Fernando Martinho: Bola na área, por favor

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Escanteio curto.

No livro Os Números do Jogo, os autores Chris Anderson e David Sally co​mprovam estatisticamente que cobrar um corner na área significa entregar a posse de bola ao adversário. Analisando os números das cinco principais ligas do mundo em mais de 10 temporadas, chegaram a conclusão que as chances de gol derivado de escanteio, direta ou indiretamente, chegam a 2,2% — inclui-se na conta gol de bate-rebate após a cobrança.

Ou seja, são necessárias 50 cobranças pra se chegar a um gol. Esses números se converteram em estilo que virou tendência mundial, sobretudo após o período Guardiola no Barça entre 2008 e 2012. Nas quatro temporadas, Pep renunciou a dois tipos de jogada: chutão na área defensiva, geralmente dado pelo goleiro ou pelo zagueiro mais recuado, e escanteio na área.

Sergio Ramos Real Madrid Napoli 07032017


(Foto: Getty Images)

A tendência se espalhou, e ao mesmo tempo, os torcedores se sentiram traídos. Suas memórias e esperanças eram sabotadas a cada escanteio conseguido. Veio, então, o ódio coletivo ao escanteio curto. No livro, os autores falam justamente do processo inverso, quando a memória é traiçoeira, pois ela só deixa gravada os lances que resultaram em gol e deleta aqueles outros infinitos cruzamentos na área que não resultaram em nada.

NÚMEROS DE SERGIO RAMOS NO DUELO

No entanto, existem jogadores como Sérgio Ramos. Um cara que coloca em xeque as estatísticas. Desafiando, a cada escanteio, os números consolidados. Ter Sergio Ramos no time e não cobrar um escanteio na área é desperdiçar uma chance clara de gol. Sergio Ramos é um excelente zagueiro, um dos melhores do mundo. Um zagueiro que decide jogos. Um zagueiro que ganha campeonatos.

Bola na área, por favor.