Como Gerson pode se encaixar no esquema de Jesus no Flamengo

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Gerson em ação pela Fiorentina (Giuseppe Maffia/NurPhoto via Getty Images)
Gerson em ação pela Fiorentina (Giuseppe Maffia/NurPhoto via Getty Images)

Por Ricardo Assis

Com apenas 22 anos, o carioca de Belford Roxo é mais um grande reforço do Flamengo para o segundo semestre de 2019. Identificado por Jorge Jesus e sua comissão como o segundo volante que faltava ao elenco, Gérson tem uma trajetória longa no futebol, apesar da pouca idade. Com apenas 18 anos, o então ponta-direita estreou pelo Fluminense e encantou muitos clubes europeus por conta de sua qualidade no passe e bom chute de fora da área. Após um bom início, foi vendido para a Roma por 16 milhões de euros (cerca de R$ 60 milhões à época), mas permaneceu nas Laranjeiras até o meio do ano de 2016. Ajudou a equipe a alcançar as semifinais da Copa do Brasil de 2015 contra o Palmeiras, onde acabaram eliminados nos pênaltis.

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Pelo Fluminense, Gérson atuou costumeiramente pelo lado direito do campo. Em 63 jogos (45 como titular) marcou 8 gols e distribuiu 7 assistências. Impressionou também por conta do alto índice de passes certos, mais de 90%. Sua capacidade em distribuir o jogo de trás, no entanto, não era tão precisa, acertando apenas 47.5% dos lançamentos*. Na maior parte do tempo, atuou como extremo pela direita ou meia atacante central, alternando nas duas posições com Gustavo Scarpa. Não costumava participar muito da construção defensiva, tendo um baixo índice de passes no primeiro terço de campo.

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No futebol italiano demorou um pouco para se adaptar, atuando em apenas 11 partidas (5 como titular), sem marcar gols em sua primeira temporada. Melhor adaptado à intensidade do jogo na Europa, o meia teve mais espaço. Costumeiramente, alternou pela meia direita e meia central, somando 2 gols e 1 assistência em 31 jogos (10 como titular). Apesar de uma pequena queda no seu índice de passes (de 90% para 88%), Gérson manteve um bom índice de passes decisivos, com 0.5 por jogo, ainda mais tendo em conta que teve uma média de apenas 38 minutos em campo por partida.

Em sua segunda temporada pela Roma, Gérson ainda atuou pela faixa direita, embora mais recuado (Fonte: Sofascore)
Em sua segunda temporada pela Roma, Gérson ainda atuou pela faixa direita, embora mais recuado (Fonte: Sofascore)

A maior transição em sua carreira ocorreu durante seu empréstimo à Fiorentina, na última temporada europeia. Atuou, na grande maioria dos jogos, na faixa central do meio de campo, normalmente ao lado de Veretout e Marco Benassi. Em 40 aparições na temporada (29 como titular), marcou três gols e assistiu os companheiros em quatro oportunidades. Mais recuado e participativo, viu seu índice de passes no campo defensivo por jogo saltar de 5.6 para 9.5. O número de lançamentos longos também teve um grande aumento, saindo de 0.5 para 1.6 por jogo (52% de acerto). Com mais tempo em campo, também viu o seu índice de passes decisivos por jogo dobrar, saindo de 0.5 para 1.0. No entanto, o meia teve dificuldades na fase defensiva. Em 36 partidas teve uma média de apenas 0.4 interceptações por jogo, 0,8 desarmes (64,3% de acerto) e somou 8 cartões amarelos. Willian Arão, com quem briga por posição, tem números bem superiores quando se trata da fase defensiva: em 8 jogos como titular no brasileirão de 2019 ele soma 2 interceptações por jogo, 1.4 desarmes e apenas 1 cartão amarelo.

Gérson, no entanto, não chega ao Flamengo por conta de sua capacidade defensiva. O jogador é símbolo de uma mudança de mentalidade do clube, agora comandado pelo português Jorge Jesus. O luso enxerga Gérson como um volante criativo, capaz de auxiliar a equipe em momentos de pressão em sua linha defensiva. Com bom índice de acerto de passes e lançamentos, o jogador tem uma visão de jogo diferenciada, capaz de furar a linha de pressão adversária. Uma questão a ser melhorada, junto à presença na fase defensiva, é sua participação com bola. Pela Fiorentina, o meia somou apenas 25.6 passes por jogo (83% de acerto), contra 45.4 passes por jogo (88% de acerto) de Willian Arão.

O meia pode ser a peça que falta ao Flamengo, que busca um jogo mais propositivo e paciente, tendo mais “amor” à posse de bola. Isso já pôde ser visto na partida contra o Goiás pelo campeonato brasileiro, com o Flamengo tendo 73% de posse. Na última atuação antes da pausa para a Copa América, por exemplo, o Flamengo teve apenas 37% de posse de bola contra o Fluminense de Fernando Diniz. Gérson é um jogador de maior cadência e capacidade de ditar o jogo do que Arão, conhecido por suas infiltrações e jogo vertical. De acordo com a mentalidade de Jesus, Gérson pode cair como uma luva no meio de campo rubro negro.

Mais centralizado, Gérson passou a auxiliar o time na construção defensiva e nas roubadas de bola (Fonte: Sofascore)
Mais centralizado, Gérson passou a auxiliar o time na construção defensiva e nas roubadas de bola (Fonte: Sofascore)
  • Fonte dos dados: Footstats.

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