Com 10% de Éverton Cebolinha, Fortaleza torce por venda: "Espero que seja agora", diz presidente

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Mandatário do Tricolor desde novembro de 2017, Marcelo Paz prega equilíbrio diante de bons ou maus resultados (Foto: Divulgação/Fortaleza EC)
Mandatário do Tricolor desde novembro de 2017, Marcelo Paz prega equilíbrio diante de bons ou maus resultados (Foto: Divulgação/Fortaleza EC)

Por Afonso Ribeiro

Da janela da sala da presidência é possível ver o canteiro de obras que o Alcides Santos - antes estádio e em breve centro de excelência - se tornou desde o ano passado, a pedido do técnico Rogério Ceni. As mudanças, que vão do campo ao hotel, refletem o novo patamar do clube desde a chegada de Marcelo Paz ao cargo, no final de 2017.

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Ex-comentarista de rádio e TV, o administrador de empresas de 36 anos é a cara do clube em reuniões, eventos e, principalmente, entrevistas. Ao receber a reportagem do Yahoo Esportes em seu gabinete no último dia 21 de junho, com notebook à frente, questiona:

"São quantas perguntas?".

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A preocupação do dirigente não é com os temas, mas com o tempo. O Tricolor corre para encontrar os reforços solicitados por Ceni para a sequência do Campeonato Brasileiro – um zagueiro e um atacante, pelo menos. Ao longo de pouco mais de meia hora de entrevista, o mandatário afirmou que não são necessárias muitas contratações além do meia argentino Mariano Vázquez, apesar do clamor da torcida.

Marcelo Paz falou também sobre a liberação de bebidas alcoólicas nos estádios cearenses, admitiu que a posição neutra do clube acerca do tema foi uma decisão da presidência, mostrou-se animado com o andamento das reformas na sede do clube e abordou outras questões como futebol feminino, patrocinadores e engajamento social.

A análise positiva sobre o primeiro semestre - com dois títulos conquistados - e as rodadas iniciais do Brasileirão, além da expectativa de uma receita extra pela venda do atacante cearense Éverton, do Grêmio, formado nas categorias de base do Leão, dão lugar a certo incômodo e outro tom em três assuntos: os boatos sobre a saída do goleiro Marcelo Boeck, a demissão do preparador de goleiros Haroldo Lamounier e, principalmente, arbitragem.

"E eu não vou deixar de reclamar, não vou deixar de falar e de levantar a luz nesse tema", assegura.

Confira a entrevista completa:

Yahoo Esportes: Como estão andando as obras no Pici e qual a previsão?

Marcelo Paz: "Está andando bem a parte do campo, está bem adiantado. Já está tudo plantado, é mais aquele processo de corte, alinhamento, espera crescer de novo, corta de novo... Até ficar no padrão ideal. Acredito que o gramado, em um prazo máximo de 30 dias, já está pronto para uso do elenco profissional. E a gente está iniciando as obras de vestiário, academia nova e sala de imprensa, que devem demorar uns 90 dias para ficar prontas. São os prazos que a gente tem para hoje. Vão ser feitas outras intervenções no espaço do hotel, lá atrás, sala de preleção, departamento médico, refeitório... São outras intervenções, e eu não vou estabelecer prazo ainda porque são investimentos e depende de ter o dinheiro em mão para poder fazer, mas está andando. O Pici está evoluindo, melhorando. A sala de troféus também está andando. São coisas que a gente vai fazendo, às vezes com mais velocidade, (quando) aparece um dinheiro, às vezes mais devagar, para não comprometer o dia a dia do clube, as obrigações com jogadores e funcionários. Mas está avançando. Muito em breve o Fortaleza vai ter uma estrutura toda nova"

O senhor vai trazer de volta o elenco quando estiver tudo ok ou com algumas partes prontas já dá para trazer?

