Fluminense tem reunião nesta terça com grupo por reforma das Laranjeiras

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O Estádio das Laranjeiras foi inaugurado em 1919 (Bruno Haddad / Fluminense FC)
O Estádio das Laranjeiras foi inaugurado em 1919 (Bruno Haddad / Fluminense FC)

O presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, terá uma reunião nesta terça-feira com o grupo Laranjeiras XXI, composto por torcedores, sócios e conselheiros, para tratar da reforma, ampliação e modernização do estádio tricolor. No encontro, o dirigente irá apresentar os representantes do clube que acompanharão o desenvolvimento do projeto, que tem como objetivo fazer com que o espaço volte a receber partidas oficiais, sem custo para o Tricolor.

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O Laranjeiras XXI é formado por Caíque Pereira, Gustavo Marins, Nardo Gutlerner, Nestor Bessa, Ricardo Lafayette e Sergio Poggi. Eles apresentaram o projeto ao clube em 2017, na gestão de Pedro Abad, para que tudo ficasse pronto em 2019, no centenário do estádio. Porém, embora já tivessem começado a arrecadar dinheiro para o projeto arquitetônico, resolveram paralisá-lo, em dezembro de 2018, por conta das eleições deste ano, já que não sabiam se o presidente eleito daria sequência a ideia.

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Com o apoio de Mário Bittencourt já acertado, o grupo terminará de pagar o projeto arquitetônico, que está praticamente terminado, a dois escritórios especializados. Ele sendo aprovado, a próxima etapa será o desenvolvimento do projeto executivo, que definirá tudo sobre o estádio, desde a capacidade, até a tipo de armário dos vestiários. A expectativa é que a reforma completa tenha uma duração de até 12 meses.

A última partida oficial realizada pelo time principal do Fluminense nas Laranjeiras aconteceu no Campeonato Carioca de 2003 e, desde então, o espaço recebe duelos das categorias de base, da equipe feminina, treinos dos profissionais e alguns eventos, como transmissões de jogos e shows. O estádio, porém, não pode ser todo aberto aos torcedores, pois está com o segundo andar da arquibancada interditado, pela falta de conservação da estrutura, além de não seguir com todas as normas do Estatuto do Torcendo.

Atualmente, o estádio tem poucos banheiros à disposição para o público e apenas uma saída para a arquibancada e uma para a social.

A reforma custará menos de R$ 100 milhões de reais e o estádio passará a ter capacidade para até 16 mil torcedores. O clube ainda terá o antigo "casarão” da sede social todo modernizado, ganhará dois novos restaurantes, uma mega loja, um novo museu, um edifício de cinco andares para abrigar toda a área administrativa, um auditório para eventos e reuniões do conselho, um novo estacionamento para 100 carros e um novo parquinho para crianças, em outra área do clube. Vale destacar que o estádio se transformará também em uma arena de shows e eventos podendo receber mais de 20 mil pessoas.

Releitura de um antigo estádio inglês

Líder do grupo Laranjeiras XXI, Caíque Pereira garante que a casa tricolor será uma releitura de um antigo estádio inglês, com detalhes modernos, mas simples e funcional. Ele terá como inspiração as Laranjeiras de 1919 e o antigo estádio do Southampton, com apenas um lance de arquibancada, diferente do modelo atual que tem um segundo andar na área popular.

- É uma releitura de um estádio inglês, como as Laranjeiras já é. Ele terá telão e tudo o que tem direito. Em 1919, quando o estádio foi inaugurado para o Sul-Americano, ela tinha a social toda coberta e parte das arquibancadas que ficam atrás de cada gol. Vamos cobrir toda a arquibancada. Vai ser simpático e confortável, um estádio padrão Fifa. Vai atender todas as normas da Fifa.

Como o estádio é tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural do Rio de Janeiro, a modernização e a ampliação precisarão respeitar algumas normas. Ele poderá ser refeito por dentro, como o Maracanã, mas a sua “casca” externa deverá ser respeitada. Não poderá mudar de posição e ficar mais alto. A social também precisará seguir o padrão atual.

