Final do GP da Bélgica gera muitas dúvidas em relação às regras da F1

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O holandês Max Verstappen, piloto da Red Bull, no pódio do GP da Bélgica (AFP/JOHN THYS)

Ao proclamar Max Verstappen o vencedor do Grande Prêmio da Bélgica depois de apenas duas voltas atrás do safety car, sob a forte chuva que caiu no circuito de Spa-Francorchamps, a imagem da Fórmula 1 ficou arranhada perante o público e levantou muitas questões sobre seu regulamento.

A largada da 12ª etapa do Mundial da categoria foi realizada após três horas, depois de duas tentativas frustradas, com os carros partindo dos boxes atrás do safety car porque a visibilidade era zero, impedindo qualquer ultrapassagem e apenas por duas voltas: uma "farsa" segundo o líder da campeonato, o britânico Lewis Hamilton, que afirmou que preferia a anulação da prova.

. O que diz o regulamento?

De acordo com o regulamento da Federação Internacional do Automobilismo (FIA), “metade dos pontos serão atribuídos se o líder completar mais de duas voltas, mas menos de 75% da distância inicial da corrida”. Não está estipulado que isso deva ser feito sem um carro de segurança (safety car). A F1 foi, portanto, capaz de designar um vencedor e conceder pontos aos dez primeiros.

De acordo com outro ponto do regulamento, a classificação é aprovada na penúltima volta antes da interrupção da corrida. O que é um ponto questionável, pois o GP da Bélgica oficialmente durou apenas uma volta e 3 minutos, 27 segundos e 71 milésimos. De longe a corrida mais curta da história.

. Por que a corrida não foi anulada?

Um Grande Prêmio nunca foi cancelado no dia da corrida. A Fórmula 1 certamente não queria criar esse precedente. Principalmente quando a categoria busca organizar um número recorde de provas neste ano.

Uma vez que teve que reduzir o total para 22 corridas em vez das 23 iniciais devido à pandemia, a anulação seria uma mancha neste recorde (atualmente estabelecido em 21).

"Fizemos o nosso melhor, mas o tempo nos derrotou", explicou Michael Masi, diretor da corrida belga. “Estávamos em contato permanente com o nosso prestador de serviços meteorológicos e havia uma janela onde parecia que o tempo iria permitir a largada, (...) mas a meteorologia nos derrotou”.

. É preciso mudar o regulamento?

Os próprios pilotos não entendem as regras. "É uma piada. Achei que era necessário completar 25% da corrida para receber pontos", disse o alemão Sebastian Vettel (Aston Martin).

"É chocante. Como você pode marcar pontos em uma corrida?", questionou outro campeão mundial, o espanhol Fernando Alonso (Alpine).

"Precisamos de uma solução melhor para nosso esporte. Todos juntos temos que revisar os regulamentos para aprender as lições deste dia", disse o diretor da equipe McLaren, Zak Brown.

A F1, a FIA e as equipes disseram que querem sentar e discutir possíveis mudanças.

. Não era possível correr na segunda-feira?

"Não há possibilidade de adiar a corrida até amanhã (esta segunda)", disse Masi no domingo. Por que? "A lista (de motivos) seria longa", acrescentou.

A principal causa foi a enorme logística necessária para mover o gigantesco 'paddock' para ficar pronto para a próxima corrida, neste fim de semana na Holanda.

O tempo ainda estava ruim nesta segunda-feira em Spa-Francorchamps de acordo com as previsões.

. Motivos financeiros podem explicar a decisão?

Para Hamilton, essa "farsa" era a "pior escolha". O heptacampeão mundial da Mercedes considerou que "o dinheiro falou". "Estas duas voltas para o início da corrida são uma encenação para o dinheiro."

O presidente da F1, Stefano Domenicali, argumentou: "Quando ouço que há discussões comerciais por trás disso, é totalmente falso." Segundo o italiano, a F1 ainda teria recebido sua receita como promotor da corrida, mesmo que os carros não tivessem saído dos 'boxes' para a tentativa de largada.

. Há precedentes?

Nunca um vencedor de Grande Prêmio foi nomeado sem uma única volta de corrida real. Mas em alguns GPs metade dos pontos já foram dados por conta da chuva: na Malásia em 2009 (vitória de Jenson Button), na Austrália-1991 (Ayrton Senna depois de apenas 14 voltas e menos de 25 minutos), ou em Mônaco-1984 (Alain Prost )

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