Fluminense: Como reforços para o ataque ajudam a preservar Fred e prepará-lo para momentos decisivos

Marcello Neves
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As chegadas de Raúl Bobadilla e Abel Hernández mudarão o cenário do ataque do Fluminense, que também conta com os jovens John Kennedy e Samuel Granada. Se antes Fred era soberano na posição, agora terá uma maior concorrência na disputa pela titularidade na Libertadores. Mas há dúvidas se isso mudará o status do camisa 9, saindo de protagonista para coadjuvante nesta temporada.

Só Roger Machado pode dar esta certeza, mas definitivamente, apesar da chegada dos reforços, nada indica que Fred perderá espaço. Tanto que foi o escolhido para ser a voz do Fluminense antes da partida diante do River Plate, amanhã, pela Libertadores. No CT Carlos Castilho, ele comemorou a chegada dos reforços, que acredita qualificar o elenco.

— Eu acho que o Fluminense acertou nesses reforços e torço de coração que eles venham e metam muitos gols pra gente. Para que possamos estar todo mundo nessa disputa saudável, um ajudando o outro e quem ganha é o Fluminense. Vai ser assim com Cazares, Manoel, Wellington, que já jogou o último jogo e comandou nosso meio de campo. Mais legal de tudo é que nosso ambiente é saudável independente de quem está jogando ou não — declarou.

Se Fred não perderá espaço, a explicação para tantos reforços está, justamente, na experiência do atacante. Aos 37 anos, ele admite que não tem mais o vigor físico de outros tempos e o desempenho dentro de campo é afetado pela sequência de jogos do calendário brasileiro. Ainda sim, o camisa 9 é a referência da posição, mas viverá situação parecida com a de Roque Santa Cruz, ídolo do Olimpia, do Paraguai.

Roque tem 39 anos, também é ídolo no clube, mas tem convivido com lesões e não consegue ter sequência. Assim, o Olimpia optou por trazer mais nomes para o setor para aliviar o calendário de Santa Cruz e preservá-lo para os jogos considerados importantes. Assim, costuma ser titular em clássicos, finais e jogos de mata-mata.

Fred não deve ter um corte de jogos tão brusco na quantidade de jogos disputados, afinal, seu porte físico é melhor que o do paraguaio, mas a avaliação geral é de que também precisa ser preservado em uma temporada com Campeonato Carioca, Copa do Brasil, Libertadores e Brasileiro. Na coletiva, ele mesmo falou sobre a divisão da titularidade.

— Nós vamos ter, pensando em finais, uns 70, 60 e poucos jogos no ano. Nesses 60 e tantos jogos, vai ter período que o Bobadilla vai estar melhor que eu e ele será titular, ou que o Abel vai tomar o lugar, estar melhor que nós dois e merecendo a titularidade. É impossível não alternar em um calendário que tem Carioca e pode valer título, 11h, depois tem Libertadores. Quinta agora já é o River, depois entra Copa do Brasil, Brasileiro… É impossível manter o nível top durante essas quase 70 partidas.

As contratações também preparam o Fluminense para a passagem de bastão. Fred tem contrato até o dia de aniversário de 120 anos do clube, 21 de julho de 2022. Depois disso, projetou pendurar as chuteiras e virar dirigente. Candidatos não faltam para assumir a camisa 9 quando o maior ídolo da história recente do clube se aposentar.

Ao todo, são 14 opções para o técnico Roger Machado, considerando os 13 atacantes inscritos na Libertadores e Ganso, que passou a jogar de “falso 9”. Além da dupla de reforços, John Kennedy chama a atenção, mas é considerado muito novo e está sendo preservado. Samuel Granada vive a mesma situação,mas recebeu sondagem do Vitória e pode ser emprestado.