Além da social, que já coberta, o resto do estádio ficará protegido do sol e da chuva. Uma arquibancada nova será construída atrás do gol da Rua Pinheiro Machado. As áreas centrais terão cadeiras, já no espaço popular e dos visitantes, ainda não está definido se serão colocados assentos.

O estádio será todo setorizado e cada espaço terá dois banheiros masculinos e dois femininos, além de bares e saídas individuais. A social também terá espaços modernizados para receber o público, na entrada e saída do público, e o salão nobre voltará a ter elevadores.

Serão quatro novos vestiários, salas para o VAR, antidoping e imprensa e um espaço onde ficará o controle das câmeras de segurança. O estádio também terá novos camarotes para o público.

Para aumentar ainda mais a sensação de “caldeirão", a distância do público para o gramado será ainda menor. Nas laterais, os torcedores ficarão a 4 metros do gramado. Atrás dos gols serão 6 metros.

Arrecadação de verba para a reforma do estádio

De acordo com Caíque Pereira, o grupo Laranjeiras XXI arrecadou o dinheiro para o projeto arquitetônico através de doações de torcedores, que preferiram não se identificar. Eles assumiram o risco de investir em algo que pode não sair do papel, por amor ao clube.

- No projeto arquitetônico, chamamos alguns torcedores, que estão doando no risco. Se o projeto não for aprovado e não sair, eles vão perder o dinheiro. Eles estão fazendo por amor.

A partir da aprovação da primeira etapa, começará uma nova arrecadação, agora, para o projeto executivo. Nesta etapa, os torcedores serão chamados para contribuir, mas serão agraciados com algo em forma de agradecimento, como ingressos para algumas partidas. Esta parte está orçada em cerca de R$ 1,5 milhão. A expectativa é que as duas etapas sejam concluídas até o fim do primeiro semestre de 2020 para que as obras comecem na sequência.

Para tocar todas as obras no complexo das Laranjeiras, o grupo trabalha com variadas formas para arrecadar o dinheiro necessário, como leis de incentivo e o naming rights. Uma empresa será formada para arrecadar e tocar a obra para que o dinheiro não se misture com as contas do clube, que sofrem com muitas penhoras.

- Existem alguns tipos de financiamento, como as leis de incentivo e o naming rights. O nosso estádio será muito barato. É fácil conseguir quatro ou cinco patrocinadores para custear todo o nosso projeto, além do naming rights. Além disso, podemos conseguir um gestor de arenas, como é a WTorre com o Palmeiras. Não existe uma arena desse porte na Zona Sul do Rio de Janeiro. Vai poder receber um determinado número de shows por ano. 

Por ser um equipamento que já existe, o Fluminense não se mostra preocupado com a obtenção das licenças para a realização das obras. O fato de estar perto de duas estações de metrô (Flamengo e Largo do Machado) e ter um ponto de ônibus em frente ao estádio fazem com que o aumento da capacidade não tenha influência no trânsito da região, já que os jogos não serão durante a semana, em horários de muito movimento.

Relação com o Maracanã e número de jogos nas Laranjeiras

A reforma nas Laranjeiras não terá nenhum impacto no desejo de administrar o Maracanã, ao lado do Flamengo. Os dois clubes têm um contrato de gestão do principal palco do futebol carioca até o próximo ano e pretendem ampliá-lo, a partir de uma nova licitação a ser realizada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.

O reforma da "casa tricolor" também tem como objetivo tirar algumas partidas de menor apelo do Maracanã. Em um estudo feito pelo grupo Laranjeiras XXI, uma partida com 15 mil pessoas nas Laranjeiras daria o mesmo lucro de um jogo no Estádio Jornalista Mário Filho com 35 mil torcedores.

Desta forma, para minimizar o prejuízo em algumas partidas, as Laranjeiras poderiam receber até 20 partidas por ano. Porém, vale destacar que o estádio estaria pronto, inclusive, para jogos de primeira fase da Libertadores e Copa Sul-Americana.

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