"Com o campo pronto já dá para trazer. Nem que não seja um trazer definitivo, pode ser um trazer no dia que vai concentrar. Os jogadores já têm seus quartos, o hotel é aqui mesmo, então dá para se arrumar no quarto, treinar e voltar para o quarto. Não tem problema. O refeitório funciona normalmente em dia de concentração. A gente pode ir trazendo devagarinho em situações pontuais, até por uma questão de comodidade. Se concentra aqui, já vem, treina e descansa. Ou aquele treino pós-jogo, que é mais leve, já pode ir sendo feito aqui. Vai depender muito da comissão técnica. O importante é ter o espaço à disposição. Para vir em definitivo é quando tiver, pelo menos, já pronto o novo vestiário, a nova academia e a nova sala de imprensa"

Presidente do Leão comemora ritmo das obras na sede do clube e projeta nova estrutura ainda em 2019 (Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC)
Presidente do Leão comemora ritmo das obras na sede do clube e projeta nova estrutura ainda em 2019 (Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC)

Depois da tragédia no Ninho do Urubu, jogou-se uma luz muito grande sobre a estrutura das categorias de base dos clubes brasileiros. Isso aumentou a preocupação do Fortaleza?

"Aumentou. Não vamos ser hipócritas de dizer que não aumentou. É claro que uma situação como essa é alarmante, é trágico e, por mais que tenha sido no Flamengo, atinge todos nós. Tinham dois garotos lá que são cearenses, um tinha passado pelo Fortaleza, e a gente se solidariza com o próprio Flamengo e com as pessoas que estão lá. Por incrível que pareça, aconteceu justamente em um dos clubes mais ricos do Brasil, que tem uma estrutura excelente. Lógico que isso deixou todo mundo em alerta, a gente tomou os nossos cuidados aqui. Hoje, os atletas estão todos alojados no CT de Maracanaú, que é um lugar mais plano, não tem segundo andar, é mais amplo, é mais fácil qualquer rota de fuga em uma necessidade, e fizemos todos os procedimentos lá de Corpo de Bombeiros, licenças necessárias e cuidados internos. A gente está lidando com vidas humanas, sonhos, com o que as famílias têm de mais precioso, que são os filhos, e a gente tem muitos atletas alojados. Então, o cuidado é cada vez maior para, caso ocorra uma fatalidade, que pode ocorrer de um acidente, possa ter as medidas necessárias para não ter um trauma maior como foi no Flamengo"

O Antônio Garcia, que era coordenador técnico da base, foi contratado pelo Fluminense. Já tem algum nome em vista para assumir a função?

"A gente vai repor a saída dele. A gente lamenta a saída dele, estava fazendo um grande trabalho..."

(interrompe) O senhor já esperava a saída dele?

"Não, não esperava. Mas com a nova presidência do Fluminense, as pessoas que assumiram lá, o Celso Barros, mais especificamente, que é o vice-presidente, já conhecia o trabalho do Antônio da passagem anterior e naturalmente o convidou. Isso mostra que o Fortaleza é uma boa vitrine. O próprio Antônio disse para mim o seguinte: 'Presidente, se eu não estivesse empregado no Fortaleza, estivesse em casa, dificilmente viriam atrás de mim. Mas como eu estou empregado em um clube que está fazendo um bom trabalho, eles vieram me procurar'. A proposta realmente era muito boa, para voltar para a casa dele, que é carioca, então não tinha o que fazer. Nós vamos trazer um outro profissional, mas não temos pressa nessa definição. Queremos fazer uma definição bem feita como fizemos com o Antônio, a vinda dele trouxe resultados. Muito em breve a gente vai ter um profissional novo e já adianto que o meu principal foco no novo profissional é trabalhar a área de captação de atletas. É ter realmente um olhar muito espalhado para achar jogadores dentro da nossa cidade, dentro do nosso Estado, depois partir para a região Nordeste e ir mapeando onde tenham projetos de qualidade, profissionais e equipes que possam fornecer jogadores diferenciados para o Fortaleza"

Existe uma demanda do Rogério Ceni de ver quem está se destacando na base para, eventualmente, subir para o profissional?

"O Rogério sempre busca, procura ver os atletas da base para completar treino, fazer amistoso com os jogadores não-relacionados... Ele tem esse olhar e está conhecendo. É algo natural dentro do ciclo de trabalho aproximar jogadores da base e do profissional. Aí, cabe a esses jogadores, quando tiverem a oportunidade, a chance da vida, dar o seu melhor para chamar a atenção"

Este ano, o Fortaleza terá a equipe de futebol feminino. O que isso representa para o clube, qual o investimento e há um projeto mais amplo?

