Ginasta do Pinheiros fala sobre Nory e diz que sofreu homofobia de Ângelo

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Com resultado de Arthur Nory em Tóquio, acusação de racismo de Ângelo Assumpção voltou à tona nas redes sociais (Foto: Luis Robayo/AFP via Getty Images)
Com resultado de Arthur Nory em Tóquio, acusação de racismo de Ângelo Assumpção voltou à tona nas redes sociais (Foto: Luis Robayo/AFP via Getty Images)

A história entre os ginastas Arthur Nory e Ângelo Assumpção voltou à tona nas redes sociais. Fora da final na Olimpíada de Tóquio, Nory desabafou sobre o que vinha lhe prejudicando e reviu a acusação do ato racista contra o ex-colega do Esporte Clube Pinheiros. 

A história começou em 2015, quando houve o episódio racista, mas reverberou ainda mais na noite deste sábado (24), quando o também atleta do Pinheiros Gabriel Alves, de 17 anos, usou o Twitter para dar sua visão sobre o assunto. Segundo ele, Ângelo era homofóbico e tratava mal os companheiros de clube, especialmente após não ter sido convocado para a Rio-2016.

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"Em 2014, ainda antes do caso do racismo, Ângelo me apelidou de “Rebeca Blackout” e de “Leona” era assim que ele me chamava, nunca pelo meu verdadeiro nome!", escreveu Gabriel. "Eu realmente ficava mal com os apelidos e falava que não era parecido, que não tinha semelhanças nenhuma, mas ele afirmava que era só questão de tempo pra eu me descobrir! E foi assim o ano de 2014 todinho, sempre “Rebeca” ou “Leona”. 

"Eu acompanhei o Ângelo de 2014 até 2019, o dia que ele foi desligado do clube! Em todos esses anos os apelidos sempre continuaram, eram sempre os mesmos! Ele nunca mudou comigo! Sempre com o mesmo ego! Até hoje não ouvi um pedido de desculpas e ele nunca me procurou pra falar sobre como ele estragou o meu psicológico quando eu era apenas uma criança! Pois o ego dele sempre foi maior!", disse o atleta.

Gabriel acrescentou, ainda, que Ângelo passou a faltar treinos e competições, tratar mal os colegas e treinadores, além de ter se tornado frequentador de baladas. "Após tudo isso ele só foi piorando, não tinha vontade de treinar mais e só ia pro ginásio pra poder causar! Ele gostava de arrumar encrenca com todos! Principalmente com os menores de idade!", revelou.

Pelas redes sociais, Gabriel e Nory têm uma relação próxima. O ginasta olímpico, por exemplo, posta fotos e vídeos com o atleta mais novo. "Se o Nory está nas olimpíadas é mérito dele! O Nory errou e aprendeu com o erro, pediu desculpas muitas vezes e amadureceu muito! Até hoje não chegou um pedido de desculpas do Ângelo no meu wpp! Nem em lugar nenhum!", acrescentou Gabriel.

Em entrevista ao UOL Esporte, Ângelo disse que não assistiu à apresentação de Nory e lamentou ainda não ter tido a oportunidade em clube. Apesar disso, ele continua treinando à espera de uma oportunidade.

"A prova do racismo estrutural: onde estão os empresários, onde estão os clubes, onde está a Federação? Claro que a pandemia atrapalha tudo. Mas só para mim o mundo da ginástica parou? O mundo da ginástica continua para os outros atletas e até para quem teve as atitudes racistas", disse. 

"Por isso não quero falar do que está acontecendo no Japão. Quero seguir a minha vida, como todos os outros atletas brasileiros estão seguindo. É um direito de todos. E é um direito meu. Somente a minha vida esportiva ficou parada. E esta estrutura precisa mudar: é preciso lutar contra o racismo sim", completou. 

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