Gestores do Santos apontam irregularidades no cadastro de sócios

Fábio Lázaro
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Os membros do Comitê de Gestão do Santos, Alexandre Santos e Silva e Mário Badures, concederam entrevista coletiva virtual nesta quarta-feira (11) onde apontaram irregularidades no sistema de sócios do clube.

Entre as falhas apontadas estão: alteração de nome, CPF e/ou número de matrícula de 300 cadastros, sendo 200 realizados antes da entrada da empresa que cuida dos associados santistas desde o início de 2019; duplicidade de cadastros votantes no Assembleia Extraordinária que votaram contrariamente ao impeachment o presidente afastado José Carlos Peres, em setembro de 2018, com drásticas alterações nominais; acréscimo exato de 1000 sócios que votaram na Assembleia de impedimento que "salvou" Peres em relação aos que participaram do pleito eleitoral, em dezembro de 2017, sendo que mais da metade desses cadastros estão aptos para votar na disputa deste ano, prevista para o dia 12 de dezembro; durante agosto de 2018, mês que antecedeu a Assembleia Extraordinária que votou contrariamente ao impeachment do comandante atualmente afastado, 2500 novos cartões e segundas vias foram emitidos.

De acordo com os "CGs", findada as apurações das ingerências relatadas, até mesmo um inquérito policial pode ser feito contra os responsáveis.

- Quando, ao final de todo o levantamento, for constatada a interferência em beneficio a alguém, o assunto virará caso de política. O mais importante é aguardar para apurar - expôs Mário Badures.

Todas as questões levantadas pelos gestores foram informadas na noite desta terça-feira (10), em reunião do Comitê de Transição, que conta com representantes dos oito pré-candidatos à presidência santista e posteriormente entregue a Mesa Diretora do Conselho Deliberativo para que medidas cabíveis sejam tomadas.

Os membros do Comitê Gestor, inclusive, negaram qualquer tipo de interferência da atual administração no processo, e afirmam que o intuito da "gestão de transição" é entregar o Santos com maior lisura administrativa para a próxima administração.

- Recebemos, com indignação inclusive, e que estamos seguindo um caminho de interferência ao pleito que se aproxima. Não entramos nesse processo, não discutimos isso, que cabe totalmente ao Conselho Deliberativo. Esse primeiro material que apuramos foi enviado ao Conselho, que é o órgão que pode dar a devida condução ao pleito que se aproxima - disse Alexandre.

- O jurídico já abriu uma sindicância interna, e tudo o que ocorreu e está sendo verificado. As pessoas estão tratando praticamente da questão executiva, não estamos falando do processo legislativo - acrescentou.

Para esta quinta-feira (12) está prevista uma reunião com a comissão eleitoral, para que seja passado o material levantado pela gestão. A situação é importante porque é previsto para a eleição do dia 12 de dezembro a votação à distância pela primeira vez na história do Santos. Os gestores afirmam que todo o grupo, incluindo o presidente em exercício, Orlando Rollo, são favoráveis ao voto hibrido, mas as questões relativas aos cadastros dos sócios precisarão ser resolvidas em tempo hábil para isso.

- Todos os dados foram encaminhados ao Conselho Deliberativo, que deverá tomas devidas providências. Existe um trabalho sendo feito pela Feng, junto aos nossos funcionários, que é preciso tempo. Não podemos garantir que pode ser feito em dias ou até meses, porque são muitas informações, muitos cruzamentos, inclusive bancários, financeiros, que não temos hoje por erro do sistema e processo, não que seja da Feng. Não temos como garantir nada a respeito disso, que cabe ao Conselho - afirmou Mario Badures.

- Era uma obrigação da gestão levar isso para o Comitê de Transição, e nenhum candidato ou representante se manifestaram contra o voto à distância, muito pelo contrário. Aliás, nessa gestão todos os membros e presidente em exercício, Orlando Galante Rollo, somos completamente favoráveis ao voto à distância - complementou.

Procurado pela reportagem para se manifestar sobre as irregularidades levantadas durante o período em que esteve presente de forma ativa na presidência santista, José Carlos Peres não respondeu.