Fasnacht, rainha do esporte extremo, descobre o medo com o coronavírus

Por Sabine COLPART
AFP
A atleta suíça Géraldine Fasnacht posa com seu wingsuit em 23 de março de 2017, em Paris
A atleta suíça Géraldine Fasnacht posa com seu wingsuit em 23 de março de 2017, em Paris

Capaz de se jogar de 4.700 metros de altitude e planar como um pássaro, a aventureira suíça Géraldine Fasnacht descobriu o medo e o estresse durante o atual período de confinamento, após ter sido contagiada pelo coronavírus.

"Diante do vírus, não somos invencíveis", afirma à AFP Fasnacht. Seu marido também está infectado e "possivelmente" seu bebê de quatro meses.

No vilarejo de Verbier, situado nos Alpes e conhecido como a 'Meca' para os adeptos do 'freeride', disciplina extrema de esqui que consiste em se lançar montanha a baixo o mais rápido possível dos picos mais ingrimes, Farnbacht, de 39 anos, combate o coronavírus.

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- 'Não poder controlar nada' -

A suíça explica que se sentia fraca e dolorida, mas que no início não associou seu estado de saúde à COVID-19. Até perder o paladar e o olfato. Seu marido desenvolveu sintomas ainda mais graves.

"Eu estava completamente inerte durante dois dias, tinha muita febre. Eu tinha dores nas costas, mas ele, eu não podia nem tocar nele, ele tinha a impressão que estavam enfiando uma faca nas suas costas", relata a atleta, que ficou angustiada.

"É o medo de não poder controlar nada. O que me incomoda é o desconhecido. Nada é certo, há muitas incertezas, e me preocupa, porque eu gosto de controlar as coisas, não gosto do desconhecido", completa.

Em seus projetos esportivos, Fasnacht não deixa nada ao azar, porque sabe que não tem margem para erro.

A suíça, que aprendeu a esquiar aos dois anos de idade, cresceu atravessando zonas fora das pistas com seu snowboard. Tricampeã da Xtreme Verbier (competição mais improtante do 'freeride'), Fasnacht também se destaca no paraquedismo, no base jump e no wingsuit (traje com asas).

Expedições em total autonomia nas terras de Baffin (Ártico), passando por seu histórico salto de 2014, quando se tornou a primeira mulher a pular do pico do Cervino (4.478 m de altitude), fazem parte de seu currículo.

Mas, diante da COVID-19, ela admite ter tido "um pouco de pânico".

"Não se trata apenas de mim, tem meu bebê também, todos os dias eu olho nos seus olhos, meço sua temperatura. Eu estou descobrindo o que é ser mãe e cuidar de outra pessoa", analisa.

- 'Impressão de ser invencível' -

"Agora eu sou mãe e me importa ter contraído o vírus. Não sei onde isso vai parar, talvez não estaremos imunes, será que pode se reativar? Isso me cansa e me estressa", desabafa a líder do Team Athlètes Julbo, que acreditava estar protegida da pandemia devido a seu estilo de vida saudável.

Uma experiência que lembrou a Fasnacht que sentir-se invencível é uma ilusão: "Todos podem ser infectados, até eu".

"Quando pulei do Cervino, quando fiz meu primeiro salto de base jump na Antártica, quando ganhei a Xtreme de Verbier diversas vezes ou desço picos selvagens... Eu tinha impressão de ser invencível", reconhece.

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