Fernando Martinho: O Vasco precisa voltar a ser Vasco

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O Vasco da Gama não é isso. O Vasco da Gama é gigante. Mas verdade seja dita, mesmo com títulos estaduais por aí — e até da Copa do Brasil —, há muito tempo o Vasco não é poderoso como foi no final dos anos 90 e início dos 2000. Teve o time de 2012, que bateu na trave. Parecia ser o início de uma retomada. Mas o clube estava dopado financeiramente. Se endividou e não conseguiu fazer uma transição e permanecer com a mesma força.

O Vasco não é o Eurico. O Vasco é São Januário. É uma faixa diagonal branca numa camisa preta e uma cruz de malta no lado esquerdo do peito. É história. O tradicional time da colina vive um transtorno bipolar desde 2008, quando caiu para a Série B pela primeira vez. De lá pra cá, títulos da Copa do Brasil, do Estadual, e belas campanhas: no Brasileiro, na Sul-Americana e até na Libertadores — o que teria sido daquele time não fosse a defesa do Cássio no chute de Diego Souza? — mas também vieram os rebaixamentos. Dois, desde quando retornou à Série A em 2010.

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(Foto: Arquivo pessoal)

Essa bipolaridade é o grande problema cruzmaltino. O querer ser enorme instantaneamente após subir da Série B. O Vasco é um clube da Zona Norte do Rio, de São Cristóvão, de trabalhador, que abraçou o negro antes dos outros grandes aristocráticos. O Vasco sabe — e todo vascaíno que conhece a história de seu clube também sabe — que o crescimento deve vir com trabalho árduo e não com desespero.


Não é de Cristóvão, nem de Eurico a culpa. Mas sim de não entender os processos da vida, da exigência atual inflacionada por sonhos tangíveis de outrora. Vasco, olhe pra si mesmo no espelho e volte a ser Vasco.