"Representa um avanço. O futebol feminino hoje é um esporte que está se consolidando mais, tem um apelo popular e de mídia maior, até em função da Copa do Mundo. Mas a Copa do Mundo vai acabar, então tem que se continuar o trabalho independente disso. Não tenho o número de cabeça, mas existe um investimento porque são profissionais, atletas, estrutura, bola, e esse investimento vai aumentar quando começar a competição. Mas a gente quer fazer um time competitivo. O Fortaleza não pode entrar mais ou menos em nenhuma modalidade, tem que entrar sempre com um time que brigue para ganhar, a nível de Estado. E a gente espera que isso cresça, que o futebol feminino dentro do Fortaleza possa ganhar mais corpo, possa evoluir para uma categoria de base também e ser um esporte consolidado. Claro que tudo isso depende de recursos, e os recursos dependem da permanência do clube na Série A. A permanência do clube na Série A faz com que todos os projetos paralelos caminhem melhor"

Sobre a venda de bebidas alcoólicas, um dos argumentos a favor da liberação era sobre a quantidade de torcedores que entram no estádio minutos antes do jogo e passariam a entrar mais cedo. Vocês já conseguiram perceber se isso melhorou?

"Melhorou. Já há uma procura que o torcedor entre mais cedo para consumir dentro do estádio, mas isso pode melhorar mais ainda com a fan fest. A gente tem um problema com a polícia, que, hoje, está nos obrigando a encerrar a fan fest uma hora antes de começar o jogo. Então, tem gente que nem entra para a fan fest porque vai acabar e prefere ficar bebendo lá fora ainda. A gente vai alinhar isso para que a fan fest termine meia hora antes do jogo, um tempo mais curto, para que o torcedor tenha dentro do estádio uma experiência maior, por mais tempo, e em um ambiente mais seguro"

Marcelo Paz enaltece resultados da liberação de cerveja nos estádios cearenses, mas admite posição neutra (Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC)
Marcelo Paz enaltece resultados da liberação de cerveja nos estádios cearenses, mas admite posição neutra (Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC)

A decisão de o clube não se posicionar institucionalmente a favor ou contra a venda de bebidas alcoólicas foi do senhor?

"Foi minha. A decisão foi minha. Tanto é que a gente liberou aí alguns membros da diretoria a se posicionarem individualmente, da forma como acharem conveniente, a gente não tem que estar tolhendo a opinião de ninguém. Mas o clube, como instituição, não se posicionou porque entendemos que é uma pauta legislativa. Se é uma pauta que seria votada pelos legisladores, o clube achou por bem não entrar nessa discussão. E nós somos legalistas. Quando não podia, nós não vendíamos. Agora que pode, nós estamos vendendo"

No fim de maio, o clube conseguiu um patrocinador master, o banco Digi+. É um modelo semelhante ao de Cruzeiro e Athletico, em que há a própria conta digital dos clubes?

"Não, não é. O modelo do Digi+ com o Fortaleza é somente institucional. Não tem ainda o cartão do Fortaleza, o banco do Fortaleza como tem no Cruzeiro e no Athletico-PR. Isso foi uma escolha deles como patrocinadores. Viram o Fortaleza com um potencial de mercado bom, é um clube do Nordeste, uma região que eles querem entrar, escolheram o Fortaleza para isso, mas, inicialmente, somente no formato de mídia institucional. Eles não têm, no momento, nenhuma campanha específica de adesão da torcida a um plano específico deles"

O senhor está satisfeito com os valores dos patrocínios? Ou dava para ser melhor?

"Tem dois olhares para isso. Eu acho que vale mais. A exposição que o clube tem deveria ter um retorno maior de patrocínio. Mas o que vale é o que o mercado paga. Então, não adianta a gente sonhar com algo que não vem. A gente tem é que agradecer a esses patrocinadores que estão aí, que apostam no clube, botam sua marca, colocam um valor mensal. Depende de uma conjuntura econômica maior do país. O país melhorar economia, diminuir desemprego, melhorar investimento para que tenham melhores patrocínios"

O período entre a saída da Caixa e chegada do Digi+ pesou para o clube?

