Fatiamento das transmissões do Paulista faz Federação arrecadar R$ 42 milhões a mais

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 03.04.2022 - Goméz (e) do Palmeiras disputa lance com Calleri - Partida entre Palmeiras e São Paulo, válida pela final do Campeonato Paulista 2022, no Allianz Parque, zona oeste da capital paulista. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 03.04.2022 - Goméz (e) do Palmeiras disputa lance com Calleri - Partida entre Palmeiras e São Paulo, válida pela final do Campeonato Paulista 2022, no Allianz Parque, zona oeste da capital paulista. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A decisão de fazer negociações separadas em diferentes plataformas para a transmissão do Campeonato Paulista fez a Federação aumentar a arrecadação em relação a 2021.

Pelo contrato com o Grupo Globo, em vigor até o ano passado, a FPF (Federação Paulista de Futebol) recebia R$ 225 milhões por ano pela negociação em todas as plataformas (R$ 251,6 milhões corrigidos pela inflação, segundo o IBGE). Segundo dirigentes e pessoas envolvidas nas negociações de contrato para 2022, o valor passou para R$ 293 milhões na atual temporada.

O Paulista terminou no último dia 3, com título conquistado pelo Palmeiras, ao bater o São Paulo por 4 a 0 no segundo jogo da final.

O aumento da arrecadação é consequência da mudança na transmissão do futebol. As negociações em separado fizeram com que a Record comprasse os direitos para TV aberta, a Turner em canais fechados, o Grupo Globo em pay-per-view e a própria Federação pelo YouTube.

O valor é o mais alto dos estaduais do país, mas representa menos da metade do que a CBF recebe do Grupo Globo pelo Campeonato Brasileiro. Pelas transmissões em TV aberta e fechada, a emissora paga cerca de R$ 600 milhões por ano em um contrato iniciado em 2019 e que termina apenas em 2024. O acordo pelo pay-per-view é à parte.

No universo do futebol sul-americano, o contrato de TV do Paulista é inferior ao chileno, onde as emissoras desembolsam cerca de US$ 78 milhões (R$ 362 milhões pela cotação atual) por temporada. Mas é superior ao argentino que, pelo contrato local (sem contar o internacional, de valor não divulgado), a AFA (Associação de Futebol Argentino) recebe cerca de US$ 63 milhões (R$ 294 milhões) a cada ano, somados os pacotes de jogos da TNT Sports e dos canais Disney.

A negociação das diferentes plataformas de transmissão em São Paulo foi feita pela empresa LiveMode, que reúne ex-executivos do canal Esporte Interativo, depois vendido para a Turner.

No último mês antes da final, o canal do Campeonato Paulista foi o mais assistido do YouTube entre todas as competições de futebol. Os dados são do Social Blade, site que presta serviço de rastreamento de estatísticas e análises de mídias sociais.

Entre 9 de março e 7 de abril, quatro dias após a vitória do Palmeiras sobre o São Paulo na decisão, o Paulistão, canal da Federação Paulista que concentra vídeos dos jogos estaduais, teve 109 milhões de visualizações.

São mais acessos do que os principais torneios nacionais na Europa. A Premier League teve 77 milhões de visualizações no mesmo período. Somadas, LaLiga, Série A e Bundesliga tiveram 74 milhões. Mesmo o canal oficial da Fifa teve 65 milhões.

Comparado com o Campeonato Carioca, que também adotou o modelo de transmissões pelo YouTube, o Paulista teve 99 milhões de visualizações a mais.

No ibope da TV aberta, porém, o Paulista apresentou um leve recuo. Foram 27,6 pontos na Record no segundo jogo da final neste ano. Em 2021, na Globo, o mesmo Palmeiras e São Paulo decisivo marcou 30,1 na Grande São Paulo. Em 2020, foram 34. Cada ponto equivale a 205.755 pessoas em 2022, contra 205.377 em 2021.

"A partir da profunda transformação da mídia, tivemos um enorme desafio de garantir aos clubes um crescimento de visibilidade e de receita para este próximo ciclo de contratos. Construímos um modelo que atraiu gigantes da mídia e um rol de parceiros estratégicos. Seguimos as melhores práticas de mercado e o Paulistão bateu recordes de audiência e de resultado", afirma Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF

Mas a principal novidade foi as transmissões pelo YouTube, com equipe própria. Para isso foi criado o canal Paulistão, que atingiu 36 milhões de pessoas a partir da criação. Jogos ao vivo chegaram a ter mais dois milhões de internautas acompanhando a partida de forma simultânea.

Entre campeonatos profissionais de ponta, as experiências brasileiras ainda não são usuais no futebol internacional. Os principais torneios da Europa não estão disponíveis ao vivo e de forma gratuita na internet, apenas por meio de assinatura de aplicativos de emissoras de TV.

A Fifa informou na semana passada o lançamento do Fifa +, uma plataforma de vídeos exclusivos e arquivo com jogos da Copa do Mundo. Mas não haverá transmissões ao vivo do Mundial a ser realizado no Qatar, neste ano.

Ter o controle das transmissões permitiu à Federação Paulista padronizar a identidade visual do campeonato, algo que é praticado em torneios internacionais mas que, no Brasil, dependia basicamente da emissora detentora dos direitos. Nas duas partidas finais, entre Palmeiras e São Paulo, foram usadas 30 câmeras. Na questão de patrocínio, a iniciativa serviu para alinhar ações de marketing. Segundo a FPF, houve aumento de 50% nessas receitas, mas não divulgou os valores.

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