Fla desfila para multidão no Rio, e festa acaba com confusão

Folhapress

RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A festa de comemoração do título da Libertadores, que começou na manhã deste domingo (24) com a presença de milhares de torcedores flamenguistas na avenida Presidente Vargas, no centro do Rio, terminou em confusão.

O caminhão aberto em que a equipe rubro-negra desfilava desde o início da tarde, diferentemente do que a torcida esperava, virou em uma rua menor em vez de seguir até o monumento Zumbi dos Palmares.

Nesse momento, por volta das 16h15, a polícia começou a jogar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o público, e se iniciou a correria e o empurra-empurra. Flamenguistas revidaram com chinelos, latinhas, garrafas, pedras que retiravam das calçadas, pedaços de pau e fogos de artifício.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Mesmo com a maioria dos torcedores se dispersando, a confusão e as bombas continuaram. O que se seguiu foram vários conflitos espalhados pela avenida Presidente Vargas.

A Polícia Militar e a Guarda Municipal avançavam em pequenos grupos em diversos pontos, e não de um único sentido, como costuma fazer para dispersar multidões.

Um dos focos da confusão foi um posto de gasolina em uma esquina, onde um grupo se escondia dentro da loja de conveniência ou atrás de pilastras e latas de lixo. Um grupo de torcedores arrancou tapumes de alumínio que ficavam atrás do imóvel.

Mais para frente, guardas municipais desembarcaram de uma van e atiraram algumas vezes com armas de borracha em direção a torcedores que estavam em cima de um viaduto. Eles os xingavam, jogavam cervejas e pedras e gritavam pedindo para que parassem porque havia crianças no grupo.

Em outra esquina, policiais correram atrás de um homem e o prenderam. Mesmo com ele já detido, o grupo de cerca de seis agentes arrastou o suspeito pelo asfalto e bateu nele com cassetetes por alguns segundos, provocando gritos de revolta de quem via a cena.

A situação só se acalmou cerca de uma hora depois, quando o trânsito foi liberado nos dois sentidos da avenida. Os garis apareceram logo depois para limpar o cenário, que era de guerra e de fim de festa ao mesmo tempo.

A confusão impediu que os flamenguistas comemorassem na rua a conquista antecipada do título do Campeonato Brasileiro, com a vitória do Grêmio sobre o Palmeiras por 2 a 1 na tarde deste domingo.

Quando o jogo acabou, só se ouviu os pedestres que sobraram gritando, motoristas buzinando e alguns fogos de artifício.

Pela manhã, antes da chegada do time à região central do Rio, policiais detiveram um grupo que furtava celulares de torcedores que aguardavam a festa.

Mais tarde, a reportagem da Folha viu torcedores interceptando um homem com uma bolsa com celulares. Ele foi flagrado enquanto tentava furtar mais um aparelho. Chegou a ser agredido, mas conseguiu fugir. A bolsa foi aberta, e os telefones entregues aos donos que estavam por perto.

Muitos torcedores foram para o local direto das comemorações após o jogo de sábado (23), como os amigos André Luiz de Oliveira Santos, 24, e Thiago Santos, 26, de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Começaram a beber no sábado às 14h e carregavam latinhas de cerveja na manhã deste domingo.

A previsão inicial era de que o time campeão aterrissasse no Rio por volta de 9h30, mas o avião saiu de Lima com atraso e chegou por volta das 11h. A aeronave foi escoltada pela FAB, como boas-vindas. Na pista do Galeão, recebeu um banho em comemoração à vitória. Gabigol, herói do título, apareceu na janela da aeronave com uma bandeira do clube.

Enquanto esperavam os atletas no centro, os torcedores entoavam cânticos e soltavam fogos de artifício.

“A gente quer ver o Gabigol, papai”, disse André. “É inexplicável, não tem como explicar o que aconteceu ontem."

“Deixei meu marido tricolor em casa com a filha e vim pra cá”, contou Pabola Oliveira, 35, para depois mostrar a tatuagem com o escudo do Flamengo na panturrilha esquerda. “Quero ver o Bruno Henrique, sonhei com ele antes do jogo."

Vestido com camisa do Flamengo, o escocês Darril Ferguson, 30, acompanhou a festa da torcida em frente ao hotel em que está hospedado no Rio. Ele é torcedor do Celtic (ESC), mas afirmou que adotou o Flamengo como time brasileiro.

“Ontem estava doente, de cama, e não consegui ver o jogo. Mas hoje [faz gesto de levar um copo à boca]...”. Ferguson trabalha em embarcação de apoio à indústria do petróleo e está em semana de folga no Rio. Na quarta-feira (27), pretende ir ao Maracanã assistir ao jogo entre Flamengo e Ceará.

Houve quem também aproveitasse para lucrar com a multidão rubro-negra concentrada no centro da capital

Foi o caso do torcedor Leandro Lopes, 41, que faturou com uma réplica da taça da Copa Libertadores da América, que encomendou por R$ 1.250 a um fabricante em Santa Catarina. Ele cobrava R$ 1 para que outros flamenguistas tirassem foto segurando o troféu.

Leandro chegou ao centro do Rio por volta das 10h e até meio-dia contabilizou cerca de R$ 200. “É o dinheiro da cervejinha”, disse ele.

BOLSONARO

O presidente Jair Bolsonaro postou em sua conta em uma rede social uma mensagem que enviou por meio da Força Aérea ao time carioca durante seu voo de volta ao Rio de Janeiro.

“A Força Aérea Brasileira, em nome do presidente da República, Jair Bolsonaro, dá as boas-vindas ao time do Flamengo e felicita a equipe campeã que tão bem representou o Brasil para a conquista da Copa Libertadores da América. Brasil acima de tudo. Parabéns”.

Mais cedo, o presidente andou de moto durante 20 minutos no jardim do Palácio. Apesar do bicampeonato do Flamengo, Bolsonaro usou, no passeio, uma camisa da Portuguesa Santista que ganhou no último dia 17.

Leia também