Glenn Greenwald deixa o Intercept e alega censura em artigo sobre Biden

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(Arquivo) O jornalista Glenn Greenwald, co-fundador e editor do Intercept
(Arquivo) O jornalista Glenn Greenwald, co-fundador e editor do Intercept

O jornalista ganhador do Prêmio Pulitzer Glenn Greenwald, 53, anunciou nesta quinta-feira sua saída do The Intercept, após o site americano se recusar a publicar um artigo escrito por ele com críticas ao candidato democrata à presidência americana, Joe Biden.

Greenwald, conhecido por ter sido um dos primeiros jornalistas a reportar os documentos vazados por Edward Snowden sobre a Agência de Segurança Nacional americana (NSA), em 2013, informou que está deixando o site, que fundou no ano seguinte com dois colegas.

"Os editores do 'Intercept', violando meu direito contratual de liberdade editorial, censuraram um artigo que escrevi esta semana, recusando-se a publicá-lo a não ser que eu removesse todos os trechos com críticas ao candidato democrata à presidência, Joe Biden", relatou Greenwald em seu blog.

Segundo Greenwald, o artigo se referia a depoimentos e e-mails revelados recentemente e que envolvem a conduta de Hunter Biden, filho do candidato democrata, acusado de ter monetizado o acesso a seu pai.

Para aqueles que vivem no Brasil, este episódio ilustra "o vírus que infectou quase todos os veículos de comunicação e instituições acadêmicas de centro-esquerda", declarou o jornalista. "As mesmas tendências à repressão, censura e homegeneidade ideológica que atingem a imprensa nacional em geral chegaram ao veículo que fundei, como colofão, com a censura a um de meus artigos", criticou Greenwald.

Os e-mails que envolviam Hunter Biden foram publicados em um artigo do "New York Post" cuja divulgação no Twitter foi restringida pela rede social. Os diretores da plataforma alegaram que o artigo violava várias de suas regras. O Facebook também bloqueou os links para o texto.

Os principais veículos de comunicação foram criticados por conservadores por suas reportagens escassas sobre esses e-mails, entregues ao New York Post por Rudy Giuliani, advogado de Trump. Para Greenwald, o jornalismo de hoje está "em crise, paralisado" pelo que vê como domínio de uma corrente de pensamento que enfraquece a liberdade de expressão e o direito de resposta.

A equipe editorial do Intercept afirmou que a edição do artigo tinha a intenção de garantir que o mesmo fosse "justo e preciso", por considerar o texto tentava "reciclar as afirmações questionáveis da equipe de campanha de Trump e transformá-las em jornalismo. Foi Glenn que perdeu suas raízes jornalísticas." 

O Intercept foi criado por Greenwald e pelo grupo First Look Media, do multimilionário franco-americano Pierre Omidyar, fundador do eBay.

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