"Pesar, pesou, porque a gente não contava com a saída da Caixa. A gente esperava, inclusive, um valor maior do que o anterior, até porque mudou de divisão. Isso causou um pouco de desequilíbrio no nosso orçamento, mas o gestor tem que se adaptar. Não adianta reclamar, chorar, é ir atrás. E conseguimos um patrocinador master. Se tivesse conseguido antes, ótimo, mas que bom que apareceu o Digi+, e a relação está sendo muito boa"

Tricolor passou a estampar a marca do banco Digi+, patrocinador master, no início de junho (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)
Tricolor passou a estampar a marca do banco Digi+, patrocinador master, no início de junho (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

Como está sendo a experiência dos diretores estatutários serem remunerados?

"Está sendo muito válida, a aceitação foi muito melhor do que o que esperávamos. A gente pensou de ter alguma resistência de setores mais conservadores, mas as pessoas entendem que não existe mais esse modelo em que você trabalha para não receber e, sobretudo, em um meio tão profissional como o futebol tem que ser. Eu sempre digo que o futebol movimenta paixões e milhões. Então não pode ser feito de forma amadora, tem que ser feito de forma profissional. E profissionalismo é remunerar quem trabalha, quem se dedica, quem gera resultado. Essa diretoria gerou muito resultado para o clube em 2018, esportivo e financeiro, então nada mais justo que ela possa ser remunerada em 2019. E os resultados continuam sendo gerados em todas as áreas. E muitas pessoas do Brasil inteiro nos procuraram para falar sobre isso e, praticamente unanimidade, elogiando essa iniciativa. É uma tendência que outros clubes também possam seguir"

Existe um controle de carga horária, de representar o clube em eventos ou dando expediente?

"Existem metas a serem cumpridas, que estão traçadas no planejamento estratégico. Não é um controle de horas, é um controle de objetivos alcançados, cada um no seu setor"

Em entrevista ao Bate-Pronto Podcast, o seu xará Marcelo Sant'Ana, ex-presidente do Bahia, falou que chegou a ter uma conversa com o Fortaleza para ter um cargo aqui? Houve essa conversa e qual seria a função dele?

"Houve essa conversa, sim. Seria contratado como uma espécie de CEO, um cara que não estaria só no futebol, mas um gestor geral do clube. É um cara muito qualificado, que teve uma experiência muito exitosa no Bahia, de gestão, revolução, ideias. Eu criei uma amizade com ele. E por pouco ele não esteve aqui com a gente"

Foi este ano?

"Foi esse ano. Chegamos a conversar no início do ano, em janeiro, mas faltou um detalhezinho. A gente permanece em contato, isso fortificou mais o nosso laço de respeito, de troca de ideias. Ele seguiu por um outro caminho agora, mas é um cara que a gente tem como muito qualificado"

É uma preocupação do senhor que o Fortaleza se engaje em questões sociais?

"É uma preocupação, e eu acho que o clube tem que fazer mais ainda. Um clube de futebol tem um alcance social muito grande, entra na casa e no coração das pessoas, das famílias, tem o poder de influenciar positivamente. O quanto a gente puder usar isso para o bem, para levantar questão sociais a serem discutidas, trazer à tona temas que às vezes ficam esquecidos, ajudar as pessoas, da forma que seja, seja com um autógrafo de jogador, uma visita a uma instituição de caridade, uma ligação, um vídeo, que pedem muito... Se puder fazer mais ainda, é até uma obrigação dos clubes. Mas tem que fazer porque quer fazer, porque se sente bem fazendo"

Na Série A, o Fortaleza está bem insatisfeito com a arbitragem. Qual avaliação o senhor faz da arbitragem e do VAR até aqui?

