Governadora de SC se recusa a responder se concorda com ideias neonazistas: 'respeito independente de seus pensamentos'

João de Mari
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Daniela Reinehr (sem partido) assume como nova governadora de Santa Catarina (Foto: Divulgação/Secom)
Daniela Reinehr (sem partido) assume como nova governadora de Santa Catarina (Foto: Divulgação/Secom)

A governadora de Santa Catarina, Daniela Reinehr (sem partido), não respondeu aos jornalistas se concorda com ideias neonazistas e negacionistas sobre o Holocausto judeu durante a Segunda Guerra Mundial. Ao invés disso, em sua primeira coletiva de imprensa como governadora, nesta terça-feira (27), ela afirmou que “respeita as pessoas independentemente dos seu pensamentos”.

“Eu respeito, volto a dizer, respeito as pessoas independentemente dos seu pensamentos, respeito os direitos individuais e as liberdades. Qualquer regime que vá contra o que eu acredito, eu repudio”, disse Reihner, mas sem especificar quais direitos e liberdades que defende e qual regime repudia.

Reinehr assumiu o cargo após o governador Carlos Moisés (PSL-SC) ser afastado temporariamente enquanto seu processo de impeachment é julgado. Se o placar da votação da denúncia se repetir no tribunal especial, Moisés pode ser absolvido e voltar ao cargo.

Durante coletiva, a governadora respondeu que acabava de ser julgada e absolvida “por atos de terceiros”, numa referência ao tribunal especial, e que gostaria de ser julgada apenas pelos seus próprios atos. A denúncia também mirava Reinehr, porém, seu processo foi arquivado.

“Existe uma relação e uma convicção que move a mim, e acredito que a todos os senhores, que se chama família. Me cabe, como filha manter, a relação familiar em harmonia, independente das diferenças de pensamento, das defesas [de ideias]”, acrescentou.

Pai de governadora relativiza nazismo

Isso porque jornalistas tentavam entender se a governadora era contra as ideias de seu pai Altair Reinehr, professor de história, que já escreveu textos em que relativiza o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, Reinehr já havia sido questionada sobre sua opinião a cerca do nazismo, mas ela não respondeu.

Em um texto, o pai da governadora interina afirma ainda que, em Braunau, Hitler, “após uma infância bastante infeliz, teve uma adolescência e juventude marcada por enormes dificuldades, sacrifícios de toda a ordem e notadamente incompreensões”, em uma possível tentativa de relativizar o massacre nazista.

Sem citar o genocídio dos judeus, ele ainda afirma que Hitler “num curto espaço de tempo, acabou com o problema do desemprego de 6 a 7 milhões de pessoas, revitalizou a indústria, moralizou os serviços públicos e transformou a Alemanha num canteiro de obras”.

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O pai de Reinehr também testemunhou favoravelmente a Siegfried Ellwanger Castan, condenado por racismo por publicar livros antissemitas e ainda publicou uma foto em frente à casa onde nasceu Adolf Hitler, em Braunau am Inn, na Áustria.

A imagem ilustrou um texto no qual ele reclama de que “nem é permitido lembrar obras reconhecidamente positivas” de Hitler, citando como exemplo as rodovias construídas pelo regime nazista e os supostos 90% de aprovação popular.

Quando professor, o pai da governadora era um divulgador entusiasmado dos livros da Editora Revisão. Entre eles, está, por exemplo, "Acabou o Gás", de Siegfried Ellwanger Castan, o fundador da editora. A editora foi condenada por contar mentiras sobre a Segunda Guerra.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) e a Associação Israelita Catarinense (AIC) emitiram uma nota conjunta na qual pedem que a governadora interina “rechace as ideias negacionistas de seu pai”.

"A governadora deve, de forma veemente, manifestar sua repulsa ao negacionismo da tragédia que foi o Holocausto. É importante que ela se pronuncie sobre o assunto e demonstre de forma inequívoca sua rejeição às ideias que levaram ao extermínio de 6 milhões de judeus inocentes, além de outras minorias e adversários políticos e provocaram uma guerra que devastou a humanidade", diz o texto assinado por Fernando Lottenberg, presidente da Conib, e Sergio Iokilevitc, presidente da AIC.