Festa dupla: a alegria dos torcedores do Flamengo seguidores de Lula

Uma festa dupla em 24 horas. Os torcedores do Flamengo, campeão da Copa Libertadores no sábado, que apoiam Luiz Inácio Lula da Silva, eleito presidente do Brasil no domingo, tiveram um fim de semana de alegria no futebol e na política.

A Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, se vestiu de vermelho na noite de domingo, lotada de seguidores de Lula com a camisa do Flamengo e a bandeira do Partido dos Trabalhadores (PT).

"O futebol me faz muito feliz, mas com certeza mais a política", diz marcos Mesquita, advogado de 24 anos.

No sábado, o rubro-negro carioca derrotou o Athletico Paranaense por 1 a 0 na final da Libertadores, disputada em Guayaquil (Equador).

Também foi apertada a vitória de Lula sobre o presidente Jair Bolsonaro nas eleições de domingo: 50,9% contra 49,1%, uma diferença de dois milhões de votos de um total de 156 milhões de eleitores.

"Primeiro, essa tensão do jogo do Flamengo, essa pressão pelo título (...) e a mesma coisa com a eleição", conta Luiza Ribeiro, publicitária de 27 anos.

Ela confessa sua surpresa pela alegria que o futebol e a política lhe reservaram em um só fim de semana.

"Não imaginei que fosse ser possível. Estavam me perguntando, mas o que você prefere: o Flamengo vencer ou o Lula vencer? Porque os dois não dá para ter", acrescenta.

Luiza lembra o "gosto amargo" da final da Libertadores de 2021, quando o Flamengo foi derrotado pelo Palmeiras.

"Depois de quatro anos de péssimo governo e uma temporada ruim do Flamengo, você se acostuma com a ideia de que algo vai dar errado", afirma a publicitária

- Vitória tripla -

As eleições impediram os torcedores de comemorarem o título de sábado em massa, e o domingo não começou bem.

Depois de votar, Bolsonaro recebeu no aeroporto internacional do Rio a delegação do Flamengo em seu retorno do Equador.

Em imagens divulgadas por sua equipe de comunicação, o presidente aparece levantando a taça na companhia do técnico Dorival Júnior e de jogadores como Rodinei, Fabrício Bruno, Thiago Maia, Léo Pereira e Everton "Cebolinha".

Os dois últimos posaram formando '22' com os dedos, o número de Bolsonaro nas urnas.

"Eu quis me enterrar", confessa o advogado Mesquita. "Temos também jogadores que não quiseram se encontrar com Bolsonaro, mas é vergonhoso para o time (...) Esses jogadores que estavam lá não representam o time como um todo nem a torcida como um todo".

Luiza também sentiu decepção, mas se reconforta com sua vitória tripla como torcedora, lulista e mulher: "Para a população feminina, Lula era a melhor opção. Não tinha como ganhar um cara que fala que a gente merece ser estuprada, enfim, sempre xingando mulheres".

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