Game 3D de bocha ‘energiza’ atletas paralímpicos

Fernando Del Carlo
·5 minuto de leitura
Igor Barcellos (Instagram/@igor.sbarcellos)
Igor Barcellos (Instagram/@igor.sbarcellos)

A inspiradora história de Igor de Souza Barcellos, de 32 anos, ultrapassa a vocação na profissão de advogado. O niteroiense transformou-se em competidor da bocha paralímpica. É ainda praticante de power soccer (ou powerchair), futebol de quadra projetado para usuários de cadeiras de roda motorizada (com deficiência física).

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No entanto, incansável, Barcellos ainda faz sucesso como gamer. Por força do momento da quarentena, aguardando treinos e competições oficiais, passou a se conectar com um jogo virtual de bocha. E se deu bem, pois já é bicampeão do Boccia Battle (batalha de bocha) - game virtual praticado em ambiente 3D por aplicativo específico para modalidade. O feito se deu em duas edições de torneio promovido pelo Rio de Janeiro Power Soccer. Em agosto reuniu 25 atletas de clubes do Rio de Janeiro e São Paulo. O evento permitiu conectar e motivar pessoas que estavam há quase meio ano em casa. Em novembro, haverá mais uma competição online.

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Barcellos pode triunfar em mais de uma conquista na competição idealizada por Melissa Macedo, técnica da classe BC3 do Rio de Janeiro Power Soccer. Clube cujo qual já disputa outro esporte. Na segunda edição do evento, que reuniu atletas da cidade maravilhosa e São Paulo, contou até com a novidade de pódio online.

Game reproduz regras e leva à estratégia

O aplicativo Boccia Battle é disponível para ser baixado nos sistemas IOS e Android. Pode-se também jogar contra o desktop. Ele reproduz as regras das partidas de bocha tradicional. Nele são disputados quatro sets, pelos quais cada atleta tem a possibilidade de lançar até seis bolas, somando um ponto a cada esfera próxima à chamada bola alvo (branca).

No game, o atleta usa o dedo e comanda a força e arremesso da bola. Porém ao contrário do jogo real, é necessário estratégia para posicionar a bola mais próxima da branca ou mexer com as demais atiradas pelo adversário. A proposta de jogo também serviu para exercitar e observar a tática durante os períodos que Barcellos passava quase solitário. O caráter pedagógico do jogo criou estratégia para novas formas de se disputar.

Yahoo Esportes – Qual foi o primeiro esporte que praticou?

Igor Barcellos - Fiz natação como reabilitação, condicionamento e fisioterapia, mas tive inciativa própria na escolha da bocha paralímpica,

Yahoo Esportes - Você pensa na paraolimpíada do Japão ano que vem?

Igor Barcellos - Sou um dos mais novos da bocha. Há muita gente competente. Treinam dez horas por dia. Por enquanto sonho. Tenho chances, mas extraio o máximo convivendo com os mais experientes.

Yahoo Esportes - Como foi disputar o torneio virtual de bocha?

Igor Barcellos - Enfrentei e ganhei do Lucas Araújo (BC2 e seleção paralimpica) no boccia battle. Quando obtive o bicampeonato. A competição reuniu clubes do Rio de Janeiro e São Paulo. Foi importante ajudar os outros a competir. Além da alternativa na pandemia, colaborei com atletas com problemas de saúde, deficiência respiratória. Foi além do entretenimento, serviu para ter visão de jogo.

Yahoo Esportes - Descreva sua categoria e demais na bocha paralímpica

Igor Barcellos - A bocha é dividida em quatro categorias BC 1 a BC4. (BC1 e BC 2-paralisia cerebral). Sou da BC1 entra na disputa mais comprometido com um ajudante (staff); BC2 sozinho em quadra, BC3 mais comprometida paralisia cerebral além de outras deficiências; joga-se com uma calha, pois não consegue pegar a bola. Foi nesta que o Brasil ganhou na paralímpiada do Rio. Por fim, há a BC4- cujas deficiências são de quem é tetraplégico e possui nanismo. E pegam a bola sozinhos.

Yahoo Esportes – Vamos mudar o assunto e falar de problemas que têm passado o esporte. Você a credita que o atleta deve se manifestar sobre racismo ou política como alguns exemplos no Brasil?

Igor Barcellos – Opinar sobre este ou outro tema desde que possamos acrescentar à sociedade boas influências. E também quando o atleta consiga se posicionar diante da mídia. De forma a se pronunciar contra injustiças como o racismo que é crime. Ou oferecer mensagens de esperança e criticar ações similares. Espalhando amor e união. Ser exemplo influenciando com visibilidade e popularidade dentro de sua participação pelo esporte.

Yahoo Esportes – Como você avalia o futuro do esporte no Brasil?

Igor Barcellos - Infelizmente, o esporte no país não é tão valorizado. Veja exemplos nos Estados Unidos. Lá se começa a praticar no colégio, faculdade. E das modalidades disputadas, surgem os talentos. Casos do basquete, beisebol. Também na China isto acontece. A dedicação na escola impulsiona em programas de esporte. Há exceções como o futebol. Mas a maioria, especialmente os esportes individuais, a pessoa é por si própria. É importante saber que o esporte é transformador da vida. Socializa e tira da vida errada. No Brasil é eterna luta ser esportista, precisa de apoio mesmo tendo talento. O esporte não é tão valorizado, o de alto rendimento prevê gasto. É muito difícil e precisa de apoio financeiro para viagens, verba com material esportivo, alimentação. Sozinho, o custo é por conta pessoal.

Yahoo Esportes – Você pode comparar bocha tradicional e a paralímpica?

Igor Barcellos - Muito conhecida também no sul, a bocha tradicional é jogada em uma cancha sintética, de terra batida ou saibro, a bola é de madeira, tem a bolinha. Neste caso, as canchas têm entre 30 e 50 metros, 4 metros de largura e altura uniforme de 30 centímetros. Na qual disputo, a paralímpica (adaptada), a essência é a mesma aproximar as demais bolas da esfera branca. A quadra é lisa com 12 metros de comprimento e seis de largura. O peso das bolas (feitas de couro sintético e grânulos de plástico). Varia entre 200 e 300 gramas. O jogador tem como objetivo encostar o maior numero de bolas na bola alvo, a branca (jack ou bolim). O jogo consiste de seis bolas azuis e seis vermelhas. São disputadas quatro parciais.

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