Goleiro do Japão superou depressão para ir longe na Copa

Shuichi Gonda, escolhido melhor em campo no jogo entre Japão e Alemanha. Foto: Oliver Hardt - FIFA/FIFA via Getty Images
Shuichi Gonda, escolhido melhor em campo no jogo entre Japão e Alemanha. Foto: Oliver Hardt - FIFA/FIFA via Getty Images

Escolhido pela FIFA como melhor jogador em campo na vitória do Japão sobre Alemanha por 2 a 1, o goleiro Shuichi Gonda, de 33 anos, fez defesas espetaculares e chamou a atenção de espectadores ao redor do mundo que pouco o conheciam.

Apesar de ser convocado para a seleção do país desde 2010, ele se firmou na titularidade apenas em 2019. Desde então foi o goleiro que mais atuou como titular, deixando na reserva o experiente Eiji Kawashima, que havia sido o goleiro da seleção japonesa na péssima campanha na Copa do Mundo da Rússia, em 2018.

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Shuichi Gonda joga pelo Shimizu S-Pulse, da segunda divisão do campeonato japonês, mas apenas de estar jogando futebol ele já se considera vitorioso. Recentemente, em entrevista ao jornal japonês Asahi Shimbun, Gonda contou mais sobre o episódio que quase encerrou sua carreira precocemente.

Depressão quase tirou goleiro do futebol

Em 2015 o atleta passou por um dos momentos mais difíceis de sua vida. Quando ainda atuava pelo FC Tokyo começou a sentir sintomas de exaustão, e acreditou estar sofrendo da síndrome de overtraining.

Essa condição acomete atletas de alto rendimento, em que a enorme carga de treinamentos e pouco tempo de descanso causa sintomas como uma visível diminuição do rendimento, cansaço muscular, fadiga física e mental, entre outros.

Gonda se recuperou fisicamente, mas mentalmente ainda sofria. Foi então que procurou médicos e descobriu que a diminuição do seu rendimento em campo havia ajudado a desencadear um episódio depressivo. O goleiro pensou então em largar o futebol e abrir um restaurante.

Foram seis meses em tratamento antes de receber uma proposta que mudaria sua vida. O craque e ídolo japonês Keisuke Honda entrou em contato com Shuichi Gonda e propôs que o goleiro fosse para a Áustria, onde Honda e sua irmãos haviam investido em um clube de futebol, o FC Horn.

Gonda iria por empréstimo e poderia se recuperar do episódio que havia passado em um ambiente diferente. Caso não se adaptasse estaria livre para retornar para o Japão.

No início de 2016 Gonda embarcou para Horn, e lá recuperou a alegria de entrar em campo e treinar. Em 2018, retornou à seleção e agora tenta ajudar os japoneses a retornarem às oitavas-de-final de uma Copa do Mundo.