Fundador do L! analisa os possíveis efeitos da MP e defende a negociação coletiva das transmissões


Nesta segunda, a 'Sports Value' realizou uma live para debater sobre diversos aspectos importantes dos últimos 30 anos do futebol brasileiro. Participaram da conversa o fundador e diretor geral e administrativo da empresa, Amir Somoggi, e o fundador e editor do Lance!, Walter de Mattos Jr.

Durante a conversa, Walter de Mattos Jr. comentou sobre a nova medida provisória (984), divulgada no diário oficial, na última quinta, que determina que a negociação do direito de transmissão das partidas fique com os clubes mandantes.

Para ele, a melhor forma de obter valor para os direitos de transmissão é quando a venda acontece de maneira coletiva, e que não há nenhum exemplo no mundo esportivo de uma venda individual que tenha tido êxito. Além disso, o editor afirmou que o produto pode perder seu valor com a pulverização das transmissões em várias plataformas.

- O todo perde valor por causa dessa pulverização, pela insegurança jurídica que nós vamos viver durante muito tempo se essa MP for aprovada e se os clubes não conseguirem fazer uma associação, que seja pelo menos melhor do que o Clube dos 13. Ele era um mero corretor dos direitos, mas pelo menos, apesar dos vícios que tinha, quando vendiam, todos entregavam e não existia essa confusão para o consumidor, de não poder ver um jogo do campeonato - apontou Walter, e em seguida completou.

- Seria só a partir de 2025 (TV Globo tem contrato até 2024), o que é bom, que vai dar tempo do povo baixar a bola, pensar bem, tentar ver se não dá certo, e quem sabe a coisa em 2025 esteja mais bem arrumada. Vamos pensar no Campeonato Brasileiro, que é a competição que estaria enquadrada e seria mais afetada por essa legislação... O consumidor terá que em 2025 assinar 4 ou 5 plataformas para assistir o campeonato, como será isso? - indagou.

Confira os melhores momentos da Live com Walter de Mattos Jr, fundador e editor do LANCE!


Sobre a nova medida provisória (984)

​- Posso assegurar o seguinte, essa medida trouxe uma insegurança jurídica grande, porque vai ter batalha judicial. Ela é ilusória, porque vamos olhar para o calendário. Você tem quatro grandes competições que um clube grande disputa e no Brasileirão teria 19 datas para vender. No entanto, você vai jogar 19 partidas fora e eventualmente serão os jogos mais críticos e emocionantes da temporada. Você pode comprar as suas, mas pode ter um Flamengo e Fortaleza ou São Paulo e Sport, que seja a partida mais importante da rodada, e o espectador não vai ter esse direito. Terá que comprar todos os pacotes para ter acesso - analisou.

Sobre o modelo de clube-empresa

- O que a gente precisa é criar uma nova estrutura do futebol brasileiro, que reflita o interesse dos clubes. Os dirigentes amadores mostraram que não estão preparados para fazer isso, para compor esses pactos. Qual a segurança jurídica que vai ter um parceiro comercial, sabendo que amanhã um dirigente temperamental pode levantar da mesa e proibir a transmissão de um jogo dele ou ir à justiça. Isso acontece porque esses dirigentes não recebem as mesmas penalizações que uma pessoa que dirige uma empresa de esporte - salientou.

- Os dois projetos que existem, um no Senado e outro na Câmara, são bons. Mas você pode criar proteções no sentido que o clube tenha uma regra de ouro, que não possa mudar as cores, os símbolos, que seriam preservados. Você pode criar outro tipo de salvaguarda como por exemplo: a marca do clube ficaria protegida onde houver uma entidade associativa e a ela seria feito um arrendamento de 100 anos - refletiu.

Os casos de Real Madrid e Barcelona

- O modelo de sociedade empresarial no futebol funciona em todo o mundo. Dos 50 maiores clubes do mundo, apenas 3 não seguem este modelo, entre eles dois destaques: Real Madrid e Barcelona. Eles têm que ser vistos como exceção que confirma a regra, pois o crescimento de ambos tiveram um viés político, e ambos optaram por não se tornarem empresas. No entanto, diferentemente do que acontece aqui, o dirigente desses clubes não pode sair deixando um rombo nos cofres, pois ele será penalizado, é uma outra realidade - comentou.

O papel do governo neste cenário

- Os clubes brasileiros não são clubes cidadãos, eles não pagam seus impostos. Eles pagam milhões por um jogador, enquanto estão sonegando o fisco. O estado brasileiro têm inúmeras carências, porém todos nós somos cobrados e pagamos nossos impostos, mas os clubes de futebol não pagam...E eles não pagam, pois seus dirigentes nunca foram responsabilizados...Por isso eles têm receio de seguir o modelo comercial - destacou.

Os clubes continuam pautados na base associativa, sem fins lucrativos, que hoje é uma mentira. A realidade é que são entidades mercantis e caloteiras. Manter esse modelo não é bom para o torcedor, não é bom para o fisco, só é bom para os dirigentes que estão no poder ou que querem um dia chegar lá. O clube é pior gerido do que seria no modelo empresarial, o futebol brasileiro não recebe os investimentos que poderia receber. A economia do futebol poderia gerar milhões de novos empregos. se a modalidade se desenvolvesse - concluiu.

O Brasil é o país do futebol?

- Achamos que o Brasil é o país do futebol, mas não é. Nós temos muito pouca atividade econômica derivada da modalidade e tudo isso acontece porque o nosso futebol está entregue a amadores. Alguns apaixonados, devotados, outros competentes, incompetentes, mas muitos que só se beneficiam do futebol - afirmou.

Sobre a Copa União 87 organizada pelos clubes

- Em 87, nós demos um passo, que realmente poderia ter sido transformador. A Copa União foi uma revolução naquele momento, pois a CBF não tinha condições de organizar o Campeonato Brasileiro... e os clubes tiveram o apoio da televisão. Então, aquilo uniu alguns ingredientes que tiveram na Premier League (92). Só que aqui no Brasil, diferentemente de outros países, não houve a mudança no modelo de propriedade dos clubes - explicou.

A implosão dos clubes dos 13


- A implosão do Clube dos 13 é um movimento criminoso que unia Marcelo Campos Pinto, do lado da Globo, que era o grande provedor de dinheiro, com Ricardo Teixeira e os seus sucessores, que acabaram presos. Esse conluio foi o que colocou o futebol brasileiro durante mais de 20 anos no mesmo modelo, em que a CBF explora a seleção brasileira. Os dirigentes de clube são oriundos do modelo associativo, onde são eleitos por conselheiros por meio do voto. Eles são da mesma natureza da política nacional e reproduz sua superestrutura, onde há troca de favores... Com 27 federações, pagam mesadas a elas e elas elegem os presidentes da CBF - apontou.

Atual calendário do futebol brasileiro


- O clube disputa o Campeonato Brasileiro, que é a competição master do ano, e deveria começar no início da temporada, ser a grande abertura. Ele poderia durar de nove a dez meses e todo resto do calendário ser feito em torno dele e preferencialmente só nos finais de semana. São 38 datas, daria perfeitamente para fazer uma pré-temporada e ter o Brasileiro - finalizou.

Sobre a Sports Value


Por fim, vale destacar que a 'Sports Value' é uma empresa especializada em marketing esportivo, branding, patrocínio e avaliação de ativos esportivos. Com isso, ela utiliza uma metodologia própria e premissas extremamente consistentes para compreender o mercado do futebol e contribuir para avanços significativos na melhoria da modalidade.













































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