Filho de Sérgio Cabral se entrega à PF no Rio de Janeiro

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O empresário José Eduardo Neves Cabral, filho do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, se entregou na tarde esta quinta-feira (24) um dia após se tornar alvo de mandado de prisão sob suspeita de integrar um grupo de comércio ilegal de cigarros.

O advogado Raphael Kullman, que representa o empresário, disse que ele se apresentou espontaneamente à Polícia Federal no Rio de Janeiro.

"Ele se apresentou espontaneamente às autoridades na tarde de hoje, seguro de sua inocência será provada no decorrer do processo", afirmou em nota.

Não há detalhes sobre qual seria a participação de José Cabral nos fatos investigados pela PF. O processo está sob sigilo.

De acordo com a polícia, o grupo investigado atua há ao menos três anos "com falsificação ou não emissão de notas fiscais, depositava, transportava e comercializava cigarros oriundos de crime em territórios dominados por outras organizações criminosas (facções, milícias etc), através de acerto com elas".

"A organização criminosa contava com uma célula de serviço paralelo de segurança, coordenado por policial federal e integrado por policiais militares e bombeiros, que também atuavam para atender aos interesses espúrios do grupo", afirma a nota da PF.

Segundo a corporação, a investigação contou com o apoio da Agência de Investigações de Segurança Interna da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

A 3ª Vara Federal Criminal expediu 27 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão. A decisão também determina o bloqueio de bens avaliados em cerca de R$ 300 milhões.

"Dentre os bens, estão imóveis, veículos de luxo, criptomoedas, dinheiro em espécie, valores depositados em contas bancárias, entre outros", diz a nota da PF.

O ex-governador teve um mal súbito na Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói, ao ser informado sobre o mandado de prisão contra o filho. Ele foi atendido e passa bem.

Sérgio Cabral está preso há seis anos sob acusação de comandar um esquema de corrupção no qual cobrava 5% de propina sobre o grandes contratos do estado em sua gestão (2007-2014). Ele confessa parte dos crimes que lhe são atribuídos.

Cabral vive a expectativa de sair da cadeia após ter quatro mandados de prisão derrubados pela Justiça. Resta apenas uma ordem expedida pelo ex-juiz Sérgio Moro, em razão das investigações sobre cobrança de propina por obras no Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro).