Filho de Schumacher estreia em pista onde pai reinou e brigou com Senna

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·4 min de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mick tinha 13 anos quando viu pela TV o pai, Michael Schumacher, cruzar a linha de chegada do GP Brasil de 2012 na sétima posição, em sua última corrida na F1.

O britânico Jenson Button venceu aquela prova, a derradeira da temporada, e Sebastian Vettel terminou como campeão mundial, mas era o piloto alemão o mais festejado no circuito de Interlagos, onde ele viveu grandes momentos de sua carreira e que agora vai receber o filho dele pela primeira vez, no domingo (14), no rebatizado GP de São Paulo.

"Será especial correr no Brasil. Estou ansioso por isso, a multidão é sempre muito divertida. Eu só vi na TV, mas estou muito ansioso para experimentar essa sensação e espero ouvir alguns gritos de alegria por mim", afirma Mick em entrevista à reportagem.

Sempre que corria no país, Michael Schumacher sentia- se em casa. Ele é o segundo piloto que mais vezes venceu a etapa brasileira, com quatro vitórias, atrás do francês Alain Prost, vencedor em seis oportunidades.

Também foi no Brasil que alemão correu pela última vez a bordo da Ferrari, equipe pela qual ganhou cinco de seus sete títulos mundiais.

Ele terminou fora do pódio, num resultado que o impediu de conquistar o campeonato pela oitava vez --o alemão foi vice, enquanto Fernando Alonso garantiu o bicampeonato. Mas isso não ofuscou a grande exibição que ele teve novamente no circuito brasileiro.

Depois de largar em décimo, em poucas voltas ele chegou à quinta posição, mas acabou com um pneu furado ao ultrapassar o italiano Giancarlo Fisichella. A parada nos boxes fez com que caísse até o último lugar.

Com uma pilotagem à altura de suas 91 vitórias na F1, ele escalou o grid e conseguiu terminar em quarto. Na penúltima volta, ainda fez o melhor tempo da corrida, com 1min12s162.

Para Mick, que tinha 7 anos na época, aquela foi uma das corridas mais incríveis do pai dele. "Ver ele sair de trás para a frente do grid foi muito especial. Eu percebo agora, muito mais do que naquela época, o que tudo isso significava", disse o jovem piloto de 22 anos.

Schumacher, o pai, não viveu só de glórias em Interlagos. Houve também polêmicas, como a discussão com Ayrton Senna, em 1992.

Naquele ano, o alemão ficou irritado com a postura do brasileiro durante a corrida. Em mais uma etapa da temporada na qual as Williams sobraram no grid -Nigel Mansell e Riccardo Patrese guiaram tranquilos na primeira e segunda posição, respectivamente-, o que restava na disputa era a briga pelo terceiro lugar.

Schumacher era o único que demonstrava velocidade o suficiente para desafiar a dupla naquele dia. Mas ele perdeu muito tempo na corrida durante voltas em que travou uma batalha com Senna.

O brasileiro estava com problemas em seu carro, mas nem por isso resolveu entregar sua posição para o rival com facilidade. Sem deixar a pista, ele tentava resolver as falhas de seu motor fazendo algumas manobras que irritavam o alemão.

"Eu estava mais rápido que ele, e ele estava fazendo um tipo de jogo, o que me surpreendeu. Não esperava esse estilo de pilotagem de um tricampeão", disse Schumacher naquela ocasião. "Quando, eventualmente, permitiu que eu o ultrapassasse, ele me surpreendeu e me ultrapassou [de novo]. Não gostei disso."

Senna culpou as falhas em sua McLaren pelo ocorrido. "[O problema] era algo sério e intermitente. O efeito disso era totalmente imprevisível [...] De vez em quando, o problema era tão grande que parecia que eu tinha colocado o pé no freio", explicou o brasileiro, que abandonou a prova.

Schumacher foi o terceiro, mas terminou a corrida uma volta atrás da dupla da Williams. Era mais um fato que contribuía para alimentar a rivalidade que Senna e ele cultivaram logo nos primeiros anos do alemão na F1 --em 1992, ele estava em sua segunda temporada apenas.

Nascido em 22 de março de 1999, Mick só conheceu essa e outras histórias do pai apenas por vídeos e relatos. Foi o suficiente para inspirá-lo a querer ser um piloto também.

A ascensão do jovem até a F1, infelizmente, não pode ser acompanhada de perto por aquele que é seu maior ídolo. Desde dezembro de 2013, Michael se recupera de um gravíssimo acidente sofrido enquanto esquiava nos Alpes Franceses. Quase nada se sabe oficialmente sobre seu estado de saúde, já que a família praticamente não emite declarações sobre o tema.

Mesmo sem o pai por perto, ele tem desfrutado de sua primeira temporada na categoria. "Estamos quase no final da temporada e parece que começamos há algumas semanas. Sinto que estou confortável no carro, estou confortável com a equipe e todas essas coisas vão me ajudar no próximo ano", disse.

A Haas, porém, não tem um carro capaz de permitir a ele brigar por pontos. Mick e seu companheiro de equipe, o russo Nikita Mazepin, são os únicos pilotos regulares que ainda não pontuaram no campeonato.

O filho do heptacampeão espera que num futuro próximo possa ter um carro mais competitivo. "Eu espero que não demore muito. Estou aqui porque quero lutar por vitórias e títulos. Toda a experiência que estou obtendo agora me ajudará a me tornar o piloto capaz de lutar por meus objetivos."

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos