Flamengo conquista o continente quando tudo parecia dar errado

ALEX SABINO
Folhapress
Rio de Janeiro (RJ), 23.11.2019 - Flamengo x River Plate - (e/d) Piris da Motta, Willian Arão, Renê e Gabriel com a taça da Copa Libertadores após derrotar o River Plate (ARG), em Lima, neste sábado . (Foto: Delmiro Junior/Photo Premium/Folhapress)
Rio de Janeiro (RJ), 23.11.2019 - Flamengo x River Plate - (e/d) Piris da Motta, Willian Arão, Renê e Gabriel com a taça da Copa Libertadores após derrotar o River Plate (ARG), em Lima, neste sábado . (Foto: Delmiro Junior/Photo Premium/Folhapress)

LIMA, PERU (FOLHAPRESS) - Os flamenguistas tomaram Lima nos últimos dias. Na manhã deste sábado (24), era impossível ir a qualquer lugar dos bairros mais famosos da cidade e não encontrá-los. Passaram a madrugada cantando "Vamos, Flamengo! Vamos ser campeões, vamos Flamengo!"

O otimismo era palpável e havia razão de ser. Os comandados de Jorge Jesus foram a melhor equipe brasileira de 2019 com folgas, virtual campeã do campeonato nacional, com 73 gols marcados em 34 jogos.

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O time tinha até a maior simpatia do povo peruano. O que poderia dar errado?

Pelo jeito nada. Em um final de cinema, o Flamengo fez dois gols a partir dos 43 minutos do segundo tempo, bateu o River Plate (ARG) por 2 a 1 e ganhou a Libertadores. A virada aconteceu graças a Gabriel, o Gabigol, até então apagado em campo. Com nove gols marcados, ele foi o artilheiro da competição.

Não bastasse os gols e o título, o centroavante colocou o nome na história do Flamengo, que não conquistava o título continental desde 1981.

Presentes na mesma quantidade aos flamenguistas no estádio Monumental, mas em menor número na cidade, os argentinos eram também menos barulhentos. A glória máxima de vencer o maior rival na decisão já havia acontecido, em 2018, quando superou o Boca Juniors (ARG).

O River Plate soube aproveitar cada uma das fraquezas inexploradas pelos adversários do Flamengo no Campeonato Brasileiro. E os que souberam fazê-lo, como o CSA, que chegou três vezes de frente para o goleiro ao aproveitar a linha alta da zaga, não fizeram os gols.

O River fez. Um só, com Santos Borré aos 14 minutos do primeiro tempo. Poderia ter sido o suficiente para ficar com o terceiro título continental em cinco anos. Se as partidas de futebol durassem apenas 87 minutos, teria sido.

O Flamengo durante a maior parte da partida sequer parecia o time de Jorge Jesus que pode ser campeão brasileiro neste domingo (24) sem entrar em campo. Basta que o Palmeiras não vença o Grêmio, em casa.

A não ser por uma jogada no início do segundo tempo, quando Gabigol chutou em cima da zaga e a bola sobrou para Everton Ribeiro finalizar sozinho, a equipe carioca não criou nenhuma chance real de gol até o artilheiro do Brasileiro e da Libertadores aparecer.

Com uma marcação que não deixou o Flamengo sair jogando com tranquilidade, o River poderia ter anotado mais gols e tentou arremates de todas as formas possíveis.

Jorge Jesus apelou às armas ofensivas que tinha no banco, de onde poderia sair o herói. Diego entrou para dar criatividade ao meio-campo. Vitinho poderia ser mais incisivo no ataque.

O Flamengo precisava de uma brecha, um momento para mudar o destino da final. Este veio quando Bruno Henrique enfim conseguiu fazer uma boa jogada, aos 43 minutos. O cruzamento de Arrascaeta achou Gabigol livre e com o gol aberto para empatar. Mudou tanto que o próprio atacante, três minutos depois, fez do rubro-negro carioca campeão da Libertadores depois de 38 anos.

A maioria dos torcedores brasileiros no estádio sequer percebeu que ele foi expulso segundos antes do apito final. E não fez nenhuma diferença.

O Flamengo garantiu vaga no Mundial de Clubes em dezembro. Poderá enfrentar de novo o Liverpool (ING), equipe que bateu na decisão de 1981. E provavelmente estará também na versão expandida do torneio, que será disputada a partir de 2021.


FLAMENGO

Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Willian Arão (Vitinho), Gerson (Diego), De Arrascaeta (Piris da Motta) e Everton Ribeiro; Bruno Henrique e Gabigol.

Técnico: Jorge Jesus


RIVER PLATE

Armani, Montiel, Quarta, Pinola e Casco (Paulo Díaz); Enzo Pérez, Nacho Fernández (Julián Álvarez), Palacios e De la Cruz; Borré (Lucas Pratto) e Matías Suárez.

Técnico: Marcelo Gallardo


FICHA TÉCNICA

FLAMENGO 2 X 1 RIVER PLATE

Árbitro: Roberto Tobar (CHI)

Assistentes: Christian Schiemann (CHI) e Claudio Rios (CHI)

VAR: Esteban Ostojich (URU)

Cartões amarelos: Pablo Marí e Rafinha (Flamengo); Casco, Suárez e Enzo Pérez (River Plate)

Cartões vermelhos: Palacios e Gabriel

Gols: Borré (River), aos 14 minutos do primeiro tempo; Gabigol (FLAMENGO), aos 43 e aos 46 minutos do segundo tempo.

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