, fundada há 26 anos, em dezembro de 2019 e alterou estatuto, membros e nome, passando a ser chamado de Instituto Emerson Sheik.

O primeiro projeto apresentado pela entidade de Sheik foi em julho de 2021, com um convênio para a instalação de três núcleos esportivos em Mangaratiba (RJ) e Queimados (RJ), com investimento de R$ 2,7 milhões.

Já no caso de Daniel Alves, a instituição que fez parceria com o governo foi o Instituto DNA, com contrato de R$ 3,5 milhões visando a instalação de três núcleos de basquete 3x3 em estados do Nordeste.

Até maio de 2021 a entidade se chamava Instituto Liderança e tinha como responsável Leandro Costa de Almeida, ex-treinador de basquete, e estava inativa havia cinco anos, após ter feito projetos sociais bancados por apoios privados.

O que chama atenção é que Daniel Alves já tinha seu próprio instituto fundado em março de 2021, e foi através dele que percebeu que para firmar convênios com o governo federal precisaria de pelo menos três anos de existência.

Questionado pela Folha de São Paulo, o Ministério da Cidadania afirmou, em nota, que “não há ilegalidade na celebração das parcerias”.

“As duas entidades apresentaram atestado de capacidade técnica e possuem histórico de projetos realizado na área do esporte”, seguiu a pasta que não respondeu sobre quais seriam esses projetos realizados.