Flávio Bolsonaro sugere boicote a Fiat e Gerdau após demissão de Maurício Souza por posts homofóbicos

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 06.10.2021 - O senador Flávio Bolsonaro participa de cerimônia de recepção aos atletas olímpicos e paralímpicos que participaram das Olimpíadas no Japão, no Palácio no Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 06.10.2021 - O senador Flávio Bolsonaro participa de cerimônia de recepção aos atletas olímpicos e paralímpicos que participaram das Olimpíadas no Japão, no Palácio no Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) está incentivando um boicote às marcas Fiat e Gerdau, patrocinadoras do Minas Tênis Clube, que cobraram um posicionamento da agremiação após publicações homofóbicas de Maurício Souza em suas redes sociais.

A Minas decidiu rescindir o contrato do atleta de vôlei nesta quarta-feira (27).

"Não compre produtos da Fiat e da Gerdau, são contra a liberdade de opinião! Estes patrocinadores do vôlei do Minas Tênis Clube são os responsáveis pela perseguição ao grande Maurício Souza! Comer o pão que o diabo amassou pra vencer na vida, pelos próprios méritos, não vale nada para esses patrocinadores.

Toda minha solidariedade a você, Maurício! Não vai faltar time querendo seu talento e respeitando suas opiniões", escreveu o senador, filho de Jair Bolsonaro, no perfil do atleta.

O central de 33 anos publicou mensagens homofóbicas em seus perfis nas redes sociais, em episódio que gerou grande repercussão, e não convenceu na retratação exigida pelo time e por seus patrocinadores.

"Vim para pedir desculpas a todos os que se sentiram ofendidos com a minha opinião, por eu defender aquilo em que acredito", resumiu o atleta, em um vídeo disponibilizado no Instagram. Em pouco menos de quatro minutos, ele demonstrou que a contrição era, no máximo, protocolar e repetiu uma série de preconceitos.

Foi a gota d’água para a direção do Minas, que se via em uma situação desconfortável com seus parceiros comerciais. A Fiat e a Gerdau, que bancam a equipe masculina de vôlei da agremiação, exigiam uma posição mais firme da diretoria, que inicialmente apenas publicara uma nota condenando a homofobia de forma genérica.

Pressionados, os dirigentes anunciaram na terça (26) o afastamento temporário de Maurício e a exigência do pedido de desculpa. A retratação foi feita primeiramente em um perfil no Twitter com apenas 51 seguidores, não no Instagram, onde a conta de Souza é verificada e tinha 251 mil seguidores –nesta quarta, com a repercussão, já passava dos 335 mil.

Foi cobrado, então, que o jogador se posicionasse no próprio Instagram, onde havia feito os comentários originais que causaram a comoção. Neles, o atleta criticava o anúncio da DC Comics de que o novo Super-Homem, filho do Super-Homem original, vai se descobrir bissexual nas próximas edições dos quadrinhos.

"Ah, é só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar", escreveu Maurício, em publicação que se recusou a apagar e continua disponível para visualização. "Infelizmente, a gente não pode ​mais dar opinião, não pode mais colocar os valores acima de tudo, os valores da família", acrescentou, já no vídeo do suposto pedido de desculpa.

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