Favores pessoais, polêmica e corrupção: as pessoas que mancharam o ideal olímpico

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SEOUL, REPUBLIC OF KOREA:  (FILES) This file photo dated 07 July 2003 shows International Olympic Committee (IOC) vice president Kim Un-Yong speaking at a press conference as he denies sabotaging the nation's bid to stage the 2010 Winter Olympics. IOC vice president Kim Un-Yong was sentenced 03 June 2004 to two years and six months in prison on corruption charges and ordered to pay 677,000 USD in part restitution of funds embezzled by the country's sports czar.     AFP PHOTO/KIM JAE-HWAN/FILES  (Photo credit should read KIM JAE-HWAN/AFP via Getty Images)
Kim Un-Yong foi condenado a dois anos e seis meses de prisão por acusações de corrupção (KIM JAE-HWAN/AFP via Getty Images)

Enquanto houver Jogos Olímpicos, haverá pessoas dispostas a corrompê-los. O Yahoo News UK elencou alguns dos momentos mais incomuns de favores pessoais, suborno e pura criminalidade ao longo dos anos que mancharam o ideal olímpico.

Kim não conseguiu entrar em sintonia

O sul-coreano Kim Un-yong já foi um dos principais chefes do Comitê Olímpico Internacional e uma figura importante para garantir que os Jogos Olímpicos ocorressem em Seul em 1988. Ex-agente da inteligência sul-coreana, ele também gostava de ajudar seus filhos, como a filha que tocava piano, Hae-Jung Kim, cujas apresentações em shows haviam recebido críticas positivas e negativas.

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Para a candidatura de Melbourne para sediar os Jogos de Verão de 1996, um oficial revelou que a filha de Kim foi convidada para fazer uma apresentação com a Orquestra Sinfônica de Melbourne a pedido dos chefes de candidatura. “Eu acho que ela provavelmente toca na divisão C, em vez de A, mas certamente é uma pianista competente”, observou um oficial de candidatura de Melbourne. “Seu pai ficou muito grato por Melbourne ter gostado do trabalho cultural de sua filha.”

A apresentação de Kim em Melbourne não foi a única como solista. Ela também tocou com a sinfônica nas cidades olímpicas de Salt Lake City (contaminadas por um escândalo de suborno após sediar as Olimpíadas de Inverno de 2002), Nagano e Berlim.

O ex-vice-presidente do COI foi posteriormente investigado após alegações de suborno e peculato, antes de ser condenado a 2 anos e meio de prisão por acusações de corrupção em 2004.

Um carnaval de escândalos

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - SEPTEMBER 18:  President of Brazil's Olympic Committee Sr. Carlos Arthur Nuzman gives a speech during the closing ceremony of the Rio 2016 Paralympic Games at Maracana Stadium on September 18, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil.  (Photo by Atsushi Tomura/Getty Images for Tokyo 2020)
Carlos Nuzman foi preso sob alegações de que ele foi a figura central no escândalo de suborno que levou o Rio a receber os Jogos Olímpicos (Atsushi Tomura/Getty Images for Tokyo 2020)

Os Jogos Rio 2016 enfrentaram uma miríade de escândalos de corrupção, entrelaçados com recessão econômica e promotores desenterrando evidências de que a infraestrutura olímpica se tornou uma falange de recompensas e pagamentos ilegais.

Também houve uma agitação política que culminou no impeachment da presidenta e investigações no Congresso por acusações de corrupção. Na cerimônia de abertura no Rio, o discurso de declaração do presidente interino Michel Temer foi reduzido a meras 14 palavras para abafar a torrente de vaias do público brasileiro.

Em 2017, com o legado de várias instalações olímpicas abandonadas, Carlos Nuzman, chefe do Comitê Olímpico Brasileiro, foi preso em meio a alegações de que era a figura central no escândalo de suborno que viu o Rio receber os primeiros Jogos Olímpicos da América do Sul. Alega-se que, entre seus ativos, havia 16 barras de ouro armazenadas em um banco suíço. Ele nega qualquer irregularidade e acredita-se que o julgamento esteja em andamento na Justiça do Rio de Janeiro.

Escândalo de drogas patrocinado pela Rússia

MOSCOW REGION, RUSSIA  MARCH 5, 2021. United Russia Party chairman, Russian Security Concil deputy chairman Dmitry Medvedev is seen in Gorki, Moscow Region, as he meets individually with members of the public via video link. One of the issues discussed was related to families with several children. Yekaterina Shtukina/POOL/TASS (Photo by Yekaterina Shtukina\TASS via Getty Images)
O primeiro-ministro Dmitry Medvedev descreveu a proibição como "histeria" (Yekaterina Shtukina\TASS via Getty Images)

O doping russo no esporte explodiu de forma impressionante em 2016, quando um relatório publicado pela Wada, a autoridade mundial antidoping, declarou que o país havia operado um regime de doping patrocinado pelo estado por quatro anos em uma série de esportes olímpicos de verão e inverno.

