Geninho vê São Paulo com 80% de chances de eliminar seu ABC

Técnico já foi campeão estadual e garantiu acesso ao ABC na Série C (Frankie Marcone/Divulgação)

 

Zebra. É assim que Geninho enxerga seu ABC no confronto com o São Paulo pela 3ª fase da Copa do Brasil. “Eu diria que o São Paulo tem 80% de chance e nós temos 20%”, avalia o treinador, de 68 anos, e currículo extremamente grande – somente em São Paulo, ele já passou por Corinthians, Santos, Portuguesa, São Caetano, Ponte Preta… Em entrevista exclusiva ao Blog, Geninho explica por que vê o rival tão favorito, enche a bola de Rogério Ceni, fala das dificuldades à frente de um time nordestino, questiona a nova safra de técnicos no país…

BLOG: Qual a chance de o ABC eliminar o São Paulo na Copa do Brasil?
GENINHO: É muito difícil. O São Paulo tem muito mais chance. “Eu diria que o São Paulo tem 80% de chance e nós temos 20%. Precisaríamos chegar vivos para o jogo de volta, onde somos muito fortes. Desde que estou no ABC, há um ano e um mês, só perdemos uma vez no Frasqueirão.

Qual resultado manteria vocês vivos para a partida em Natal?
Um empate com gols ou uma derrota por um gol de diferença. Em geral, no mata-mata, as zebras acontecessem quando o time grande não encara o jogo como deve. O São Paulo está encarando como decisão, tanto que poupou todo mundo no fim de semana.

É verdade que a folha salarial do seu time não passa de R$ 400 mil?
Está nessa casa. A diretoria tirou um pouco o pé durante o regional e deve contratar uns quatro ou cinco reforços para a Série B do Brasileiro. Só para você ter uma ideia, o salário do Pratto dá a minha folha salarial inteira e ainda sobra um pouco (Pratto ganha R$ 500 mil no São Paulo).

Existe prêmio pela classificação em cima do Tricolor?
A diretoria prometeu 20% da cota para dividir entre o elenco e a comissão técnica (a CBF paga R$ 680 mil aos classificados, ou seja, ficariam R$ 136 mil para o grupo do ABC). É um ótimo dinheiro para o meu elenco, que tem jogadores ganhando R$ 3 mil, R$ 4 mil… o teto salarial é de R$ 20 mil.

Teve propostas para deixar o ABC nos últimos meses?
Algumas, principalmente no fim do ano passado. Foram times da Série B e uma sondagem do Coritiba, na Série A. Mas decidi continuar porque entendi que o projeto poderia ser atrapalhado. E deu certo, porque subimos da Série C para a Série B.

Você está chegando aos 69 anos. Não pensa em se aposentar?
Tenho visto um monte de cara fazer tanta bobagem que ainda acho que tem lugar para mim. E os resultados também ajudam. Nos últimos quatro anos, por exemplo, consegui três acessos: Sport e Avaí para a Série A e o ABC para a Série B.

Que tipo de bobagem tem assistido de seus colegas de profissão?
Tem muito técnico bom na nova geração, como Eduardo Baptista, Roger Machado… os caras estudam, procuram caminhos… O que me incomoda é a turma que só quer copiar o que se pratica lá fora. Tem coisa boa na Europa, mas não é tudo.

O Rogério Ceni está na turma dos elogiáveis ou dos que te decepcionam?
A cabeça do Rogério vai fazer muito bem ao futebol brasileiro, porque o time dele é muito mais voltado ao ataque, uma coisa bem brasileira. Temos que marcar como os europeus, mas atacar como brasileiros. Ninguém mais dribla no Brasil.

Voltando a falar do seu time: tem alguém com potencial para jogar em time grande?
Tem um garoto de 16 anos que é muito bom jogador. É o Jonathan. Mesmo com só 16 anos, vai para o banco no Morumbi e, se der, vou colocá-lo no segundo tempo. Sabe aquele jogador que marca e joga? Volante moderno!

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