Federação de jogadores acusa presidente de sindicato de desviar recursos da entidade

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol), Felipe Augusto Leite, acusou seu antecessor, Rinaldo Martorelli, hoje mandatário do Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, de ter desviado recursos da entidade.

Martorelli presidiu a Fenapaf de 2011 até 2016. Ele teria ordenado transferências bancárias suspeitas a terceiros, além de um total de R$ 800 mil para sua própria conta. No ano seguinte, quando mantinha um cargo no conselho da entidade, foi expulso por, segundo Leite, confessar o recebimento de comissão de 5% de honorários advocatícios em ações movidas por atletas.

Em entrevista convocada na manhã de terça (25), Leite também afirmou que outros dois ex-dirigentes utilizaram dinheiro da instituição de maneira irregular.

Alfredo Sampaio, atual mandatário do Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Saferj), teria reformado o próprio apartamento com o dinheiro da Fenapaf, a qual presidiu de 2006 a 2011.

Outro citado durante a coletiva virtual foi Jorge Ivo Amaral, ex-diretor financeiro da federação de atletas e fundador do sindicato de jogadores do Rio Grande do Sul. Ele foi afastado da entidade nacional em 2020, após uma operação do Ministério Público do Rio Grande do Sul apurar irregularidades no sindicato gaúcho

"O escândalo do Rio Grande do Sul me fez abrir os olhos, e então comecei a procurar na Fenapaf desvios de conduta", falou Leite.

Ele afirma que os sindicatos do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul receberam aporte de R$ 1,5 milhão cada um em maio do ano passado, "sem qualquer rubrica que justifique a transação". Nesse período, Ivo Amaral era o diretor financeiro da Fenapaf e tinha poder para movimentar contas bancárias da entidade.

Procurado pela reportagem, Martorelli reagiu às acusações. Alfredo conversou com a reportagem, mas pediu para responder por escrito e não deu retorno até a publicação deste texto. Ivo não foi localizado.

"Eu fiquei cinco anos afastado da Fenapaf por uma tentativa que foi orquestrada pelo Felipe Leite, e tudo isso está sendo resolvido na Justiça. Até agora, ganhei todos os processos", falou Martorelli.

Para Martorelli, Leite faz acusações porque deverá ser destituído da entidade em assembleia que reúne os sindicatos estaduais, na semana que vem.

"O Felipe deve ser afastado definitivamente da Fenapaf. Ele precisa também mostrar que foi atleta de futebol profissional, para cumprir o estatuto da Fenapaf, e até agora não conseguiu nem sequer provar isso", disse Martorelli.

Segundo Leite, as provas de todos os fatos narrados na coletiva foram protocoladas no Ministério Público do Trabalho (MPT), na segunda (24).

"Na denúncia, pedimos que tudo seja submetido também ao Ministério Público Federal", afirmou Leite.

Também falaram nesta terça, em nome da federação, os goleiros aposentados Fernando Prass (ex-Palmeiras) e Mário (ex-Atlético-GO e ex-Goiás) e o volante Hudson (Fluminense), que compõem o conselho fiscal. Além deles, participou o diretor financeiro Washington Mascarenhas (ex-Palmeiras).

O atual presidente da Fenapaf disse que só agora, em 2021, resolveu acionar o Ministério Público porque passou a ter acesso ao departamento financeiro. "A Fenapaf é uma entidade que precisa ser passada a limpo, de uma ampla investigação", declarou Leite.

Ele afirmou ter enviado em julho do 2017 um email cobrando explicações de Martorelli sobre as transações bancárias realizadas durante a sua gestão, mas não teve retorno.

"Tem transferências [no total] de R$ 400 mil para pessoas ordenadas pelo Martorelli. Entre 2012 e 2013, transferiu um total de R$ 800 mil, valores da época, sem justificativa, para a conta pessoal dele", disse Washington.

À reportagem, Martorelli afirmou que todas as contas foram auditadas e aprovadas em assembleia e que jamais foi o responsável pela administração financeira da Fenapaf. São valores recebidos, segundo ele, por reembolso ou por serviços prestados.

"Tudo o que recebi foi legal e aprovado em assembleia por todos os membros da Fenapaf. Se tivesse algo errado, isso teria sido contestado na época. Inclusive, foi aprovado em assembleia com o voto favorável do Felipe Leite, como está colocado em ata", concluiu Martorelli.

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