Futebol sob bombas: manutenção da Copa América na Colômbia desrespeita sociedade

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A vitória do Atlético-MG diante do América de Cali, por 3 a 1, acabou ficando em segundo plano. Na noite desta quinta-feira (13), a partida precisou ser paralisada cinco vezes devido aos atos populares que estão acontecendo na Colômbia há mais de duas semanas. No estádio Romelio Martinez, em Barranquilla, jogadores, comissão técnica e arbitragem sentiram os efeitos na pele: as nuvens de gás lacrimogênio combinadas aos barulhos estridentes das bombas forçaram a retirada de atletas dos dois times ainda na primeira parcial.

Jogadores sofreram com os efeitos físicos do gás lacrimogênio. | Pool/Getty Images
Jogadores sofreram com os efeitos físicos do gás lacrimogênio. | Pool/Getty Images

Apesar dos minutos de atraso, o jogo teve sequência e encerramento dentro do previsto. Contudo, a integridade das pessoas envolvidas passou longe de ser respeitada. Os efeitos nocivos do gás causaram problemas respiratórios e afetaram os olhos dos jogadores. A tentativa de minimizar impactos físicos com água e pequenas pausas denota despreparo, além da evidente falta de ambiente para uma disputa de futebol - fatores que já eram sinalizados antes mesmo do apito inicial.

Os protestos na Colômbia não são novidades. A população do país segue contestando decisões do governo no enfrentamento a Covid-19. Recentemente, o presidente Iván Duque anunciou uma proposta de reforma tributária que aumentaria os impostos pagos durante o período pandêmico. Até o fechamento deste artigo, 41 pessoas morreram em decorrência das manifestações.

As ruas da Colômbia estão sendo tomadas por uma verdadeira guerra civil, sendo que Cali aparece como epicentro das ações. Tamanha violência nas ruas e luta por justiça não comporta partidas de futebol arbitrariamente isoladas. Os efeitos das bombas, do gás e do embate social sempre irá chegar aos estádios. É impossível blindar jogadores, comissão técnica, árbitros e imprensa. E a prova foi vista não somente na partida entre Galo e Cali, mas também na disputa entre River Plate e Junior Barranquilla, que foi marcada por atletas caídos ao chão.

Efeitos físicos dos protestos foram sentidos em outras partidas. | DANIEL MUNOZ/Getty Images
Efeitos físicos dos protestos foram sentidos em outras partidas. | DANIEL MUNOZ/Getty Images

Restando pouco menos de um mês para início da Copa América 2021, que terá Argentina e Colômbia como sede, a Conmebol segue tapando o sol com a peneira e desrespeitando os próprios manifestantes. Ainda que a situação possa estar mais controlada nas próximas semanas, soa obsceno ignorar as crises internas de um país em prol de um espetáculo. O futebol não pode ser encarado enquanto realidade paralela.

Protestos na Colômbia estão acontecendo há mais de duas semanas. | Ovidio Gonzalez/Getty Images
Protestos na Colômbia estão acontecendo há mais de duas semanas. | Ovidio Gonzalez/Getty Images
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