A suposta corrupção generalizada e irregularidades levaram a uma proibição de quatro anos imposta à Rússia em 2019. Wada descobriu que as autoridades russas apagaram e manipularam deliberadamente os dados de doping armazenados em um laboratório de Moscou em uma tentativa de impedir que atletas fossem punidos ou banidos por consumirem substâncias ilegais.

Dmitry Medvedev, o primeiro-ministro russo, disse que a proibição era parte de uma "histeria antirrussa crônica", enquanto houve indignação em dezembro de 2020, quando a proibição russa foi reduzida pela metade.

Callum Skinner, ciclista medalha de ouro olímpico do Team GB, disse que “o maior escândalo de doping da história ficou impune” após a decisão do Tribunal Arbitral do Esporte.

Para os Jogos Olímpicos de Tóquio, determinou-se que os medalhistas de ouro russos ouvissem música de Tchaikovsky em substituição ao seu hino nacional, que foi proibido, junto com a bandeira russa, nos Jogos de Tóquio.

Irregularidades nos Jogos da antiguidade

Francesca Bologna, Project Curator of 'Nero: the man behind the myth', inspects a marble head of Nero (AD 50Ð100), on loan from the Musei Capitolini in Rome, ahead of the opening of the exhibition on the Roman Emperor Nero on 27th May at the British Museum, London. Picture date: Tuesday May 18, 2021. Picture date: Tuesday May 18, 2021. (Photo by Andrew Matthews/PA Images via Getty Images)
O imperador Nero era um grande trapaceiro? (Andrew Matthews/PA Images via Getty Images)

Não foram apenas os Jogos Olímpicos modernos que foram manchados pela corrupção, suborno e escândalo. Quase 2.000 anos atrás, Nero Claudius Caesar Augustus Germanicus, então imperador de Roma, teria mudado o ano dos Jogos, de 65 DC para 67 DC, para que pudesse competir em corridas de bigas, com 10 cavalos em sua biga, o que superou em muito a biga de seus “rivais”.

O historiador grego Cassius Dio observou que os juízes aceitaram um suborno equivalente a 3,6 milhões de libras em dinheiro, na conversão atual, para deixá-lo vencer os eventos escolhidos. Depois de quase morrer após a queda de sua carruagem, o imperador romano recebeu o status de campeão, apesar de não ter terminado a corrida. As vitórias de Nero na Grécia foram apagadas dos registros, e os Jogos Olímpicos de 67 d.C foram considerados nulos e sem efeito.

Luta olímpica com a verdade

A controvérsia e a luta olímpica têm sido companheiros constantes ao longo das décadas, mas não mais do que nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004. Nesses jogos, o ucraniano Mikhail Mamiashvili, que conquistou o ouro no peso médio greco-romano pela Rússia nos Jogos Olímpicos de 1988, foi acusado de dar sinais a um juiz em uma disputa pela medalha de ouro envolvendo um lutador russo e sueco.

O sueco Pelle Svensson, duas vezes campeão mundial, fez a alegação após descrever anteriormente o conselho mundial de luta olímpica como inerentemente corrupto. Depois que Svensson citou o preconceito do árbitro, o sueco alegou que foi informado pelo técnico russo: “Você deveria saber que isso pode levar à sua morte”. Irredutível, Svensson, na época membro do conselho do corpo diretivo da luta olímpica amadora, mais tarde afirmou ter encontrado evidências alegando que o árbitro romeno supervisionando as finais greco-romanas de 84kg havia recebido uma oferta de um milhão de coroas suecas (cerca de 86.000 libras) para garantir que o lutador russo ganhasse o ouro. Ele acredita que essas alegações nunca tenham sido investigadas formalmente. Mamiashvili se tornou presidente da Federação de Luta Olímpica da Rússia, embora seu visto para entrar nos Estados Unidos tenha sido negado em 2015.

Legado dos Jogos Olímpicos de Londres questionado

Em 2013, o The Sunday Times venceu uma batalha cara e longa por difamação, trazida por um chefão do crime, depois que o jornalista Michael Gillard denunciou a suposta corrupção em terras próximas ao Parque Olímpico, no leste de Londres.

Seis anos depois, Gillard publicou seu aclamado livro “Legacy: Gangsters, Corruption and the London Olympics” após anos de pesquisa meticulosa sobre as guerras de gangues criminosas que surgiram quando o dinheiro começou a ser canalizado para enfeitar a área leste de Londres antes dos Jogos, bem como histórias sobre “o homem que a polícia metropolitana disse que era perigoso demais para ser capturado”.

“O chefe entre aqueles que planejavam lucrar”, relatou um jornal, “era o gangster intocável conhecido como Long Fella, que estava muito perto de ser derrubado por um esquadrão de detetives locais persistentes, até que a Scotland Yard decidiu que proteger a reputação dos Jogos Olímpicos importava mais do que expor um poderoso senhor do crime”.

O livro de Gillard expôs evidências históricas de “propinas por contratos”, bem como negócios duvidosos que poderiam ter afetado o processo de licitação para o Estádio Olímpico de Stratford. Um comentarista descreveu a obra como “o bilhete suicida mais longo da história”.

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