"Eu fui um dos maiores defensores do VAR, porque eu acreditei que com o VAR os erros de arbitragem diminuiriam muito. No modelo antes do VAR, o árbitro pode dizer que não viu, que interpretou diferente, que o ângulo visual não dava, e aquela fração de segundos para decidir... Só que com o VAR você para, olha, alguém chama. Mas, infelizmente, até agora, mesmo assim a gente continua sendo prejudicado. Aquele lance do Botafogo foi absurdo, porque as pessoas que comandam o VAR chamaram o árbitro, todas disseram que foi pênalti, e o árbitro brigou com a imagem e não deu o pênalti. Lá no Rio Grande do Sul, a expulsão do Osvaldo, para mim, discutível, muito discutível. Ele (árbitro) foi muito rigoroso, aí eu questiono se ele teria o mesmo rigor se fosse invertido. E não consigo entender como é que no final do jogo, aquele lance de pênalti para o Fortaleza, o VAR nem chamou. Não tem porquê. Qual é a justificativa de não chamar para aquilo ali? O recurso é muito bom, mas as pessoas parece que ainda estão com as práticas antigas. E eu não vou deixar de reclamar, não vou deixar de falar e de levantar a luz nesse tema. O VAR é para ser imparcial, não é para olhar a camisa, como a arbitragem tem que ser. Brasil x Venezuela, o Brasil jogando em casa, o VAR anulou dois gols do Brasil de forma correta e não tem o que reclamar. O Brasil não pode reclamar porque todos os dois gols tinham impedimento. Eu queria que o Fortaleza tivesse sido tratado igual à Venezuela. Vamos fazer se para as outras 29 rodadas isso muda"

O senhor chegou a falar com a CBF?

"Fizemos o protesto formal para a CBF, protocolamos... É o segundo. Nós protocolamos também contra o Botafogo. Falamos com o presidente Mauro Carmélio, e eu vou programar uma visita à CBF, na Comissão de Arbitragem, para tratar pessoalmente dessa questão"

Após o jogo contra o Cruzeiro, o Ceni chegou a afirmar que não pagaria mais o VAR se fosse dirigente do clube em razão dos lances polêmicos. O senhor pensa dessa forma também ou ainda acredita no VAR?

"Eu volto a dizer: o problema não é o VAR, o problema são as pessoas que operam. Porque o VAR não mente, a imagem está ali. Não tem como fraudar a imagem. Você pode interpretar a imagem de forma errada, intencional ou não. Mas eu defendo que a tecnologia permaneça e eu acredito que ela vai se ajustar. Ainda vai chegar o dia que o VAR vai atuar e vai ser bom para o Fortaleza, de forma correta. O jogo contra o Flamengo: o VAR entrou, validou o o segundo gol do Flamengo, que tinha sido anulado pelo assistente, e fez certo. O assistente errou, lance dificílimo, mas o VAR consertou. Não tem problema, foi o certo. Que seja assim para a gente também"

Dirigente do Fortaleza elogia a campanha nas nove rodadas iniciais do Brasileiro, mas evita empolgação (Foto: Divulgação/Fortaleza EC)
Dirigente do Fortaleza elogia a campanha nas nove rodadas iniciais do Brasileiro, mas evita empolgação (Foto: Divulgação/Fortaleza EC)

Qual o balanço que o senhor faz dessas nove primeiras rodadas do Fortaleza no Brasileirão?

"Nós fizemos um bom papel. Nós sabíamos que seria muito difícil essas nove primeiras rodadas pelo grau de dificuldade da tabela. Dos nove times que nós pegamos, seis montaram elencos para a Libertadores, dos nove jogos, cinco fora de casa, e dentro de uma maratona de jogos. Então, a gente pegou todas as dificuldades no mesmo período. A gente jogava quinta Copa do Nordeste, domingo Brasileiro, quinta Copa do Nordeste, domingo Brasileiro. Assim foi contra São Paulo, Vasco, depois veio a maratona dos quatro jogos fora e, ainda assim, a gente conseguiu uma pontuação que nos deixou fora da zona de rebaixamento, que é o objetivo do clube esse ano. Eu avalio como muito positivo. Nós jogamos, inclusive, para pontuar mais. A gente merecia mais pontos contra o São Paulo, a derrota foi injusta, merecia algum ponto contra o Botafogo... A gente jogou para pontuar mais. Mas os dez pontos já foram satisfatórios"

E o semestre, presidente? Como o senhor vê o primeiro semestre do Fortaleza?

