Globo Esporte "atropela" Dia Internacional da Mulher por torneios internacionais

Juliana Damasceno

Que todos os programas jornalísticos da TV geralmente fazem aquela homenagem “default” no Dia Internacional da Mulher, o famoso 8 de março, todo mundo já sabe. O roteiro é bastante semelhante, ano a ano – ninguém inova muito.

Mas daí a praticamente ignorar a data, realmente, é novo e bem esquisito. Ok, eram muitos assuntos num curto espaço de tempo, já que o Globo Esporte virou um calendário espremido de competições de futebol entre um jornal local e o “Hoje”. Mas o que se viu nesta quarta-feira foi mesmo estranho.

Na edição de São Paulo, ao menos, foi. Ancorada por Ivan Moré, a única citação à data (frente a tantas mulheres e imagens espetaculares que a Globo deve dispor em seus arquivos) foi referente à camisa feita pelo Cruzeiro para entrar em campo contra o Murici (AL), pela Copa do Brasil.

A camisa tinha números referentes à triste estatística de violência contra a mulher no país, que só cresce. Aliás, uma excelente iniciativa do clube mineiro, mesmo com a visualização prejudicada dos escritos, por conta da movimentação dos jogadores.

Mas ficou só nisso: a matéria que praticamente implorava para que os telespectadores migrassem para o conversor digital – e que teve até Fernando Prass como entrevistado – teve mais destaque. Lembrando que o sinal analógico só deixará de ser transmitido, ao menos no Estado de São Paulo, no dia 29 deste mês.

Ah, e teve ainda o jogo do Barcelona, que precisava virar um resultado impensável (e conseguiu) e até o Santos, que só joga hoje pela Libertadores. Ou seja: tempo, até que tinha.

De fato, não precisamos de rosas. Mas de um mínimo de consideração, em data tão importante. Nós e, principalmente, nossas atletas.