Espanha aproveita ausência de Messi, goleia Argentina e ganha moral para Copa

EFE

Madri, 27 mar (EFE).- Com uma atuação irretocável e diante de um adversário apático e sem Lionel Messi, a Espanha se consolidou como uma das favoritas à conquista do título da Copa do Mundo deste ano ao golear a Argentina por 6 a 1 nesta terça-feira no estádio Wanda Metropolitano, em Madri.

O primeiro tempo na capital espanhola já foi de certa imposição da seleção anfitriã, que abriu 2 a 0, graças a gols de Diego Costa, que jogou "em casa", no estádio do Atlético de Madrid, e de Isco. A 'Albiceleste' ainda descontou com Otamendi, levando para o intervalo a diferença mínima.

No segundo tempo, contudo, o que se viu foi um massacre de 'La Roja'. Isco balançou a rede outras duas vezes, enquanto Thiago Alcântara e Iago Aspas marcaram uma vez cada, construindo a maior goleada da história do duelo.

Para a seleção sul-americana, o revés foi um duro golpe na preparação para a Copa e ainda uma de suas piores derrotas na história. Em outras duas ocasiões, a bicampeã mundial levou 6 a 1: contra a Tchecoslováquia, no Mundial de 1958, e contra a Bolívia, em 2009, nas Eliminatórias para 2010.

Desfalque na vitória sobre a Itália por 2 a 0 na última sexta-feira, em Manchester United, Messi vinha treinando normalmente. No entanto, nesta segunda, ele teve uma recaída de problemas musculares na coxa esquerda e desfalcou a bicampeã mundial.

Apesar da derrota, a partida foi especial para o volante Mascherano. Titular, o ex-jogador de Corinthians e Barcelona, entre outros, igualou o recorde de Javier Zanetti de mais partidas pela seleção argentina.

Na Espanha, Julen Lopetegui fez duas trocas em relação ao empate com a Alemanha em 1 a 1 em Düsseldorf, também na sexta. David Silva pediu dispensa por problemas pessoais e foi substituído por Asensio, enquanto Diego Costa ganhou a vaga de Rodrigo Moreno no ataque.

Coincidentemente, na linha de frente de 'La Roja' foi trocado um brasileiro por outro. Rodrigo é filho do ex-jogador Adalberto, que defendeu o Flamengo nos anos 80, e nasceu no Rio de Janeiro. Já Diego Costa é sergipano, natural de Lagarto.

Uma das surpresas da equipe visitante, o meia Meza construiu o primeiro bom lance da partida em Madri. Aos sete minutos da partida, o jogador do Independiente desceu pela ponta e cruzou a meia altura. Higuaín se antecipou à marcação na pequena área, mas pegou mal na bola e isolou.

Mas quem abriu o placar foram os donos da casa, em lance confuso e duro. Asensio tocou no vazio dentro da área para Diego Costa, que tocou na saída de Romero e fez 1 a 0. Na jogada, o centroavante atingiu o braço do goleiro e ainda foi atingido no joelho. Ambos sentiram, e, embora aparentemente estivesse recuperado, o arqueiro do Manchester United teve de dar lugar a Caballero instantes depois.

'La Roja' tinha mais a bola, mas a 'Albiceleste' era mais incisiva. Aos 24, Meza fez troca de passes com Lo Celso e estava pronto para arrematar, mas foi atrapalhado por carrinho providencial de Sergio Ramos. Na resposta espanhola, um minuto depois, Isco preparou e Alba bateu para fora.

Em seguida, aos 27, a bola foi recuperada no ataque pela tricampeã europeia, e Isco cruzou por baixo procurando por Diego Costa. O centroavante passou da bola, mas Isco aproveitou e mandou para o gol, marcando 2 a 0.

A bicampeã mundial não jogava mal e teve seu esforço recompensado aos 39, quando diminuiu a diferença. Banega cobrou escanteio pela esquerda, Otamendi subiu mais que os defensores e marcou de cabeça.

Com um começo de segunda etapa fulminante, a Espanha espantou qualquer possibilidade de reação da adversária e transformou o placar em goleada. Aos sete minutos, Iago Aspas, que entrou no lugar de Diego Costa no invervalo, recebeu de Iniesta e poderia ter chutado, mas ficou sem ângulo e passou para Isco fazer mais um.

Nem bem a torcida comemorou o terceiro e a seleção da casa marcou o quarto. Aos nove, Thiago Alcantara iniciou a jogada com um desarme e passou para Isco, que acionou Aspas. O atacante do Celta de Vigo percebeu o deslocamento e devolveu para que o filho de Mazinho arrematasse para o fundo da rede.

A única jogada de maior perigo dos visitantes na etapa final aconteceu aos 21 minutos. Lo Celso cobrou falta para a área e Otamendi, melhor "atacante" argentino no jogo, acertou a trave. Na sobra o próprio defensor encobriu o alvo.

O quinto aconteceu aos 28 minutos, em cochilo da retaguarda 'albiceleste'. De Gea cobrou tiro de meta com força, Caballero saiu mal do gol e Aspas teve apenas o trabalho de desviar com o pé direito para aumentar.

Um minuto depois, veio o sexto. Otamendi vacilou na saída para o ataque e perdeu para Isco, que tabelou com Aspas e finalizou colocado para dar números finais ao triunfo.

A partir de então, a Espanha diminuiu o ritmo, e a Argentina não teve forças para reagir. Houve espaços para os gritos de "olé" da torcida local e até a aplausos a Piqué, que rotineiramente é vaiado por questões políticas.

A equipe dirigida por Sampaoli ainda poderia ter descontado aos 41, quando Lautaro Martínez, promessa que marcou três gols no Cruzeiro pelo Racing pela Taça Libertadores, sofreu falta. Entretanto, a tentativa de Acuña parou na barreira.


Ficha técnica:.

Espanha: De Gea; Carvajal, Piqué (Azpilicueta), Sergio Ramos e Alba (Marcos Alonso); Koke, Thiago Alcantara (Parejo), Iniesta (Saúl), Isco (Vázquez) e Asensio; Diego Costa (Iago Aspas). Técnico: Julen Lopetegui.

Argentina: Romero (Caballero); Bustos (Mercado), Otamendi, Rojo e Tagliafico; Macherano (Pavón) e Biglia; Banega (Pérez), Meza e Lo Celso (Acuña); Higuaín (Martínez). Técnico: Jorge Sampaoli.

Árbitro: Anthony Taylor (Inglaterra), auxiliado pelos compatriotas Gary Beswick e Adam Nunn.

Cartões amarelos: Isco (Espanha); Tagliafico e Meza (Argentina).

Gols: Diego Costa, Isco (3x), Thiago Alcantara e Aspas (Espanha); Otamendi (Argentina).

Estádio: Wanda Metropolitano, em Madri. EFE


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