Felipe Torres: Tempos de criança

Me lembro que, quando criança, jogo da Seleção Brasileira era digno de ‘feriado nacional’. Claro, não havia todo esse ‘tour’ global, envolvendo patrocinadores, ou seja, os duelos pareciam mais raros, verdadeiros acontecimentos. A gente contava os dias e as horas para acompanhar os canarinhos em campo.

Não é novidade que, no Brasil, torcemos mais para nossos clubes do que para o combinado verde e amarelo. Porem, este papel de unir todas as torcidas tornava a Seleção ainda mais importante. A Copa do Mundo de 2014 chegou a evocar tal espírito por aqui até aquela fatídica semifinal.  

Pre-jogo Brasil Paraguai Eliminatorias 28032017


(Foto: Rodrigo Hoschett/Goal.com Brasil)

No entanto, desde o trágico 7 a 1 que nossa relação com a ‘amarelinha’ havia entrado em crise. Era como se a Seleção não nos representasse mais da maneira que estávamos acostumados. Perdemos muito do interesse pelas partidas, passamos a contestar craques como Neymar, que, em outros tempos, seria incontestável.

Só que, ao mesmo tempo que o brasileiro desapega, ele se apega novamente. Tite sabia bem disso e colocou como meta, pessoal e profissional, resgatar esse tal amor pelos canarinhos. E não é que deu certo!

Neymar Brazil


(Foto: Getty Images) 

A caminho da Arena do Corinthians, na noite de terça-feira (28), para o duelo contra o Paraguai, pelas Eliminatórias Sul-Americanas, em São Paulo, revivi um pouco da minha época de criança. Ambulantes vendendo bandeiras do país pelas ruas, torcedores com orgulho de vestir a camisa da Seleção e gritos de "Brasil, Brasil".

Espero que esse sentimento prossiga, e não somente até a Copa da Rússia de 2018. Num país em que o clubismo impera, a união, mesmo que por 90 minutos, faz toda a diferença!