Fisioterapia tem aumento na procura em tempos de pandemia

Vida e Tal
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Com a pandemia de coronavírus, a prática de atividades físicas - em casa ou ao ar livre - foi recomendada por especialistas, como forma de a população se manter em forma e, consequentemente melhorar a imunidade. No entanto, sem o acompanhamento direcionado de um profissional, lesões podem aparecer e comprometer o bem-estar do indivíduo. Sendo assim, a figura do fisioterapeuta é essencial no que se refere à prevenção e ao tratamento de lesões em atletas profissionais e amadores.

Especialista na área, Ângela Côrtes Góis dedicou os últimos anos da sua carreira a cuidar de pacientes dos "nichos" já citados. Apesar de reforçar a importância da prática de exercícios físicos, destaca a necessidade de acompanhamento profissional para evitar problemas futuros com o corpo.

- No período de isolamento, o exercício físico em casa tornou-se um hábito para aliviar o estresse e na manutenção do condicionamento físico, o que gerou, pela falta do acompanhamento profissional, muitas lesões, pela falta de atenção e cuidados necessários na execução dos movimentos e do excesso de exercícios repetitivos. Nesse período, lesões osteomusculares ocorreram, como por exemplo, estiramentos dos músculos posteriores da coxa e fraturas por estresse dos dedos do pé tiveram um índice importante durante o isolamento. Com a flexibilização e retorno aos consultórios, o índice de dores crônicas tem sido mais frequentes, muito relacionada com dificuldade de lidar com estresse e com a ansiedade e lesões decorrentes da atividade física executada, sem acompanhamento de profissional da área - alertou ela, que já cuidou de vários astros do MMA.

Confira a entrevista com a fisioterapeuta:

Tendo em vista sua experiência na área e tudo o que você já vivenciou, de que maneira a fisioterapia pode contribuir ou até mesmo anular as chances de cirurgias em casos complexos?

A fisioterapia evoluiu muito e tem seu papel importante junto ao médico na avaliação e conclusão do melhor procedimento e conduta a ser realizado com cada paciente, seja atleta ou não atleta. Muitas cirurgias que eram realizadas no passado deixaram de ser feitas ou se tornaram menos invasivas. Muitos médicos, hoje, têm optado pelo tratamento conservador. Tudo dependerá do histórico, da gravidade, considerações psicossomáticas de cada paciente. Posso garantir que muitas das lesões musculoesqueléticas conseguimos solucionar com uma boa integração entre fisioterapeuta e médico.

No âmbito esportivo, com o advento da tecnologia e demais práticas, a fisioterapia tem sido cada vez mais essencial na recuperação dos profissionais do esporte. Na sua opinião, o que mais evoluiu na área nos últimos anos?

A fisioterapia evoluiu muito, mas o que mais acredito é na capacidade dos fisioterapeutas no Brasil de criar, improvisar e desenvolverem estratégias de tratamento que se adequem a cada pessoa de forma individualizada, com o apoio da tecnologia, mas sobretudo, por intermédio de suas mãos. O trabalho do fisioterapeuta está em suas mãos, na sensibilidade de entender cada ser humano que vem para se tratar, acreditar na condução do tratamento e na vontade de recuperar o paciente. Tecnologicamente, evoluímos muito, mas temos que entender que nossa maior ferramenta está nas nossas mãos.

Atualmente, você considera que os atletas têm dado mais importância aos cuidados com o corpo e vêm procurando realizar trabalhos de prevenção de lesões, ou até mesmo tratam lesões ainda num estágio inicial?

Sim, cada vez mais os atletas procuram por fisioterapeutas esportivos e buscam orientação, com objetivo de melhorar seu desempenho e qualidade de vida. Observamos um cuidado maior dos atletas na prevenção e na busca de conhecimento do corpo, da qualidade de movimentação junto a um fisioterapeuta para melhorar a sua performance. Hoje, por exemplo, um atleta de esportes individualizados tem um acompanhamento de perto de um fisioterapeuta. Eu tive e tenho a oportunidade de acompanhar grandes atletas da luta, como Rodrigo Minotauro, Rogério Minotouro, Anderson Silva e Rodolfo Vieira. São atletas que sempre valorizaram e sabem da importância da fisioterapia e do trabalho multidisciplinar com o médico, integrado a fisioterapeutas, educadores físicos, nutricionistas e psicólogos do esporte no acompanhamento da rotina de treinos, na hora do evento e após competições.

Estamos passando por um ano atípico e repleto de dificuldades por conta da Covid-19. De que forma isso impactou nos seus pacientes e contribuiu para o surgimento de mais lesões ou outros tipos de complexidades?

Com a pandemia, a fisioterapia tem contribuído para o enfrentamento da Covid-19, tem papel fundamental na linha de frente nos hospitais, com os trabalhos respiratórios realizados em pacientes nos centros de terapia intensiva, também nos consultórios, na prevenção e recuperação de lesões, e em muitos casos, se reinventando para as orientações de tratamento à distância. Como somos profissionais que atuamos com as mãos, tivemos que nos adaptar nos três meses de distanciamento social obrigatório no início da pandemia, com o propósito de manter a atenção na qualidade de vida de nossos pacientes. No período de isolamento, o exercício físico em casa tornou-se um hábito para aliviar o estresse e na manutenção do condicionamento físico, o que gerou, pela falta do acompanhamento profissional, muitas lesões, pela falta de atenção e cuidados necessários na execução dos movimentos e do excesso de exercícios repetitivos. Nesse período, lesões osteomusculares ocorreram, como por exemplo, estiramentos dos músculos posteriores da coxa e fraturas por estresse dos dedos do pé tiveram um índice importante durante o isolamento. Com a flexibilização e retorno aos consultórios, o índice de dores crônicas tem sido mais frequentes, muito relacionada com dificuldade de lidar com estresse e com a ansiedade e lesões decorrentes da atividade física executada, sem acompanhamento de profissional da área. Cada caso tem suas particularidades e desafios, que nós, fisioterapeutas, temos, por dever de ofício, encontrar o correto atendimento, de forma individualizada, observando, escutando e buscando a melhor conduta para aliviar as dores crônicas dos nossos pacientes.