Flexibilização das armas, uma das principais bandeiras de Bolsonaro, é rejeitada por 68,2% dos brasileiros

Anita Efraim
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Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during the Launch of the
Presidente Jair Bolsonaro faz sinal de armas com as mãos; recentemente, mandatário assinou decretos para flexibilizar acesso às armas (Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images)

A flexibilização das armas de fogo é uma das principais pautas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Isso não quer dizer, no entanto, que a maior parte da população queira o mesmo. Segundo pesquisa realizada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte), 68,2% dos brasileiros são contra as alterações feitas na legislação que permitem a flexibilização do uso e da compra de armas e munições no país.

No último dia 12, Bolsonaro assinou quatro decretos que facilitam o acesso da população a armamentos e munições. Depois de 60 dias após a assinatura, começam a valer as mudanças. Com isso, aumentou o limite de armas por cidadão, antes de quatro e passaria para seis. Para policiais, agentes prisionais e membros do Ministério Público e de tribunais, o número chega a oito.

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Outra alteração é que é permitido que quem tem direito ao porte de arma não carregue apenas uma, mas duas armas de fogo. A lista de pessoas que podem comprar armas e munições controladas pelo exército aumentou.

Antes, para colecionadores, atiradores e caçadores, os CACs, era necessário comprovar aptidão psicológica para comprar armas. O laudo deveria ser feito por um psicólogo cadastrado na Polícia Federal. Agora, o documento pode ser feito por qualquer profissional com registro no Conselho Regional de Psicologia.

As mudanças facilitam o acesso a armas por parte da população. Ainda assim, segundo o levantamento da CNT, 74,2% dos brasileiros afirmam que não têm posse e não se interessam em passar a ter, enquanto 19,7% não têm, mas se interessam em adquirir; 3,7% afirmam ter posse de armas de fogo já aprovadas e 1,6% tem pedido de posse de armas em análise ou em andamento.

A pesquisa CNT foi realizada em parceria com o Instituto MDA entre os dias 18 e 20 de fevereiro. Foram ouvidas 2.002 pessoas em 137 municípios e 25 estados. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.