"O semestre foi sensacional. Ganhamos o Campeonato Cearense, ganhamos a Copa do Nordeste, fizemos essa campanha na Série A, que eu considero boa, e na Copa do Brasil, um duelo dificílimo, nós fomos eliminados em um detalhe, no último lance contra o Athletico-PR. Não foi uma eliminação vergonhosa ou sem lutar. Foi um semestre muito bom, histórico, marcante, difícil de ser repetido, e a gente tem que agradecer muito a Deus, a esses jogadores, à torcida. Essa junção de todo mundo fez com que a gente conquistasse esses objetivos"

O senhor está buscando reforços ou está descansando também?

"Estou buscando reforços (risos). Todo dia em contato com o Daniel (de Paula Pessoa, diretor de futebol) e o (executivo de futebol, Sérgio) Papellin trabalhando para que a gente qualifique um pouco mais esse elenco. Não tem muita coisa para fazer. O pessoal fala e parece que tem que trazer dez jogadores. E não é. Tem que trazer dois, três, no máximo, talvez alguns que possam sair, que é natural, por estarem com menos espaço. A gente tem que ter muita responsabilidade com as finanças do clube. Não adianta estar enchendo de jogador aqui porque não joga todo mundo, só jogam 14 por jogo, 11 (titulares) mais três (reservas). Nós vamos ter 11 rodadas seguidas com jogos só aos finais de semana. Então, se você tem jogos só aos finais de semana e tem um elenco com 38, 35 atletas, vai deixar muita gente insatisfeita e sem jogar. É isso que se quer? Não é. Então tem que ser racional. E tudo isso que eu estou falando é 100% de acordo com a comissão técnica. É conversado, combinado, pensado. Tem alguns pequenos ajustes para fazer, mas nada de tão absurdo"

Tem um jogador na seleção brasileira pelo qual o senhor deve estar torcendo muito, que é o Éverton. O senhor espera essa venda para agora ou no final do ano, que geraria uma receita extra para o Fortaleza?

"Eu espero muito que seja agora. E o melhor momento é agora, porque é o início da temporada europeia. A maior concentração de negociações no calendário europeu é nesse período agora. O Éverton está fazendo um trabalho sensacional, ano após ano, está no melhor momento da carreira dele. Hoje, tem um lugar dentro da seleção brasileira e tem um lugar dentro do coração do torcedor brasileiro. O Éverton extrapolou a torcida do Grêmio e a torcida do Fortaleza, hoje o Brasil inteiro pede que ele jogue, que seja titular, que tenha mais minutos em campo. E o Grêmio, como time inteligente que é, acredito que sabe que a hora de vender é agora. Porque quando você perde o timing da venda, perde muito dinheiro depois. E o Éverton já deu muito resultado esportivo ao Grêmio e acho que chegou a hora de dar o resultado financeiro. Consequentemente, vem uma fração para o Fortaleza"

Revelado pela base do Leão, atacante cearense Everton foi destaque do Brasil na Copa América e pode rumar para a Europa (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
Revelado pela base do Leão, atacante cearense Everton foi destaque do Brasil na Copa América e pode rumar para a Europa (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

De 10%?

"10%. O percentual que o Fortaleza tem dos direitos econômicos do Éverton é de 10%"

Teve alguma possibilidade de saída do Marcelo Boeck?

