Golaço absurdo, artilheiro, líder de assistências e jogador mais letal das Eliminatórias: quem para Neymar?

O Brasil parece imparável com Tite. 100% de aproveitamento. Oito jogos, oito vitórias. 22 gols marcados e apenas dois sofridos. Liderança das Eliminatórias com sete pontos de vantagem para o Uruguai, segundo colocado. Melhor ataque (32 tentos) e melhor defesa (10) do qualificatório. Ótimas e convincentes atuações, tanto do ponto de vista técnico e individual quanto coletivo e tático. Excelente futebol e desempenho, e grandes resultados. Evolução em todos os sentidos. No meio de tudo isso, vitórias expressivas sobre Argentina no Mineirão, palco do 7 a 1, e Uruguai, em pleno Centenario.

Nesta quinta-feira (23), na goleada por 4 a 1 sobre a Celeste Olímpica, nova prova de tudo isso. Pela primeira vez sob o comando de Tite, o Brasil saiu atrás no placar, e logo fora de casa, em um clássico contra um ótimo time, o melhor mandante das Eliminatórias, com 100% de aproveitamento em seus domínios, e na atmosfera especial e mítica do Centenario.

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(Foto: DANTE FERNANDEZ/AFP/Getty Images)

Para piorar, até a falha de Marcelo, a Seleção vinha fazendo um bom começo de jogo, controlando a partida, ditando o ritmo e esfriando a torcida uruguaia. Após o tento de Cavani, artilheiro das Eliminatórias, porém, a Celeste se animou e começou a atacar mais, enquanto o Brasil não conseguia mais controlar o duelo. A marcação rival, que até então era atrás da linha da bola, no campo de defesa, fechando os espaços, passou a ser sob pressão na saída de bola tupiniquim, para dificultar a transição e tentar, em um erro brasuca, marcar o segundo gol.

Foi aí, porém, que a tranquilidade e a confiança do time com Tite apareceram. O Brasil tinha dificuldades, mas soube sofrer, não se desesperou, e aproveitou um erro do adversário para empatar o jogo e mudar a história da partida. Carlos Sánchez, o melhor jogador de meio-campo do Uruguai, errou um passe bobo e deu a bola justamente para Neymar. O craque brasileiro arrancou com a pelota, deixou seus marcadores para trás e serviu Paulinho, que acertou um lindo chute para empatar o embate.

Depois de igualar o marcador, o Brasil viu o Uruguai quase marcar duas vezes em bola parada no primeiro tempo e depois chegar com perigo em duas oportunidades na segunda etapa, mas, em praticamente todo o jogo após empatar, teve o controle da partida, ditou o ritmo, criou boas chances e construiu a goleada mostrando muita maturidade, organização, tranquilidade e confiança.

A Seleção teve quase 69% de posse de bola e tomou a iniciativa mesmo jogando contra o Uruguai no Centenario. O número é impressionante, mesmo com a Celeste de Óscar Tabárez tradicionalmente tendo menos posse e trocando menos passes que seus adversários, apostando sempre na força de seu coeso e fortíssimo sistema defensivo e nos contra-ataques velozes e letais.

O Brasil, porém, foi melhor na partida e mereceu a goleada. Dominou o meio-campo, tomou poucos sustos reais, deixou o adversário praticamente o tempo inteiro dentro da sua intermediária defensiva, mostrou maturidade, organização, tranquilidade e confiança, e matou o jogo quando teve as chances para isso.

Obviamente, na vitória do melhor visitante das Eliminatórias sobre o melhor mandante da competição, os grandes nomes foram Paulinho e Tite. Não só pelos três gols e pela grande atuação do volante e o excepcional trabalho do treinador, mas também pelo simbolismo.

Paulinho Uruguai Brasil Eliminatorias 23032017
Paulinho Uruguai Brasil Eliminatorias 2018 23032017

(Fotos: Pedro Martins/MoWa Press e DANTE FERNANDEZ/AFP/Getty Images)

Mesmo com o excelente trabalho, Tite ainda era cobrado pela presença de alguns jogadores como o próprio Paulinho na Seleção. Por mais que o ex-corintiano estivesse jogando bem, muitos ainda criticavam o fato de o técnico chamar atletas de sua confiança, mas que não vivem melhor momento que outros nomes que estão jogando torneios de melhor qualidade técnica e tática, e em centros melhores e maiores.

Paulinho, porém, vem provando que Tite está certo e, antes mesmo do hat-trick no Centenario, já era inquestionável no meio-campo tupiniquim. Fundamental no 4-1-4-1, dando equilíbrio na marcação e sendo importante na saída de bola, ele também é vital chegando ao ataque para ajudar na construção de jogadas e também finalizando como elemento surpresa, como fez várias vezes contra o Uruguai.

No entanto, além de tudo isso, quem também merece vários aplausos é Neymar. Todos sabemos que o jovem craque brasileiro, com apenas 25 anos, já é o quarto maior artilheiro da história da Seleção, ganhou o inédito e sonhado ouro olímpico, e é o camisa 10, o grande craque e a esperança da equipe. O excepcional garoto, porém, vive momento mágico.

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(Foto: Pedro Martins/MoWa Press)

Líder de assistências da Champions League, Neymar vive excelente temporada no Barcelona. Ele tem marcado menos gols que o normal, mas segue extremamente decisivo e protagonista quando seu time precisa, como mostrou ao comandar o Barça no milagre contra o PSG e em outras partidas. Na Seleção, não tem sido diferente.

Como já mencionado, Paulinho e Tite foram os grandes nomes da goleada sobre o Uruguai, mas Neymar também foi fundamental. Além de puxar o contra-ataque do primeiro gol, pegando a defesa uruguaia raramente desprevenida quando se preparava para sair com o time no campo ofensivo, e servir Paulinho, o camisa 10 criou várias chances, deu enorme trabalho ao rival, foi muito perigoso pelo lado esquerdo e ainda deixou a sua marca.

O golaço absurdo de cobertura foi o primeiro de Neymar contra o Uruguai, e seu quinto nas Eliminatórias. Ele é o artilheiro brasileiro na competição, ao lado de Gabriel Jesus, e, com seis assistências, é o líder tupiniquim do quesito e o segundo colocado no qualificatório, atrás apenas do uruguaio Carlos Sánchez. O camisa 10 é, ainda, o jogador que mais participou diretamente de gols na competição: 11, e o brasuca que mais criou chances de tentos (23), sendo o terceiro no geral, atrás de Carlos Sánchez (33) e Cueva (31). Absurdo.

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(Foto: Pedro Martins/MoWa Press)

A brincadeira do momento é que é difícil não se empolgar com a Seleção e o hexa, e, de fato, Tite e seus comandados acabaram rapidamente com a total descrença e o desinteresse com o qual sofria o escrete canarinho. Matematicamente, o Brasil não está na Copa do Mundo, mas já se pode comprar as passagens e reservar o hotel, porque com a pontuação atual brasileira nas Eliminatórias Sul-americanas, nunca uma equipe ficou de fora do Mundial, e é apenas questão de tempo para carimbar a vaga.

Obviamente existem adversários fortes e ainda é cedo, mas o futebol apresentado, tanto do ponto de vista individual, coletivo, técnico e tático, o excelente desempenho, os ótimos resultados, a evolução impressionante, a consistência e os números permitem o sonho do hexa.