Felipe Rolim: O que fez do Coritiba o melhor ataque das quatro primeiras rodadas


"Eficiência é a chave para entender o bom aproveitamento do Coxa de Gustavo Morínigo. Gols que nascem de finalizações que, em sua média, não gerariam o aproveitamento que vem sendo mostrado por Andrey e companhia. Se o Coritiba vai continuar convertendo gols acima do esperado (média de gols marcados acima da média do xG* do time) não dá para adivinhar, mas hoje o torcedor não tem do que reclamar do desempenho ofensivo do time.

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Desempenho que vem de ataques diretos, preferencialmente pelos lados do campo e com o uso de passes médios e longos, sejam para o jogador que está na beirada oposta da jogada ou para o centroavante que serve de referência. O Coritiba, nessas quatro primeiras rodadas, tem muito mais de 90% (noventa por cento) de acerto em seus lançamentos. Contra o Atlético-MG não errou nenhum. Contra Goiás, Santos e Fluminense errou apenas um lançamento em cada jogo. Lançamento certo não é só talento, não é só ter um Gerson (o canhota), um Beckham ou um Toni Kroos, dependendo da idade de quem lê. Erros e acertos de passes são coletivos. Para o Coritiba lançar o Igor Paixão na ponta esquerda, a joia do clube tem que estar no lugar certo e outros jogadores precisam fixar o lateral adversário mais perto da zaga que da beirada do campo. Não adianta acertar o lançamento e o receptor, pressionado, ser obrigado a dar um passe de retorno. Gustavo Morínigo tem uma mecânica de ataque de atração do time adversário desde a saída de bola. Não raro vemos o Coritiba tocando despretensiosamente a bola em seu campo e esperando a subida das linhas adversárias para que apareçam espaços na entrelinha, nas pontas e na profundidade do campo.

O módulo tático predominante do Coritiba de Morínigo é o 4-2-3-1, com variação para o 4-4-2 a partir da subida do meia central avançado para o ataque, que vem sendo Thonny Anderson ou Régis. Sobe o meia central, os meias abertos baixam na linha de Willian Farias e Andrey. Variação simples e muito utilizada no Brasil.

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É com esse modelo de ataque aos espaços e com essa estrutura tática que o Coritiba chegou aos seus nove gols em quatro jogos. O copo meio cheio do Coritiba é que o time pode melhorar na defesa, que levou gols com grande influência de falhas individuais, como as de Guilherme Biro contra o Atlético-MG e de Muralha no chute de Paulo Henrique Ganso. Em outros gols sofridos, se viu que podem melhorar a recomposição defensiva e o encaixe de área. O copo meio vazio é que, mesmo com uma porcentagem altíssima de acerto nos lançamentos, o Coritiba vem fazendo gols em definições com baixa probabilidade de acerto. Aqui fica o alerta: ou o Coritiba continuará finalizando muito bem ou a média de gols deve cair se olharmos somente para a qualidade das chances criadas.

E é sobre as finalizações do Coritiba nesse começo de Brasileirão o tema do vídeo.

(*) xG é uma métrica qualitativa. Mostra a expectativa de gols que um time deve fazer a partir da qualidade das jogadas criadas. O Coritiba vem convertendo gols acima da expectativa."

Felipe Rolim
Felipe Rolim

Reprodução

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