"Não. Em nenhum momento ele me procurou, nem empresário nem ninguém. Zero. Zero, zero, zero, zero. Isso foi boato, interpretações de rede social. 'Ah, porque seguiu, porque deixou de seguir, porque num sei quê', aí já se pensa que o cara quer sair. Qual o motivo que o Boeck teria para sair do Fortaleza? O Boeck tem um contrato com o clube, ganha muito bem, tem a idolatria do torcedor, foi capitão da Copa do Nordeste, campeão, mais uma vez ele levantando a nossa taça. Eu não vejo motivo para ele sair. E não houve nada, nada, nada, nem ele, nem empresário nem ninguém veio conversar comigo sobre insatisfação. 'Ah, porque ele está jogando menos'. Gente, que bom que o Fortaleza tem dois grandes goleiros. O Felipe (Alves) veio, está fazendo o papel dele, muito competente também, discreto, joga, faz o trabalho dele. Um jogou 20 jogos, e o outro 18. Tem time aí que tem dificuldade para ter um (goleiro), e a gente tem dois. A gente não tem que lamentar, não"

O senhor chegou a falar com ele depois dessa história?

"Ele trocou uma mensagem comigo agradecendo o meu posicionamento quando surgiram os boatos, que eu defendi e falei que ele é um grande ídolo do clube, e ele mandou uma mensagem agradecendo. E eu disse que fiz porque ele merece"

Qual foi o motivo da saída do preparador de goleiros Haroldo Lamounier, presidente?

"O Haroldo saiu por uma escolha da comissão técnica, do Rogério, especificamente. A gente acatou, porque é um membro diretamente ligado ao treinador, e o treinador entendeu que era hora de uma mudança. O motivo não envolveu jogador, não envolveu nada disso. Envolveu um desejo do treinador de fazer uma mudança, e ele tem todo o direito de fazer isso. Ele é o comandante da comissão técnica, e a gente entendeu"

Houve um desgaste entre eles?

"Uma decisão do Rogério. Ele é quem está no dia a dia, ele quem toma essas decisões, ele que está lidando diariamente com jogadores, comissão técnica. A gente está ali dando suporte, conversando. Foi uma decisão que a gente entendeu e acatou"

Deve vir outro ou vai permanecer o Guto?

"O Guto (Albuquerque) é um bom profissional, conhece o clube, conhece o trabalho, o Rogério já conhece o trabalho do Guto. Ele tem condições de ser o preparador oficial do Fortaleza, mas também pode ser que venha outro. Não tem nenhum problema de vir outro. Mas o Guto tem condições de assumir essa função"

É muito desgastante sentar na cadeira da presidência do Fortaleza?

"É muito desgastante. Acima de tudo, a gente tem que ter um equilíbrio emocional muito grande, muito grande, tanto nas vitórias, para não se exaltar demais, quanto nas derrotas, para não sair do seu centro e fazer ou falar besteira, tomar decisão errada. A gente teve um semestre maravilhoso e mesmo após o título da Copa do Nordeste, que a torcida tanto queria, a gente ainda foi muito criticado. E eu tenho um pouquinho de mágoa disso, porque algumas pessoas não souberam valorizar o tamanho dessas conquistas, preferiram reclamar, criticar, pedir contratação em vez de exaltar um título seguido. Ganhou no dia 21 de abril o Campeonato Cearense e no dia 29 de maio, a Copa do Nordeste. Mas isso faz parte da provação. Todo mundo que está fora diz: 'Pô, parabéns, o Fortaleza levantando taça, sendo campeão', e você ainda tem que ouvir críticas. E aí é onde entra o equilíbrio que você tem que ter, mesmo sabendo que está fazendo o seu máximo, o seu melhor, ainda vão ter algumas pessoas que não vão entender e vão criticar. Tem uma frase que eu disse há pouco tempo e vou dizer de novo: tem torcedor que gosta mais de contratação do que do time. O time pode estar ganhando, vencendo, mas o que vale é contratação. Eu sou dirigente, sou responsável pelo bom funcionamento do clube e encher o clube de contratação não é a solução, não é o caminho. O caminho é ter profissionais corretos, qualificados e fazer ajustes. Eu peguei um exemplo para mostrar o quanto é difícil o lugar que eu ocupo, porque mesmo na melhor fase ainda tem gente criticando. Por outro lado, também é prazeroso, também é bom ter o reconhecimento das pessoas. Na rua, as pessoas param, batem foto, elogiam, parabenizam, muitas dizem 'obrigado pelo que você está fazendo pelo nosso clube'. Tem um carinho que você recebe que é algo muito bom de se viver, mas também tem as dificuldades"

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