Goleiro brasileiro da seleção russa é alvo de canto racista e xenófobo em clássico no país

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Guilherme durante partida do Spartak (Erwin Spek/Soccrates/Getty Images)
Guilherme durante partida do Spartak (Erwin Spek/Soccrates/Getty Images)

O goleiro brasileiro naturalizado russo Guilherme Marinato voltou a ser alvo de ofensas racistas e xenófobas por parte dos torcedores do Spartak.

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O episódio ocorreu na noite de domingo na derrota de sua equipe, o Lokomotiv, por 2 a 1 para o rival no clássico moscovita.

Ao fim do primeiro tempo, os ultras (torcedores mais fanáticos), que estavam atrás de seu gol, entoaram por menos de um minuto uma canção chamando Guilherme de macaco e questionando sua presença na seleção russa.

Ele tem passaporte desde 2016 e após a Copa do Mundo esteve presente nas três convocações da equipe nacional. Foi titular em partidas contra Suécia e Turquia pela Liga das Nações da Uefa.

“Banana, banana mama, por que c… a seleção russa precisa de um macaco”, cantaram os torcedores.

“банана, банана мама, нахуя российской сборной обезьяна”, dizia a canção em russo.

O cântico é feito em cima de uma música popular na Rússia que nada tem de discriminatório em sua letra.

Procurado pelo Yahoo, Guilherme apenas disse que não ouviu os cantos. Ele não falou mais sobre o caso.

Na zona mista, após o jogo o nigeriano Idowu, que também é negro, afirmou que não ouviu nada.

No ano passado, na final da Supercopa da Rússia, Guilherme também teve de ouvir a mesma canção. Na época, acreditava que os gritos se dirigiam ao atacante Ari.

O jogador, que é negro, e apenas neste ano recebeu seu passaporte russo, era atacante do Lokomotiv.

Após o episódio, o Spartak foi multado pela União Russa de Futebol, que conta com um comitê especial para analisar casos de racismo e discriminação nos estádios.

Segundo o Yahoo Esportes apurou, o órgão já teve conhecimento dos atos de domingo e estuda uma punição ao Spartak, que pode ser até o fechamento de um dos setores de seu estádio em uma partida.

Recentemente, por outros motivos, o clube teve de jogar uma partida da Copa da Rússia contra o Anji com parte das tribunas fechada.

Anatoly Meshcheryakov, membro da diretoria do Lokomotiv, afirmou à agência estatal de notícias Tass que as ofensas não foram comentadas no vestiário do time.

“Vamos deixar os responsáveis cuidar disso, de forma rigorosa. É muito raro para mim que tenhamos que falar disso, quando saímos a o campo para jogar futebol. As pessoas que estão envolvidas com isso, devem ir para um outro lugar, não a um estádio”, disse.

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