Fernando Reis sonha com medalha olímpica para orgulhar o pai, que o iniciou no levantamento de peso

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Fernando Reis conseguiu o ouro no Pan de Lima, em 2019. Foto: Ezra Shaw/Getty Images
Fernando Reis conseguiu o ouro no Pan de Lima, em 2019. Foto: Ezra Shaw/Getty Images

Um dos comerciais mais famosos na TV brasileira no final dos anos 1970 tinha nove levantadores de peso erguendo uma Kombi com as mãos. Em seguida vinha o slogan: "esta é a maneira mais econômica de se carregar uma tonelada."

Em um dos vídeos da propaganda disponível no YouTube, há o comentário de Horacio Reis:

"Eu participei deste comercial, agora poderiam fazer um com meu filho Fernando Reis. Tal pai, tão filho, só que o filho em uma versão bem melhorada."

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Fernando Reis se diverte com a lembrança.

"O velhinho é orgulhoso", comenta sobre o pai, que tem 65 anos e hoje em dia mora na Espanha.

Medalhista de bronze no Mundial de levantamento de peso de 2018, disputado no Turquemenistão, Fernando é a esperança brasileira de uma medalha olímpica inédita na modalidade. Três vezes campeão no Pan-Americano (2001, 2015 e 2019), ele foi o quinto colocado na Rio-2016 e hoje ocupa a 8ª posição no ranking mundial.

"Eu vou chegar com força total, sem dúvida. A pandemia afetou o treino de muita gente, mas como moro em Miami e tenho uma academia, não parei de treinar. Sei que outros esportes tiveram problemas de preparação por causa da Covid, mas estou muito otimista. Encaro como uma grande oportunidade", afirma ele.

E faz parte da preparação espionar os adversários. Todos os dias ele dá uma olhada nas redes sociais dos atletas que podem ser seus principais concorrentes, como o georgiano Lasha Talakhadze e o armênio Gor Minasyan.

"É bom olhar porque você que precisa estar 100%. Eles também vão estar. O Lasha Talakhadze fez um treino e quebrou o recorde mundial. A competição vai ser muito forte e quem pretende subir ao pódio, como eu, tem de estar no máximo. Eles também estão me observando", completa.

Fernando Reis quer uma medalha em Tóquio. Foto: Ezra Shaw/Getty Images
Fernando Reis quer uma medalha em Tóquio. Foto: Ezra Shaw/Getty Images

Embora não seja para levar muito a sério, Fernando participou de alguns eventos online no ano passado. Os concorrentes fazem os movimentos em transmissões pela Internet e são julgados por juízes à distância. Não são torneios oficiais porque nada é homologado.

"Para mim, foi útil para se sentir em clima de competição. Eu sei que não tem como levar muito em conta o resultado, mas é um aspecto de mentalidade mesmo", resume.

O levantamento de peso parou por mais de um ano por causa da pandemia e não houve campeonatos oficiais. A volta aconteceu na última semana, no Pan-Americano da categoria, disputado em Santo Domingo, na República Dominicana. Fernando somou 450 kg, sendo 190 kg no arranque e 235 kg no arremesso e foi tetracampeão. O resultado praticamente assegurou sua vaga em Tóquio.

E o "praticamente" é uma estimativa bem conservadora. A Confederação Brasileira do esporte já o considerava classificado por causa do ranking. Ele é o 1º na América do Sul e 8º do mundo. O resultado do Pan-Americano apenas confirmou o esperado. Fernando só não vai a Tóquio se receber algum tipo de punição.

Chegar à Olimpíada e conquistar a medalha seria a recompensa final para o atleta de 31 anos que há 20 treina quase diariamente entre cinco e seis horas. Algo que não era sério no início. Sócio do clube paulistano Pinheiros, o qual defende em competições até hoje, Fernando começou no levantamento de peso como apoio ao judô, sua então modalidade favorita.

"Eu fazia judô em Santos, na academia do (medalhista olímpico de ouro) Rogério Sampaio. Meu pai praticava levantamento de peso, mas como hobby. Em São Paulo, passei a frequentar o Pinheiros e praticar (halterofilismo). Foi quando meu pai falou uma frase que ficou conhecida no clube, de que eu um dia seria atleta olímpico", diz o halterofilista.

A ansiedade de Fernando pela Olimpíada se deve à frustração da medalha de bronze do Mundial. Uma conquista só obtida no ano passado, dois anos após o torneio. Ele havia terminado na 4ª posição, mas o uzbeque Djangabaev Rusta, 3º colocado, teve o doping confirmado em 2020 e acabou desclassificado. O brasileiro nem recebeu a medalha ainda.

"É bom, claro. Ser bronze no Mundial é um feito. Mas ao mesmo tempo, eu não subi no pódio, sabe? Não tive a chance de desfrutar aquele momento. Quero compensar isso na Olimpíada", almeja.

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