Flamengo: o que pode acontecer se a vaga na fase de grupos da Libertadores não vier

Diogo Dantas
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Alexandre Vidal / Flamengo

O Flamengo acostumou o torcedor nos últimos anos às grandes emoções da Libertadores, que o clube só havia vivenciado com frequência na década de 1980, com a geração campeã do mundo. A dez rodadas do fim do Brasileiro, cujo próximo compromisso é nesta segunda-feira, diante do Goiás, às 20h, o planejamento de 2021 está congelado diante da incerteza sobre onde o time conseguirá chegar na competição que lhe resta na temporada.

Após sanear suas finanças e conseguir investir mais pesado no futebol, o Flamengo emendou quatro participações seguidas no torneio sul-americano, e pautou seus objetivos esportivos tendo a Libertadores como principal meta. A conquista veio no ano de 2019, e com ela a ambição cresceu na direção do Mundial de Clubes, no intuito de igualar o feito do time de 1981. A expectativa foi uma, a realidade outra. Veio a pandemia, o Flamengo perdeu Jorge Jesus, logo demitiu seu sucessor, Domènec Torrent, e hoje existe o risco de ficar fora da competição internacional pela primeira vez desde 2017.

O Flamengo no momento é o quinto no Brasileirão, que classifica os quatro primeiros para a fase de grupos, e mais dois times para a "pré-Libertadores" (segunda fase). Outras duas vagas para a pré devem ser abertas dependendo da classificação final no Brasileiro de Palmeiras, Grêmio e Santos, que estão nas decisões da Copa do Brasil e Libertadores.

Em meio às indefinições, uma coisa é certa: o aproveitamento atual do clube com Rogério Ceni, de 44,4%, daria apenas mais 13 pontos ao time até o fim do torneio. Com 62 pontos, um time seria sétimo em 2019 e sexto em 2018.

Não é possível prever com exatidão o que aconteceria com o futebol do clube nesse caso. No caso de uma classificação para a Pré-Libertadores, o já inchado calendário ficaria ainda mais apertado, com um elenco cansado sendo submetido a jogos de mata-mata pela competição continental logo após o fim do Brasileirão.

Nos bastidores, tudo aponta para uma reformulação do elenco e até na diretoria. Em ano de eleição, a política entra em campo e costuma atrapalhar ainda mais esses processos, além de influenciar nas avaliações. A permanência de Rogério Ceni, por exemplo, é muito difícil em um cenário sem vaga na Libertadores. Também dificultaria convencer um possível substituto do primeiro escalão a escolher um time ausente da principal competição continental.

Há pressão, inclusive, por mudanças no comando do vice de futebol Marcos Braz. Mas o Flamengo conseguiria se reerguer rapidamente para voltar como favorito na temporada seguinte?

Na frieza dos números, não disputar a Libertadores após quatro anos seria um dano esportivo e para a imagem do Flamengo, mas financeiramente o impacto não seria tão grande. Segundo fontes do clube, a perda seria entre R$ 30 e R$ 36 milhões, absorvidos no orçamento total. Ao perder a receita paga pela Conmebol, por exemplo, que destinará cerca de R$ 100 milhões ao campeão da Libertadores de 2020, somando todas as fases, o Flamengo automaticamente reduziria as premiações combinadas com os atletas, que normalmente são um percentual próximo de 50% do que a entidade repassa. A diretoria, vale lembrar, ainda deve aos jogadores e funcionários bônus referentes a 2020. Adiou o pagamento para fevereiro, e reduziu os valores pagos por jogos em todas as competições.

Para se ter como parâmetro, a queda na Libertadores e na Copa do Brasil nesta temporada não causaram impacto financeiro tão grande. O maior problema nem está nas premiações, e sim na bilheteria, responsável pela readequação orçamentária durante a pandemia. O Flamengo deixou de arrecadar em 2020 cerca de 70% dos R$ 108 milhões previstos. A projeção para 2021 é de valor semelhante, que seria naturalmente desfalcado em caso de ausência na Libertadores. A meta orçamentária é estar no mínimo na semifinal, assim como nos anos anteriores. No último, essa etapa gerou receita de R$ 18 milhões em bonificações. E as premiações aos atletas estão escalonadas dentro dessa projeção. Levando em conta os valores pagos por quem vai à final, a não classificação causaria prejuízo de até R$36 milhões ao Flamengo.

Em 2021, a diretoria trabalha com uma receita bruta de R$ 953 milhões e a volta dos torcedores com 100% da capacidade do estádio para abril. Aliado ao retorno do público, o sócio-torcedor é algo fundamental dentro do planejamento. Em 2019, no auge do programa, o Flamengo teve 120 mil sócios. Atualmente, a quantia é de 69 mil e ainda tem uma parcela importante para honrar os compromissos. A intenção para 2021 é de que a arrecadação fique por volta de R$ 73 milhões, com um crescimento do número de sócios.