Fernando Henrique e a fama de baladeiro: "Eu fazia mal para mim mesmo"

Fabio Utz
·5 minuto de leitura

De 2002 a 2010, ele defendeu o Fluminense. Ou seja, boa parte da carreira. A partir então, passou a rodar o Brasil e jogar, por exemplo, por Ceará, Remo e CRB. Hoje, é um dos nomes do Campeonato Paulista como goleiro do Santo André. Estamos falando de Fernando Henrique. Aos 37 anos, ele relembra momentos importantes da carreira nesta entrevista concedida ao 90min em parceria com a Federação Paulista de Futebol. Quer conhecer algumas curiosidades da sua trajetória? Bora lá!

O INÍCIO NO FLU

Eu joguei alguns jogos em 2002, mas poucos. Joguei em 2003, mas poucos também. Em 2004 já comecei jogando, aí eles trouxeram o Danrlei, aí não tinha como, né. Trouxeram ele como uma grande contratação. Aí ele ficou alguns jogos e, no jogo contra o São Paulo, nunca me esqueço, em São Paulo, uma tarde, eu estava concentrado com ele, vi aquela movimentação, mas não falei nada, só ouvia. Aí no lanche da tarde o diretor falou: "Ó , se prepara que você vai entrar". Aí graças a Deus eu entrei e joguei a temporada inteira de 2004.

A COPA DO BRASIL DE 2007 E O BRASILEIRÃO DE 2010

Cara, aquele ano, 2007, foi muito importante porque foi um ano que eles contrataram muitos jogadores, tava aquela complicação, a gente foi muito mal no Carioca, uma desconfiança gigantesca. Veio o Renato (Portaluppi), graças a Deus conseguimos o título, depois fomos pra Libertadores. Aí tu já sabe o final, né? Aquele final triste contra a LDU. Em 2010 a gente conseguiu esse título. Na verdade, quem começou a jogar foi o Rafael. Ele se machucou, aí eu entrei, joguei umas vinte e cinco, vinte e quatro partidas, não me lembro. E quebrei o dedo. Aí quem assumiu foi o Berna, e conseguimos o título.

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O TRABALHO COM GRANDES TÉCNICOS

Eu aprendi bastante, cada um com seu jeito, cada um com sua filosofia. Uns mais taticamente, outros mais "paizão", então foi onde eu aprendi bastante. Eu acho que que me mostrou que o futebol não é apenas tática, não é apenas treinamento. Às vezes uma palavra de carinho ou um cuidado a mais com o atleta, aquilo ali dentro de campo vai contar muito. E na hora do "vamos ver" que corre dobrado mesmo.

PEDIDO DO RENATO PARA 'SEGURAR' O RITMO NA FINAL DA LIBERTADORES

Não, ele não pediu. Ali dentro de campo, eu vi que nosso time deu uma afrouxada grande depois do terceiro gol, né? É, estava ali um pouco preocupado, ainda mais quando o Guerron deu aquela aquela arrancada gigantesca lá que o o Luiz Alberto teve que fazer a falta. Então, cara, no meu modo de ver não sei se foi o cansaço, não sei se foi a empolgação, não Sei o que foi naquele momento. Mas o time deu uma caída. Mas eu te garanto que não foi o Renato que pediu.

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A IDA PARA CLUBES 'MENORES' E O QUE SE SOFRE

Eu não digo que eu cheguei ao fundo do poço, porque o que eu estou dizendo, fundo do poço não é, mas você vai me entender. Não é o clube, não é, não é isso. É a divisão, vamos dizer assim, vamos vamos falar de divisão. Eu cheguei à série D, que é a última divisão, né. Cheguei à série D. E foi muito, muito, muito, muito complicado, muito complicado, porque eu cheguei no Remo, lá tava um problema de salário, salários atrasados. Uma complicação. E lá também a torcida é muito participativa, mas também cobra demais. Então, como eu cheguei com algum peso, tinha que apagar alguns incêndios, né? Não só jogando, mas, cara, muito complicado. Só que a gente comprou a ideia do clube. E lá é o seguinte, lá não tinha outra. Era ganhar, receber. Se não ganhasse, não recebia. Era simples assim porque a gente vinha com o dinheiro da torcida e, se a gente não tivesse bem, a torcida não ia comparecer aos estádios. Fato, assim. Só que os perrengues da Série D são muito complicados.

O FATO DE SER BON VIVANT

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Me atrapalhou bastante. vamos pegar minha trajetória no Fluminense. São oito anos. Oito anos e eu tenho, acho, se não me engano, 260 jogos. Para muitos, são muitos, mas para mim acho muito pouco, muito poucos jogos. Porque eu oscilava bastante, Eu não gostava pouco não, gostava muito da noite, gostava muito mesmo e todo mundo sabia. Eu falo pros caras: "mano, imagina aí se tivesse celular na nossa época do Rio de Janeiro". A gente não jogava dois meses lá. Lugar nenhum, cara, dois meses. Hoje você não pode fazer nada, porque os caras estão gravando. Cara, como você disse, cara, eu curti o Rio de Janeiro, legal, bastante, muito. Só que também na hora que o bicho pegava, eu sempre representei, por isso eu fiquei oito anos lá.

A FAMA DE BALADEIRO

Eu já convivi muito, só que depois de um tempo pra cá, uns cinco, seis anos pra cá, já esqueceram, porque eu tava andando certinho. não dou mais trabalho. Na verdade, cara, eu nunca dei trabalho, na real eu nunca dei trabalho. Na verdade, eu fazia mal pra mim mesmo, não fazia mal pra ninguém.