Fifa não vai punir seleção alemã por manifestação a favor dos Direitos Humanos

·2 minuto de leitura
Jogadores da seleção alemã posam com uma mensagem em favor dos direitos humanos durante sua estreia nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2022 contra a Islândia em 25 de março de 2021, em Duisburg

A Fifa anunciou nesta sexta-feira que não vai punir a seleção alemã por ter se manifestado em favor dos Direitos Humanos na quinta-feira, em sua primeira partida das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, organizada no Catar, alvo do protesto.

"A Fifa acredita na liberdade de expressão e no poder do futebol para trazer mudanças positivas", disse ele em um comunicado enviado à SID, filial de esportes da AFP.

Antes do jogo, vencido por 3 a 0 pela Islândia, os jogadores da seleção alemã enviaram uma mensagem a favor dos Direitos Humanos no início da trajetória para a Copa do Mundo no Catar.

No momento dos hinos nacionais, os jogadores alemães exibiam uma camisa preta com uma grande letra branca. As onze letras compunham as palavras "DIREITOS HUMANOS" (Direitos Humanos, em inglês).

Esta ação ocorre logo depois que o diário britânico The Guardian afirmou que 6.500 trabalhadores, a maioria dos quais migrantes da Índia e do subcontinente indiano, morreram no emirado desde que foram contratados em 2010 para organizar o torneio. Este número é contestado pelo Catar.

Na quarta-feira, jogadores noruegueses realizaram ação semelhante antes de jogar em Gibraltar, vestindo camisetas que diziam "Direitos Humanos dentro e fora do campo".

Após o jogo com a Alemanha, o meia Leon Goretzka explicou o gesto dos jogadores alemães.

"Queríamos mostrar claramente à opinião (pública) que não estamos alheios a isso", disse ele.

"Nós mesmos desenhamos as letras em nossas camisetas. Alcançamos um grande público e podemos usar isso de uma forma formidável para enviar sinais a favor dos valores que defendemos", explicou.

- Noruega prepara novo protesto -

O gesto foi elogiado nesta sexta-feira pelo porta-voz do governo alemão Steffen Seiffert, chamando-o de "boa ação".

"É bom relembrar novamente os valores de nossa democracia liberal, em um momento em que a democracia não está necessariamente em ascensão em todo o mundo", acrescentou.

A Fifa, que geralmente proíbe declarações políticas em jogos, decidiu desta vez não sancionar a Noruega e a Alemanha.

Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira, o técnico norueguês Staale Solbakken parabenizou a seleção alemã: "É bom que a 'Mannschaft' nos tenha seguido. É uma das grandes equipes que ditam o ritmo. Não sei quantas pessoas viram a Alemanha jogar seu primeiro jogo das eliminatórias para a Copa do Mundo, mas certamente entre 10 e 12 milhões. Isso tem um efeito".

Solbakken também indicou que sua seleção está planejando um novo ato desse tipo contra a Turquia, no sábado.

dac/mat/fbr/pm/aam