Firmino, um “falso 10” que segue como herói invisível do Liverpool

Goal.com

Firmino é o camisa 9 do Liverpool, mas não foi artilheiro do time nas últimas temporadas e, pela seleção brasileira, costuma receber críticas exageradas exatamente pelo mesmo motivo. Nesta quarta-feira (14), o atacante não balançou as redes do Chelsea no tempo regulamentar, na disputa da Supercopa da UEFA, mas não é exagero dizer que se não fosse a sua presença, os Reds sequer chegariam à disputa de pênaltis – onde triunfaram após o 2 a 2 para ficarem com o troféu.

Isso porque o Chelsea jogou melhor nos primeiros 45 minutos e saiu na frente, com gol anotado por Olivier Giroud. Roberto Firmino entrou durante o intervalo, no lugar de Oxlade-Chamberlain, e reconfigurou o ataque dos Reds para a sua melhor forma: Salah continuou aberto pela direita, mas Sadio Mané, que iniciou centralizado no 4-3-3, voltou para a esquerda. O brasileiro, contudo, não ficou plantado como centroavante. Até porque ele jamais faz este papel no Liverpool: onde mais rende é centralizado, embora recuando para criar jogadas, circulando para atrair a marcação enquanto o espaço aparece para os companheiros de ataque entrarem com velocidade antes das finalizações. Firmino decidiu com participação direta nos dois gols marcados por Mané, mudando a cara da partida para sua equipe.

No empate, ajeitou a bola para o senegalês conseguir a finalização, em meio a disputa com o goleiro Kepa Arrizabalaga. Praticamente uma assistência. Mas o passe para gol computado pela arbitragem veio na prorrogação, quando a tabelinha com Mané funcionou perfeitamente: o camisa 9 recebeu na ponta-esquerda e, em velocidade, entrou na área apenas para dar um passe certeiro para Mané, que virou para os Reds. O duelo foi para os pênaltis graças a um polêmico penal convertido por Jorginho. Após o 2 a 2, Firmino foi o primeiro batedor e converteu sua penalidade com calma e categoria.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Mas, como se fosse uma espécie de maldição, não deixou o gramado do estádio Vodafone Park, na Turquia, exaltado como grande herói: os gols foram de Mané, e o troféu só foi garantido graças à defesa do goleiro Adrián, na última batida do Chelsea. Para Firmino, isso pouco importou em meio às comemorações: “Não tenho palavras para descrever o tamanho da minha felicidade. Começamos a temporada com o pé direito. Foi uma partida disputadíssima, contra um adversário muito forte, mas tivemos tranquilidade nos pênaltis e saímos vencedores. Tem sido um ano especial para mim. Ainda não tinha conquistado títulos na minha carreira e, de junho para cá, já foram três taças. Vou continuar trabalhando para que essa boa fase não acabe tão cedo”, afirmou após o jogo.

Roberto Firmino Liverpool 14 08 2019
Roberto Firmino Liverpool 14 08 2019
(Foto: Getty Images)

Firmino, de fato, começou esta temporada de forma impressionante: em três jogos – as Supercopas Inglesa e da UEFA, além da estreia na Premier League – foram duas assistências. Isso, poucos meses depois de ter sido líder em passes para gols na Copa América. O número 9 usado nas costas engana: “Bobby”, como é chamado carinhosamente na Inglaterra, até faz seus gols, mas raramente é o artilheiro de suas equipes. É um criador de espaço, conforme defendido pelo próprio Klopp.

“Por causa das pequenas coisas que ele está fazendo, ele trabalha muito duro, ele está aqui, ele está ali. Marcou seis gols, mas abriu cinco mil espaços para todo mundo (...) Tudo depende do que você quer ver, do que você espera e com o que compara”, disse Klopp em novembro de 2018. Número de gols à parte, é uma avaliação que ainda segue válida para avaliar Firmino.

Se o termo ‘falso nove’ voltou a ficar popularizado para a figura do meia que cria e, depois, aparece como flecha para finalizar as jogadas, Firmino é o oposto: atrai a atenção para si, saindo da área para servir os companheiros. É como se fosse um “falso 10”. Qualquer que seja a definição, o mais certeiro que podemos concluir é que serve muito bem para o Liverpool.

Leia também